A revista Wire publicou uma vez um artigo com os mandamentos de como fingir que se trabalhava muito no local de trabalho. Andar sempre com papel na mão quando se saía do cubículo, olhar fixamente o ecrã quando alguém chegava, dizer «Agora, não posso» cada vez que ligava alguém da empresa. Recentemente, descobri que um auto-alegado viciado ebriamente em trabalho é viciado no casino nas horas de trabalho. E quantas vezes as pessoas se despedem «Bem, tenho de ir trabalhar» para seguidamente a luz verde de um chat se acender fazendo-nos sorrir.
Um conhecido meu sempre que alguém lhe telefona diz: «Estou em reunião.» Dois conhecidos meus, um que dizia ser «coordenador de muitos homens» e outro «uma figura de topo da Sacoor» cruzaram-se em Aveiro. O Sacoor contou chocado a um amigo meu que me contou: «Eh, pá, vi o Fernando num centro comercial em Aveiro. O gajo diz que é chefe de não sei quantos homens, é tudo treta! O gajo é um trolha, meu. Eu vi o gajo com uns ucranianos, eh, pá, até tive vergonha de cumprimentá-lo, eu ia ter uma reunião com um executivo e o gajo até pó tinha no fato-de-macaco. Agora, percebo porque é que ele nunca explicava bem o que é que fazia.» O meu amigo, o condutor de homens, contou-me: «Eh, pá, Angel, nem sabes o que me aconteceu. Estava eu a comandar a minha tropa, a dizê-los que podiam ir almoçar em Aveiro e vejo o betinho do João. Havias de ver a cara de vergonha dele... Dizia o gajo que era director comercial. Até me ri. Vi-o com uns cabides num centro comercial em Aveiro, ficou muito encavacado, cumprimentou-me e depois vi-o com umas camisinhas a tentar entrar nas lojas tipo a vender flores, e a ser enxotado. Que g´anda tanga c´o gajo nos pregou!»
O «trabalhar-se muito» é uma questão de atmosfera.
terça-feira, junho 19, 2012
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