segunda-feira, outubro 03, 2011

Aos tecnofilos

Afastem-se de mim, por favor. Não vos suporto. Ou então vão viver entre flores e livros de poesia e voltem de lá mais interessantes.

Não conheço espécime vosso a quem a tecnologia seja mais fonte de liberdade do que de angústia. Estão frequentemente com um problema a encravar um dos vossos monumentos tecnológicos. Se algo vos falha, entram em transe, precisam de ligar a espécimes análogos para resolver imediatamente o problema.

Não se cansam de estar sempre a estudar os equipamentos todos, os preços todos, de irem ao Media Market, à Worten, ao fornecedor? De estarem sempre a estudar os cracks. Não se cansam de estarem sempre em busca da futura versão 4.5.3.? De viverem sempre no fio da navalha da obsolescência?

Se ao menos entendessem que o vosso universo não é assunto para se falar à noite. Se ao menos entendessem que a erotização das máquinas é uma sublimação da falta de. Se ao menos entendessem que o que vos interessa a vós não é necessariamente o que interessa ao mundo inteiro.

A vossa ansiedade incomoda interlocutores. A vossa capacidade de metaforizar reduzida ao jargão tecnológico é muito pouco sexy. Não me entendem? Digamos que vos falta o chip da poesia e que não vos basta um update mas um refresh - não de software, mas de hardware.


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