terça-feira, setembro 13, 2011

Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave o atravessar trespassada por um grito marítimo e o pão for invadido pelas ondas, seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
[...]
Seu corpo arderá para mim sobre um lençol mordido por flores com água.
[...]
Entontece meu hálito com a sombra, tua boca penetra a minha voz como a espada se perde no arco. E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo se desfibra - invento para ti a música, a loucura e o mar.  Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso, a inspiração. E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa. Vou para ti com a beleza oculta, o corpo iluminado pelas luzes longas.
Herberto Helder

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