sábado, agosto 27, 2011

- A democratização da cultura e o livre acesso à informação fizeram com que muito mais pessoas soubessem mais do que no meu tempo. Por outro lado, a elite erudita de hoje é incomparavelmente inferior à do meu tempo. E as pessoas sabem menos do que julgam que sabem. Além da falta de rigor da Internet, do empobrecimento da linguagem, hoje as pessoas opinam sobre tudo o que não conhecem ouvindo umas coisitas requentadas. É por isso que hoje há menos sábios - porque há um desconhecimento maior da extensão da ignorância.
»Há também menos sábios no sentido em que os analfabetos de outrora, os camponeses iletrados eram pessoas cultas. Porque tinham o sentir, os valores, a humanidade da cultura. Diz-me imensamente mais um sujeito iletrado «com alma» do que um yuppie sem alma.
»E o livro dessacralizou-se. No meu tempo, não havia livro à venda no meio de melões e pastas dentífricas. Quando alguém emprestava um livro e vinha rasgada uma página, era um ultraje. Mesmo nas livrarias, as pessoas pegavam em livros como em objectos de porcelana. Não me lembro de ver alguém deixar cair um livro no chão.

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