domingo, maio 20, 2012

Do meu amigo romântico

... Teve três namoradas e zero casos. Ama a actual namorada, a terceira, mas não deixou de amar as outras duas (de uma forma bem mais intensa do que o razbiuto russo). Antepôs desde muito cedo o amor a dois como a coisa mais importante da vida, descurando todas as outras dimensões. Quando namora, vive naquilo que a Franceses chamam de égoïsme à deux. Já deixou trabalhos para ir passar férias de meses em viagens idílicas. Quando as duas anteriores namoradas terminaram a relação, viveu descoroçoado num casulo feito de memórias e sonhos. Pensou que não voltaria a amar. Jurou que não voltaria a amar. Ao fim de anos, voltou lentamente a sentir-se interessado por alguém que lhe fazia lembrar a primeira (até o nome era o mesmo). Sempre que o ouço descrever um sítio (e já aconteceu tantas vezes), pergunto-lhe sempre se a actual ou uma anterior vivera lá. A resposta é invariavelmente afirmativa. E se não viveu lá, passou uma estada romântica lá. Acho delicioso este seu traço. Por mais lúgubre que seja um sítio, ele empresta-lhe sempre beleza e sumptuosidade desde que lá tenha vivido paroxismos de amor. Como me deleita igualmente ele acreditar que os seus nomes femininos favoritos serem os dela é mera coincidência - a cegueira e o delírio nele lavam-me a alma e nada têm de malsão.

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