Antes, não havia o e-book. Antes, não havia duas divisões na Feira do Livro. Antes, não havia a concentração editorial. Antes, não havia tipos à frente de editoras (ainda para mais, das maiores editoras) que diziam «não conheço Oscar Wilde», «filosofia, poesia e literatura não me interessam para nada» [Paes do Amaral ao Jornal de Negócios]. Antes, não havia esta dessacralização do livro que deixou de estar apenas nas livrarias para passar a estar junto às batatas e aos detergentes. Antes, as revistas literárias eram revistas literárias. Antes, os programas literárias eram programas literários. Antes, não havia tantos jogadores de futebol e figuras do Big Brother a colonizarem o mercado editorial, sufocando a possibilidade de emersão de novos autores. Antes, a poesia não era tão residual. Antes, as traduções dos clássicos eram exercícios de rigor. Antes, os top de vendas não eram tão reles.
O pós-modernismo quer tornar a literatura (que só ocupa 8% das livrarias) algo pop e kitsch. Passeio pela Feira do Livro e nunca, em mais de vinte anos, me deparei com tanto trash. Clássicos com capas de filmes (porque senão poucos os reconheceriam pelo título?!). Títulos de livros que banalizam grandes autores: Nietzsche para deixar de sofrer, Proust em 50 minutos, Este e Aquele Grande Nome Para Ser Feliz.
4 comentários:
But there are still plenty of books we haven't read.
Lambchop, The Book I Haven't Read:
https://www.youtube.com/watch?v=coJ4vHt3yHc&feature=player_embedded
Roubei!
obrigado, Tiago. Passeio no teu blogue sem poder comentar :).
Aposto que para o próximo ano vai haver carrocéis...
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