terça-feira, abril 17, 2012
«Deve ter havido momentos, ainda nessa altura, em que Daisy não correspondeu inteiramente aos seus sonhos - não por culpa dela, mas devido à colossal vitalidade da própria ilusão dele, que tinha ultrapassado Daisy, e tudo o mais. Tinha-se lançado na ilusão com tal paixão criadora, que constantemente a acrescentava, ataviando-a de todas as plumas de cor que lhe aparecessem pelo caminho. Não há fogo nem frescura, por muito grandes que sejam, capazes de competir com os fantasmas que, no seu íntimo, um homem consegue armazenar. Quando me pus a observá-lo, recompôs-se um pouco, visivelmente. A sua mão apoderou-se da dela e quando ela lhe sussurrou qualquer coisa ao ouvido voltou-se para ela com um ímpeto de emoção. Acho que era a voz dela, com aquele calor febril e flutuante, o que mais o arrebatava, porque inexcedível pelos sonhos - aquela voz era uma canção imortal.»
Francis Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby
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1 comentário:
No fundo, acabamos por nos apaixonar pelos nossos ideais de pessoa amada, ou seja, por quem nós queremos que nos ame, ou seja, por nós próprios.
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