neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas, exprimente fazer versos,
artigos, pensamentos soltos, descreva como exercício o degrau da escada de seu edifício (saiu
verso sem querer), escreva sempre, mesmo para não publicar e principalmente para não
publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras primas, que de há muito eu já perdi, se que
algum dia a tive, mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento
interior que se encontra em si próprio sua justificação. Isto é muito melhor do que traduzir Proust,
distração que não distrai, porque é chata como toda a tradução, e acaba nos desculpando muito
fracamente perante nós mesmos de não havermos escrito por nossa conta e responsabilidade.
Carlos Drummond de Andrade
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