segunda-feira, maio 09, 2011

A Feira do Livro mudou. As editoras mudaram.O objecto livro mudou.

Antes, não havia o e-book. Antes, não havia duas divisões na Feira do Livro. Antes, não havia a concentração editorial. Antes, não havia tipos à frente de editoras (ainda para mais, das maiores editoras) que diziam «não conheço Oscar Wilde», «filosofia, poesia e literatura não me interessam para nada» [Paes do Amaral ao Jornal de Negócios]. Antes, não havia esta dessacralização do livro que deixou de estar apenas nas livrarias para passar a estar junto às batatas e aos detergentes. Antes, as revistas literárias eram revistas literárias. Antes, os programas literárias eram programas literários. Antes, não havia tantos jogadores de futebol e figuras do Big Brother a colonizarem o mercado editorial, sufocando a possibilidade de emersão de novos autores. Antes, a poesia não era tão residual. Antes, as traduções dos clássicos eram exercícios de rigor. Antes, os top de vendas não eram tão reles.

O pós-modernismo quer tornar a literatura (que só ocupa 8% das livrarias) algo pop e kitsch. Passeio pela Feira do Livro e nunca, em mais de vinte anos, me deparei com tanto trash. Clássicos com capas de filmes (porque senão poucos os reconheceriam pelo título?!). Títulos de livros que banalizam grandes autores: Nietzsche para deixar de sofrer, Proust em 50 minutos, Este e Aquele Grande Nome Para Ser Feliz.




4 comentários:

G. Varino disse...

But there are still plenty of books we haven't read.

Lambchop, The Book I Haven't Read:

https://www.youtube.com/watch?v=coJ4vHt3yHc&feature=player_embedded

Tiago Marques disse...

Roubei!

Sr Joao disse...

obrigado, Tiago. Passeio no teu blogue sem poder comentar :).

Maria João disse...

Aposto que para o próximo ano vai haver carrocéis...