sábado, abril 21, 2012

Há ideias que me recuso a aceitar. Mas a realidade é sempre um pormenor que não convém descurar. Mentes cultas e lúcidas defenderam e patrocinaram (no caso da família Rockfeller materialmente) o eugenismo. É dos maiores mistérios da humanidade. Mas na primeira metade do século passado, o eugenismo era aceite e patrocinado por vultos como Aldous Huxley (e este é o que mais me custa), Keynes, Bernard Shaw, Roosevelt, Churchill. Temos de contextualizar. (Ainda que o inominável não se contextualize.) Nos anos 20 do século XX, a eugenia era uma moda de cabeças bem pensantes. Claro está que depois apareceu Hitler e o eugenismo (eugenia, do grego, «bom nascimento») foi morrendo. Note-se que as figuras atrás mencionadas não defendiam o extermínio activo de ninguém. Mas defendiam a interferência na selecção natural. Tudo começou com Galton, primo de Darwin. O eugenismo tinha várias variantes. O extermínio preconizado por Hitler era um extremo. Mas a esterilização dos menos aptos (que o jovem político Churcill defendeu), os subsídios para o incentivo da procriação dos mais aptos, a visão das curas para as doenças como um mal que levaria ao excesso de população e consequentemente à fome era uma coisa perfeitamente aceitável (como era a pederastia, basta ler Gide). Relativizar as coisas no espaço e no tempo é preciso, mas custa tanto em alguns casos.

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