terça-feira, agosto 16, 2011

O Abismo


Com a sua pele de poço, pele comprometida com o medo que no fundo fede 
e a que, digamos, toda ela adere de uma forma resoluta, dir-se-ia que se engancha,
 se pendura, o branco da memória a alastrar pelo corpo, um branco tão branco como
o das noites em branco e sobre o qual a idade, exorbitada, hiante, se insinua, pensos, ligaduras,
 impregnados de memória, uma memória onde fulgura a lava dos sentidos que entram em actividade
e lhe disputam os dias idos, assim ergue a balança, onde sustém o abismo. 
Luís Miguel Nava

1 comentário:

isabel disse...

Nava foi meu professor na faculdade de letras. recordo uma pessoa profundamente amarga, ácida nas respostas, com um lado negro muito pronunciado. este texto levou-me até ao tempo da faculdade povoado por Mário Dionísio, Alzira Seixo, Támen...