segunda-feira, agosto 15, 2011

Um gestor explicou certo dia que foi recrutado para uma empresa de pastas dentífricas e que a primeira medida que adoptou foi alargar para o dobro o tamanho do buraco da pasta de dentes. Quanto mais rapidamente gastavam, mais rapidamente compravam uma nova. E, assim, cresciam as vendas.

Da última vez que cortei o cabelo, perguntei ao cabeleireiro por que razão nos últimos anos os penteados em todos os cabeleireiros fashion (sofisticados e caros) não se aguentavam mais de duas semanas e meia. Ele explicou-me que esses frequentadores iam lá uma vez por mês - por essa razão, por o penteado não se aguentar como antigamente. Foi por razões comerciais e não estéticas que sucedeu a revolução dos penteados desde o penteado à moicano.

No campo tecnológico, não serão inocentes as sucessivas versões 3.0, 4.0, 5.0, que procuram criar uma obsolescência do estatuto dos seus portadores.

O capitalismo tenta tornar os produtos infinitamente mais perecíveis.


2 comentários:

Anónimo disse...

O marketing é filho do capitalismo. A fiel irmã do marketing é a publicidade. A publicidade é a arte de criar consciências acríticas, a comprar o que não precisam.
Solidarizo-me com os barbeiros de bairro e com as cabeleireiras que trabalham num andar e sem anúncios na varanda.

Efi

speauneum disse...

E isso, o papel do gestor capitalista que referes, relacionado com a criação cultural, faz com que haja uma "indústria cultural" que vai produzindo também sucessivas versões de merda estupidificante de que a televisão, o cinema, a música, a literatura (...enfim, todas as artes, mas nestas é gritante) estão repletos.

Há uma concorrência desleal sistemática a qualquer criação fora da indústria, sendo que as criações espontâneas não são feitas a pensar no lucro que poderão vir a dar a terceiros.