quinta-feira, abril 05, 2012

Leio os blogues da esquerda e vejo tanto ódio entre as esquerdas da esquerda e concluo: é inelutável. A direita sabe unir-se, a esquerda não. Lembro-me da anedota: havia um partido com três trotskistas e quatro tendências. Foi sempre assim. Estaline matou mais comunistas do que Hitler. A caça ao inimigo interno sempre existiu nos partidos comunistas. Antes da queda do comunismo, havia os maiostas, os troskistas, os leninistas, os auto-gestionários na senda de Tito, os anarquistas. A queda do comunismo não levou à união das esquerdas, ainda que muitas das tendências se tenham tornado residuais. O pós-25 Abril é uma escola de cartilhas políticas. Havia toda a espécie de esquerda. Pessoas de então contam-me que nunca viram tanta pancada como a pancada entre o MRPP e o PCP. O PEC IV foi reprovado pelas esquerdas e pôs no Governo a chusma mais reaccionária da democracia portuguesa. Nas presidenciais, indivíduos que execravam Cavaco souberam apoiá-lo. À esquerda, sempre muitos candidatos. E numa altura de crise, a esquerda fragmenta-se ainda mais. Bastou ver o distanciamento da CGTP ante a brutalidade policial porque não foi sobre célula controlável pelo PCP. Claro que no BE a coisa não é melhor. Saíram 200 com a saída da FER e pretendem criar novo partido. A esquerda da esquerda não consegue assumir compromissos de poder. O PCP ainda conseguiu na câmara. Não estou a defender o PS - nunca votei nele. Apenas a necessidade de encontrar mais semelhanças do que diferenças numa altura em que a direita reina impante pela Europa. Até a extrema-direita já conseguiu experiências de poder coligado estável. Enfim...

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