Por um fenómeno inexplicável, o homem que preservava a liberdade via os outros desaparecerem do Éden. Eles iam constituindo família, tendo filhos, vindo do hipermercado cheios de sacos, labutando, mudando fraldas, não dormindo com o choro bebés.
Eles eram mortos-vivos aos seus olhos. Autómatos.
Da praia infinita onde habitava, com os cambiantes azuis, verdes e iridescentes das águas, com o areal de todas as texturas, com o sol de todos os sabores e o luar de todos os odores, não entendia como alguém poderia afundar-se na floresta escura.
Via-os com pena e distanciamento.
Eles outrora tinham viço e alma. Desapareciam subitamente alguns na floresta de árvores escuras, como se uma corda vinda das entranhas da terra se lhes enlaçasse no pescoço sugando-os para as profundezas. Desapareciam lentamente... Alguns imergindo lentamente na terra da floresta das árvores de copas negras. Lá era sempre noite ou nevoeiro.
Tentava falar com os homens da floresta escura. Mas quando eles passavam para lá, a linguagem era outra, o passado era rasurado, a alma era aspirada.
Um dia, espreitou de cima a floresta das árvores escuras.
Todos trajavam de igual e todos tinham a cabeça rapada. O ricto na face era o mesmo. O sorriso impossível de acontecer na clausura do rosto era um horror difícil de ver de olhos abertos. Prometeu a si mesmo não voltar a olhar.
«Que barbárie.»
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