segunda-feira, abril 30, 2012

Sempre desprezei a violência. Sempre amei Peckinpah, O Mestre da Violência. Onde muitos viram violência gratuita, eu sempre vi um idealismo esmagado - sempre considerei que Peckinpah era uma pacifista e um moralista que procurava mostrar que o poder pode corromper e o que os códigos de fidelidade, solidariedade e de princípios morais podem existir nos marginais da lei - que também havia maldade do lado da lei e bondade do lado dos fora-da-lei. As cenas em câmara lenta, a mortandade de todas ou quase todas as personagens, os pormenores vívidos da violência sempre foram para mim uma dissuasão da mesma e não uma apologia da mesma - ainda que muitos vissem ao contrário. Neste livro de entrevistas, Peckinpah explica que tentou ao expor a fealdade máxima da violência afastar as pessoas da mesma. De resto, na sua vida, Peckinpah sempre foi um pacifista e alguém que fugia da violência. Um actor dos seus filmes (Peckinpah gostava de trabalhar com a mesma equipa, tal como os bandidos dos seus filmes) dizia que quando filmavam no México, foram a um bar a certa altura e de repente estavam todos à pancadaria em sua volta. Procuram por Peckinpah, por que ele era quem tinha o carro e não o viram. Peckinpah fugira de carro mal o desacato começara. Tal como Antonioni ao filmar o vazio e a incomunicabilidade não pretendeu fazer filmes vazios, mas antes mostrar quão vazio é o vazio - certas análises mais superficiais viram as suas obras-primas como experiências vazias. Ou como Fitzgerald ao descrever a futilidade, os diálogos ocos (que prodígio o monólogo de Daisy sobre Blocks Biloxi em Gatsby), oh-está-tanto-calor-o-que-me-interessa-se-os-pobres-morrem-África-preciso-é-de-um-refresco, pretendeu descrevendo-a mostrar quão fútil era a vida dos ricos no decénio de 1920 na Jazz Age ou Loucos Anos 20.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sempre desprezaste a violência? Tu, que és das pessoas mais violentas e mais mal formadas que conheci? Tem vergonha.