quinta-feira, setembro 15, 2011

O organizador da tertúlia apanhou-me desprevenido. Não gosto de microfones e nada tinha a dizer.

- Angel, por favor, dinamita-me isto.

Lá pedi para falar. O tema eram os livros que entram no cânone literário, os critérios.

- Não entendo como podem estar a fixar autores vivos, alguns que acabam de publicar, no canône literário. Quantos autores conheceram certa fulgurância em vida e hoje caíram nos mais fundos baús do olvido? Quantos autores morreram desconhecidos e foram alteados postumamente? Como podem hoje, com livros a tombarem-nos - vejam as estatísticas - de trinta em trinta segundos, separar o lixo e o ruído? Herman Melville, no dia seguinte à sua morte, aparecia nos obituários com uma nota de rodapé ao ignoto «escritor de aventuras marítimas». O tempo é o grande depurador. Fixar hoje perenemente alguém que está a escrever é algo do domínio da crença.

Um dos excelsos palestrantes, conhecido escritor, ficou irado.

Não sei porquê.

4 comentários:

Anita Vai à Tasca disse...

ó angel, diz lá k n te deu um certo gozo...

Anónimo disse...

E que não aprecias um bom microfone...

Sr Joao disse...

Prefiro a concórdia à discórdia (mas quando tem de ser...).

Falando muito a sério, os amiguismos literários são um formigueiro infecto. E só me posso prejudicar laboralmente.

G. Varino disse...

por vezes, n conseguimos nem devemos permanecer neutros. o conflito ou o confronto nem sempre é mau; pode ser até bastante positivo, esclarecedor e o k nos prejudica de um lado pode-nos favorecer de outro.