terça-feira, setembro 13, 2011
Observar fácies - uma tarefa a que me dedico dezenas de vezes por dia. Há um rosto para o desemprego. Um rosto para a personalidade que está em reconstrução. Um rosto para os complexozitos emocionais. Um rosto para a desesperança. Um rosto para ânsia do tempo que escorre. Um rosto para a abulia. Um rosto para o sono em défice. Um rosto para a alegria em défice. Um rosto para a boa notícia. Um olhar para o solipsismo. Uma cicatriz para o trauma. Um rosto para uma pergunta que te obsidia. Um rosto para o dever cumprido. Um rosto para o encantamento. Um rosto para a ingratidão. Um rosto para a concentração. Um rosto para o autoritarismo. Um rosto para o medo. Um rosto para contenção de emoções que bailam frenéticas por trás das cortinas. Um rosto para quem flutua incorpóreo na fé. Um rosto para quem não ouve o interlocutor. Um rosto para o tédio disfarçado. Um rosto para quem está urdindo ideias. Um rosto para quem, imóvel, almeja sair do lugar onde está. Um rosto para a surpresa. Um rosto que pede um abraço de qualquer transeunte. Um rosto de quem foi devolvido à vida. Um rosto de quem, contido, está perto da fúria. Um rosto para o plano. Um rosto de quem não está a pensar em nada - entre os intervalos da mente branca que ocorrem entre os pensamentos.
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2 comentários:
A face como palco de todas as valsas do homem.
Efi
Mas nenhum observador de faces está sempre certo, e não se pode confiar de mais nos resultados que se dão a essa tarefa. Eu, sendo um distraído do caraças, concentro-me quase só no que as pessoas dizem, e na maneira como estão a falar...
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