Reparo que quanto mais antiga a época, mais primorosa a escrita.
É certo haver um dilema entre a qualidade literária que merece ser património mundial e a publicação de algo que não foi autorizado (e que em muitos casos são traficâncias de intimidade). Mas o que me traz aqui é pensar que hoje já não se escreve assim.
Lembremo-nos de que estas cartas publicadas foram escritas por pessoas que nunca pensaram que tais cartas fossem tornadas conhecidas (quanto mais publicadas). Impressiona, por isso, o esmero da escrita.
Quem hoje escreve assim e-mails e SMS, a hodierna correspondência epistolar, que possam ficar perenemente na Literatura?
1 comentário:
Quem gosta de escrever fá-lo sempre com gosto.
Há 200 anos, não tinhas e-mails e SMS, mas tinhas analfabetos para dar e vender. Realmente, é triste ver a nossa língua a ser trucidada diariamente em todo o lado, cada vez mais.
A propósito, o acordo só vem facilitar e estupidificar o vernáculo. Enfim, passa-se a ter menos analfabetos, e as grandes massas procuram as Margaridas Rebelos Pintos e os Paulos Coelhos deste mundo... Portanto as pessoas vivem melhor, mas mais estúpidas.
(Aliás, a estupidificação massiva é geral, e espande-se por várias áreas. A família média vê a Fátima Lopes ou a Júlia Pinheiro, vai ao centro comercial ao fim-de-semana ver um filme americano de merda, come um hamburguer, esse prato tão típico, compra um CD das Spice Girls do momento... Há que admitir, no entanto, que este asco incontornável há-de ser um pouco melhor do que ser analfabeto. "Ser estúpido para viver melhor" é o dramático epíteto da nossa sociedade.)
Mas não vejo que o facto de haver uma utilização absurdamente massiva das tecnologias modernas vá impedir que a hodierna correspondência epistolar produza missivas que possam ficar perenemente na Literatura. Ficam, como antigamente, escondidas entre o emissor e o receptor, e as vicissitudes da vida farão com que chegue, ou não, a elementos externos que possam vir a trazer as ditas cartas a bom porto.
Aliás, se quiseres, para não ficares triste, eu escrevo-te um mail, se pedires de forma meiga. Eu esmero-me, e ficas logo com outra ideia.
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