quinta-feira, maio 10, 2012
«A venda nas grandes superfícies esmagou por completo a remuneração do editor do mesmo passo que o tornava cada vez mais dependente desse sistema e das suas condições leoninas, condicionou a maior parte dos catálogos em nome de uma sobrevivência, mesmo que precária, das empresas do sector, obrigou muitas vezes à marginalização e até ao esquecimento das obras de cultura, agravou em muito os problemas do sector livreiro. Não foi o chamado «preço fixo» que resolveu essas questões. O preço fixo, de resto, foi logo sabotado à partida por muitos daqueles que o advogavam encarniçadamente, mas colocavam os livros nos supermercados fora do cumprimento das regras respectivas. Regia para os descontos na venda ao público, mas não os impedia em grande margem no fornecimento dos livros para revenda. E entretanto a situação agravou-se e de que maneira.
As cadeias de supermercados são hoje o maior conjunto de redes de distribuição de livros em Portugal. Os títulos propostos aos clientes, a importância dada aos best-sellers em detrimento de outros tipos de obras, as técnicas e lugares promoção, o preço das vantagens de exposição negociadas ao milímetro, o tempo de rotação dos livros, a devolução dos não vendidos, não envolvem factores que são culturalmente menos positivos apenas no plano dos próprios supermercados e de quem os frequenta. Propagam-se também às livrarias e condicionam gravemente o contacto do público com o mundo da edição no seu desejável pluralismo cultural.»
Vasco Graça Moura
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