quinta-feira, maio 17, 2012
Os princípios não põem o pão (ou o salmão) na mesa
É um porteira ucraniana de um prédio de classe média alta. A filha estuda e trabalha, num total de 16 horas por dia, com transportes de três horas pelo meio. Vivem espartanamente, sem tempo para gastar o dinheiro e ainda procurando reduzir nas necessidades básicas para sustentar os medicamentos e tratamentos da mãe e o desemprego do irmão.
Os condóminos decidiram numa política de gestão que ao fim de oito anos poderiam prescindir da porteira. A senhora era muito competente, mas os encargos não justificavam as funções, que poderiam ser distribuídas por todos.
Política de gestão, diz-se hoje, como uma superlativa verdade que rasura qualquer vestígio de ética ou de humanidade.
Ajustamento, diz-se hoje, quando se quer despedir e reduzir salários.
Já Bourdieu dizia que não era inocentemente que a expressão «liberalização do mercado de trabalho» era muito mais utilizada do que a «desregulamentação do mercado de trabalho».
Hoje, não se facilita o despedimento, flexibiliza-se o mercado de trabalho.
E o nosso primeiro-ministro que tem por um livro da vida um livro de Husserl que não existe, anda muito contente com os olhos coruscantes a falar do livro que leu sobre Singapura, sobre a profunda transição para uma sociedade de sucesso, o país com o código penal mais repressivo do mundo, advertindo, porém, que «não é exactamente o que quer para Portugal». Exactamente?
Os direitos humanos não se medem no PIB. Os destinos de emigração (como Angola e Singapura) não têm em conta para muita boa gente a variável: este país é uma democracia?, este país tem tortura?, presos políticos?, pena de morte?, estados corruptos?
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