quarta-feira, abril 25, 2012
O Sono
Poucos assuntos me interessaram tanto ao longo da vida. A diferente qualidade do sono - nas montanhas, na urbe, perturbados por preocupações, libertos de preocupações nessa noite. A importância da sesta. Os graus de semi-sono, sono, sono profundo. O dormir com a pessoa que se ama ao lado. A respiração durante o sono. O mexer do corpo durante o sono. A insónia. Os sonhos maravilhosos. Os pesadelos. Como é bom acordar de um pesadelo. Como é mau acordar de um sonho mirífico. A capacidade ficcionista extraordinária do nosso inconsciente. A dificuldade de perceber que no sonho pode haver corpos trocados em almas trocadas, sobreposição de diálogos e realidades. Sempre entendi que uma parte dos nossos males advêm da falta de sono. Sempre entendi que deveríamos ter um bloco de notas ao lado da cama pronto a utilizar mal acordamos - e que isso nos permitiria compreender-nos melhor e conhecer-nos a nós mesmos (o que o consciente trava, o sono liberta, como nos podemos conhecer sem analisarmos os nossos sonhos?).
Sempre que se me depara algo sobre sono, eu leio e escalpelizo. É com alegria que vejo a ciência aproximar-se da ideia de que não há quem possa dormir pouco com a mesma rendibilidade mental. Estudos internacionais demonstram que quem dorme mais de oito horas por dia (o tal terço da nossa vida) tem uma esperança média de vida superior em dez anos a quem dorme entre seis e oito horas, além de uma série de outras coisas, como a pele mais ou menos enrugada. A neurociência tem demonstrado que quem dorme menos tem menor capacidade de concentração, de resolução de problemas, de memorização, de reflexos, de rapidez de raciocínio e uma irascibilidade e sentimentos depressivos mais acentuados. Muito recentemente, foi feito um estudo em que era dado um problema a vários indivíduos. Uns poderiam ir para a cama mais cedo do que outros e todos se levantavam à mesma hora. Já adivinharam a conclusão, claro está, sublinhe-se apenas que nenhum dos do grupo dos privados de sono resolveu o problema. Por cá, no Técnico, conclui-se que os alunos, divididos em cinco grupos pela suas notas, que mais dormem são os que têm melhores notas. O primeiro grupo dos melhores de todos era constituído pelos que mais dormiam. O segundo - segundo; e por aí fora até à correspondência quinto-quinto.
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