Ela 1. Diz que só consegue ficar com homens que sinta como inferiores (que não têm «ascendente sobre mim») por medo do abandono, pela fuga à paranoia ciumenta, por necessidades maternais e instinto de poder.
Ela 2. Diz que ficou encantada com ele porque nada na casa dele assentava em pernas rectangulares no fundo. «Era tudo curvo, uma casa perfeita para quem sabe de Feng Shui ou, melhor ainda, quem dele tem um conhecimento intuitivo.»
Ela 3. Diz que lhe deu um beijo porque «ele é o tipo mais monocórdico que já vi, tem equanimidade perante tudo, não reage a nada, nunca o vi irritado, entusiasmado, está sempre naquele estado vegetativo. É branquinho, os amigos chamam-lhe "estátua". Eu tinha muito curiosidade em ver com ele reagia a um beijo.»
Ela 4. Diz que se apaixonou pelo modo de ele contar uma anedota.
Ela 5. Diz que se apaixonou por ele ser ultratímido e falar quase sempre de forma atabalhoada e a olhar para o chão.
Ela 6. Diz que entrou numa relação com ele por se o oposto do ex-marido, um homem maníaco das limpezas e da ordem. «Ele não tinha televisão, tinha a sanita imunda, a casa desorganizada na primeira vez que lá entrei e não atirou uma frase típica: "Desculpa ter a casa tão desarrumada.»
Ela 7. Diz que ficou impressionada num jantar por ele ter sido o único que não disse em que trabalhava, por não se ter gabado ao contrário de todos os outros, não lhe fazer uma única pergunta. «Foi pela sua atitude humilde e reservada. Foi o único com quem me apeteceu falar.»
Ela 8. Diz que só o via em conferências a fazer de moderador, em actividades culturais que organizava. Pensou «este homem, que se faz rodear de muita gente sempre e nunca está com pouca gente em volta, deve viver entrincheirado numa imensa solidão. E isso foi a porta para a curiosidade e a atracção no processo da busca».
Ela 9. Diz que se apaixonou pelo seu terrível mau feitio ao acordar.
Ela 10. Diz que se apaixonou por ele ter tantas doenças, tantos problemas e estar sempre feliz.
Ela 11. Diz que em casa dela havia sempre gritos e discussões e que não havia um único dia em que o pai não a criticasse ou chamasse à atenção. «Casei-me com o homem mais sereno e dócil do mundo, mesmo os pais dele, o ambiente familiar são o oposto do que eu tinha. Vivo tão mais serena e alegre.»
Ela 12. Diz só se apaixonar nos últimos anos por «cabrões». «Tive uma relação de 12 anos, muito boa no plano intelectual e emocional, mas sem o lado físico. É triste, mas preciso de viver no meu corpo o prazer que não tive durante 12 anos.»
Ela 13. Diz apaixonar-se por homens com sentido de humor, que gostem de viajar e sejam activistas políticos de esquerda, de preferência com barba e cabelo compridos.
Ela 14. Diz nunca ficou com quem se apaixonou porque as paixões a descontrolam. Ficou sempre, garante, homens «normais», «com sentido prático», «sem dramas existenciais», «o oposto das minhas paixões».
Ela 15. Diz que começou a namorá-lo por ser o homem que mais fácil e assertivamente sabia dizer não.
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