quinta-feira, maio 17, 2012

Charles Bukowski passava grande parte do seu tempo livre em corridas de cavalos e combates de pugilismo. Gostava de levar consigo a namorada do momento a partilhar esses seus dois maiores prazeres (outro era ouvir música clássica em casa, mas aí era mais solipsista). Não sabia o que era, não sabia como - mas sabia que difusamente, estranhamente, isso revertia para a sua escrita. Acredito que sim. Tudo nos ensina algo. Todos os meios encerram natureza humana, densidade psicológica, algo humano demasiado humano. A escrita é uma força centrípeta da vida. O que interessa é o símbolo - não há a história nem o métier nem o zeitgeist em que as coisas se desenrolam. É aquela porção de aespacialidade e intemporalidade que se pode recolher de qualquer coisa. Cada um escreve sobre o que vive e sabe - é essa a legitimidade da sua autoridade. Desde que haja genuinidade.

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