Nem que tivéssemos gente a policiar se as pessoas lêem o que compram - teríamos sempre de ter alguém a perguntar sobre o livro para verificar se o lera mesmo.
Mesmo a questão das edições dos livros é um embuste. Um livro pode ir na 5.ª edição - mas se os número de exemplares não consta da ficha técnica, como poderemos saber se se passou de 5000 exemplares para 1000?
Nem sequer os autores estão salvaguardados das contas. A distribuidora apresenta os números - mas quantos autores vão verificar se os livros remanescentes estão em armazém (quando, ainda para mais, a tendência de conglomeração de editoras e distribuidoras faz com que os armazéns de uma distribuidora estejam espalhados pelo país, não se imaginando o autor a percorrer de lés a lés Portugal).
Além disso, a qualidade não é critério mensurável. Sempre que estou nos transportes públicos, em cafés, na praia, observo os livros que as pessoas lêem (observo também que a maior parte dos leitores são mulheres). Nunca deixo de reparar num título de um livro. E, 95% das vezes, é o livro da moda, é o best-seller que nunca será long-seller, são sagas de vampiros, livros de filmes, capas exuberantes, Dan Browns e Rebelos Pintos, auto-ajuda barata.
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