terça-feira, abril 24, 2012

a faca não corta o fogo,/ não me corta o sangue escrito,/ não corta a água,/ e quem não queria uma língua dentro da própria língua?/ eu sim queria,/ jogando linho com dedos, conjugando/ onde os verbos não conjugam,/ no mundo há poucos fenómenos do fogo,/ água há pouca,/ mas a língua, fia-se a gente dela por não ser como se queria,/ mais brotada, inerente, incalculável,/ e se a mão fia a estriga e a retoma do nada,/ e a abre e fecha,/ é que sim que eu amava como bárbara maravilha,/ porque no mundo há pouco fogo a cortar/ e a água cortada é pouca./ que língua,/ que húmida, muda, miúda, relativa, absoluta,/ e que pouca, incrível, muita/ e la poésie, cést quand le quotidien devient extraordinaire, e que música/ que despropósito, que língua língua,/ disse Maurice Lefèvre, e como rebenta na boca!/ queria-a toda idem

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