quinta-feira, abril 19, 2012
BALADA DOS AFLITOS, Manuel Alegre
Irmãos humanos tão desamparados/
a luz que nos guiava já não guia /
somos pessoas - dizeis - e não mercados/
este por certo não é tempo de poesia /
gostaria de vos dar outros recados /
com pão e vinho e menos mais valia./
Irmãos meus que passais um mau bocado /
e não tendes sequer a fantasia/
de sonhar outro tempo e outro lado /
como António digo adeus a Alexandria/
desconcerto do mundo tão mudado/
tão diferente daquilo que se queria./
Talvez Deus esteja a ser crucificado/
neste reino onde tudo se avalia/
irmãos meus sem valor acrescentado/
rogai por nós Senhora da Agonia/
irmãos meus a quem tudo é recusado/
talvez o poema traga um novo dia./
Rogai por nós Senhora dos Aflitos/
em cada dia em terra naufragados/
mão invisível nos tem aqui proscritos /
em nós mesmos perdidos e cercados/
venham por nós os versos nunca escritos/
irmãos humanos que não sois mercados.
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