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NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo
Investigação do "The Guardian" revela que dezenas de migrantes africanos foram deixados morrer no mar.
Cristina Peres (www.expresso.pt), com
15:28 Segunda feira, 9 de maio de 2011
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Guarda costeira italiana auxilia migrantes africanos que tentavam chegar a Lampedusa
Guarda costeira italiana/EPA
Dezenas de migrantes oriundos do norte de África foram deixados a morrer no Mediterrâneo apesar da presença de unidades militares europeias e da NATO na área que, aparentemente, ignoraram os pedidos de ajuda.
No final de março, os 72 passageiros do barco - entre os quais se encontravam mulheres, bebés e refugiados políticos - entrou em dificuldades de navegação no Mediterrâneo após ter largado de Tripoli, no dia 25 de março, em direção à ilha italiana de Lampedusa.
Não houve nenhum esforço de salvamento, apesar de os alarmes terem sido acionados para a guarda costeira italiana e de o barco ter entrado em contacto com um helicóptero militar e com um navio de guerra da NATO, segundo publicou hoje em exclusivo o diário britânico "The Guardian".
11 sobreviventes em 72 passageiros
Apenas 11 pessoas escaparam com vida à morte lenta por fome e sede a que ficaram condenados os passageiros na embarcação à deriva durante 16 dias. Um dos sobreviventes, conta o diário britânico, resistiu bebendo a sua própria urina e comendo dois tubos de pasta dentífrica.
Apesar de a lei marítima internacional obrigar todas as embarcações, incluindo as militares, a responder a pedidos de socorro e a prestar ajuda sempre que possível, esta embarcação não recebeu auxílio.
O "Guardian" fez uma reconstituição dos acontecimentos a partir dos testemunhos recolhidos e conta a história da seguinte maneira: 47 migrantes etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganianos e cinco sudaneses, 20 dos quais eram mulheres e dois crianças pequenas (uma das quais tinha apenas um ano), partiram em direção a Lampedusa do norte de Tripoli. Após 18 horas de navegação, o barco começou a perder combustível e os passageiros ficaram à mercê de "uma mistura de azar, burocracia e a aparente indiferença das forças militares europeias, que tiveram oportunidade de tentar salvá-los".
Contacto com helicóptero militar
Houve ainda um contacto com um helicóptero militar (que, até à data nenhum país assume identificar) que lhes forneceu alguma água potável e uma pequena quantidade de bolachas, a guarda costeira italiana foi avisada e declarou ao "Tha Guardian": "Avisámos Malta de que a embarcação se dirigia para a zona de busca e salvamento deles e emitimos um alerta que obrigava outras embarcações a ir em socorro deles".
No entanto, as autoridades maltesas negaram qualquer envolvimento com o barco em questão. A 27 de março, ele estava à deriva nas correntes da zona sem combustível, água potável nem alimentos. Todas as manhãs havia mais mortos a bordo, que eram atirados borda fora 24 horas depois.
No dia 29 ou 30, conta o jornal, a embarcação passa junto de um porta-aviões da NATO. O porta-voz da organização, que está presentemente a coordenar a ação militar na Líbia, disse que não tinha captado pedidos de socorro do barco e não tinha registo do incidente.
Deixados à sorte
"As unidades da NATO têm total conhecimento das suas responsabilidades relativamente à lei marítima internacional no que respeita a segurança da vida no mar. Os navios da NATO respondem a todos os pedidos de socorro no mar e dão sempre ajuda, quando necessário. Salvar vidas é uma prioridade para os navios da NATO", adiantou o porta-voz. Nos dez dias que se seguiram, quase todas as pessoas a bordo morreram.
"O Mediterrâneo não pode transformar-se no oeste selvagem", declarou Laura Boldrini, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Moses Zerai, um padre eritreu em Roma, que dirige a organização de direitos dos refugiados Habeshia, é citado pelo Guardian: "Houve abdicação de responsabilidade, o que levou à morte de mais de 60 pessoas. Isso constitui um crime e não pode ficar por punir só porque as vítimas era migrantes africanos e não turistas num cruzeiro".
Nos últimos quatro meses, mais de 30 mil pessoas arriscaram a vida migrando em embarcações pouco seguras numa tentativa de escapar à instabilidade política que se vive nos seus países de origem.
quarta-feira, maio 11, 2011
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