sábado, abril 07, 2012
«Os blogues são, como se sabe, uma espécie de diários de navegação expressiva, individual ou coletiva, na Net, que valorizam sobretudo os estados de alma do seu autor ou autores, bem como os da comunidade virtual dos seus semelhantes, através da dinâmica do hipertexto, constituindo assim a chamada blogosfera.
Ora, ao contrário do que muitas vezes se pensa e diz, a natureza "expressiva", os procedimentos "tribais" e os objetivos "virais" da atividade bloguista, pouco ou nenhuma importância dão - ou permitem dar - às ideias, à sua diversidade, à sua consistência e à sua discussão.
Muito pelo contrário: tudo se desenvolve num registo de tagarelice torrencial, que a todos garante um igual direito de expressão, independentemente de informação ou do conhecimento de cada um. A grande novidade é mesmo esta: nada saber sobre nada, não é um impedimento ou um obstáculo à expressão de pontos de vista, mas o maior dos estímulos!...
[...]
O anonimato é, como sempre foi na história, estruturalmente ambíguo: tanto pode servir grandes causas como as maiores vilanias. Infelizmente, a dimensão da difamação na blogosfera indica claramente que é nestas últimas que se encontra a tendência dominante, ao ponto de já existirem seguros para todas as eventualidades (veja-se o esclarecedor serviço proposto em SwissLife e-reputation)
É de notar que é também o anonimato que estabelece uma grande diferença, em geral ignorada, entre a democracia virtual e a democracia tradicional. Nesta, é a explicitação da identidade pessoal que viabiliza o exercício anónimo da expressão da opinião individual, no voto. Na blogosfera, pelo contrário, é o anonimato (e um anonimato que pode ser, digamos, plural, uma vez que cada indivíduo pode ter uma infinidade de pseudónimos) que abre caminho para a sua expressão pública.»
Manuel Maria Carrilho
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