sábado, maio 19, 2012
«Começa assim "Aurora tinha uma fazenda em África...". É um objecto belo e intocável, com técnica de narração arrojada, interpretações magnificas e música no tom ideal. Beija intensamente a possibilidade do amor e a solidão, oscila entre a juventude e a velhice, hesita entre a promessa e a perda do paraíso.
Vi-o há já mais de um mês mas até agora não me apetecia falar dele, pois o sentido desta história de desamor (porque o amor não foi suficiente) irritou-me profundamente.
Porquê?
Porque exibe ainda que de forma poética o nosso grande problema: a dificuldade de libertação do passado. Saudosismo, colonialismo, fatalismo são coisas que apenas a nós nos tocam.
O passado é só isso: um conjunto de acontecimentos e actividades que condiciona a maneira de ser de alguém ou de um país. O passado não pode ser o presente, influencia-o sem dúvida, mas não pode prender hoje os nossos movimentos, nem comprometer possibilidades no amanhã. O passado tem um papel muito reduzido: recorda-nos dos erros e fracassos pretéritos para assim impulsionar uma nova existência com novos ideários, novas sensibilidades, novas espiritualidades, novas atitudes.
Reproduzir padrões de comportamento que a história já esfregou no nosso rosto que não resultam ou contentar-se com os êxitos de outrora (os descobrimentos já foram há mais de 500 anos tá?) revela uma manifesta falta de inteligência emocional.
Homens e mulheres determinados não se deixam intimidar por heranças pesadas, erguem-se, aprendem e avançam. Os outros ficam parados, afundados no sofá, a verem os outros viver.
Dedico este post ao Estado Português que persiste em politicas de costumes, proibindo a torto e a direito, esquecendo-se (propositadamente claro está!) que a sua primeira e ultima função é formar cidadãos livres e esclarecidos.»
Helena Leitão
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