Apanhado na urbe (sempre com uma pasta e «documentos» na mão), despediu-se celeremente alegando uma reunião.
Gradativamente, acabou por contar aos mais próximos.
Passou a evitar conhecer pessoas novas. Tinha um medo terrível da pergunta: «O que fazes?»
Foi diminuindo o círculo.
Ao fim de dois anos, desenvolveu agorafobia. Cada vizinho ou mero transeunte pelo qual passava parecia saber o segredo só com o olhar. Diminuía-se a cada olhar que o interceptava.
Começou a temer telefonemas. (E se ligasse alguém da Marktest a indagar do seu ofício?) O desemprego era pior do que a lepra. Então, mas ele não servia para nada?
Os anos passaram e o opróbrio de ir a centros de emprego, onde se sentia pior do que nos Alcoólicos Anónimos, foi aumentando.
Até que um dia já não tinha idade para procurar emprego.
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