quarta-feira, maio 02, 2012

«Há já algum tempo encontrei-me em Londres com um grupo de adolescentes privilegiados e um deles contou-me uma história de que não me esqueci até hoje. O pai de um dos seus amigos morreu subitamente e o grupo resolveu reunir-se, pôr alguma música, beber umas cervejas para ajudá-lo. O que ele me disse foi que, além disso, não sabiam o que haviam de dizer e que isso foi a coisa mais terrível. No fim, todos se sentiram perdidos. Não sabiam como exprimir as suas emoções, faltava-lhes as palavras. É disto que se tratar quando falamos em conversação. Tirámos esta capacidade a um número crescente de pessoas porque esta é precisamente a linguagem que é oferecida às pessoas pelo mundo da arte e do pensamento. [...] Este mundo extremamente estreito no qual pensamos que o mais importante é a tecnologia não oferece essa linguagem. Joseph Brodsky, o grande poeta russo, disse uma vez perante uma audiência americana: eu venho da União Soviética, sei o que é a censura, mas pior ainda do que a censura na União Soviética é o facto de se ignorar completamente o mundo da poesia. Porque quando deixamos de ser capazes de nos exprimir, a única linguagem que nos resta é a do corpo que é por definição violenta. [...] Há um estudo feito por uma investigadora do MIT que diz que, depois de 20 anos de trabalho académico intenso, chegou à conclusão de que estamos hoje muito mais sozinhos do que antes. Porque perdemos a capacidade de nos expressar. [...] Se perguntar a pessoas que lêem no iPad, nove em cada dez dir-lhe-ão que nunca leram um livro até ao fim.» Rob Riemen

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