quarta-feira, maio 04, 2011

As regras da arte almejavam uma sociedade que deveria basear-se em associações com características afectivas e solidárias. Nada disso. A ganância, a febre do lucro pelo lucro, o individualismo mais atroz criaram a sobranceria e o desprezo pelo humano. Onde se situa a fronteira da compaixão? As pessoas que querem permanecer elas próprias não têm espaço nem possibilidades. Esta exigência de compromisso perde-se com o desaparecimento do altruísmo de proximidade. Não nos cruzamos nas ruas, nos bairros, nas cidades. Trespassamo-nos, numa distância prática, física e mental que nos isola cada vez mais uns dos outros.

Baptista-Bastos

4 comentários:

Anita Vai à Tasca disse...

Mas qual é a grande admiração? O mal existe e a arte não salva... so what else is new? Até magoamos quem antes amámos e desejámos, quanto mais estranhos...

Anita Vai à Tasca disse...

Robert Wyatt; Comicopera; Out of the Blue

http://grooveshark.com/s/Out+Of+The+Blue/wI6gb?src=5

isabel disse...

Não me parece que seja assim tão normal este comportamento. É habitual decerto, mas não é normal. Não podemos ser indiferentes aos outros, sob pena de ficarmos todos sozinhos e perdermos a nossa humanidade.Para além de que se o mal existe (claro!), não está em todos e em cada um de nós... Prefiro continuar atenta, até porque não tenho tido assim tão más experiências.

Anita Vai à Tasca disse...

O reconhecimento da existência do mal não implica a indiferença pelo outro nem a perda da nossa humanidade; quando muito, reforça esta e aquele.

Não estou a proclamar que somos todos uns filhos de puta, mas também não acredito que haja alguém isento. Que chatice e ingenuidade ser tudo preto e/ou branco. O mal tem graus, variantes. Trair a confiança de um amigo não é bem a mesma coisa que assassinar uma pessoa. São ambas igualmente graves, mas são diferentes convenhamos. Passar pelo mal que alguém nos faz, pela humilhação, pela desilusão e desencanto, é algo de sublime: grotesco pela dor que proporciona e belo pela aprendizagem que traz, ou seja, mantém-nos atentos.

A experiência, realmente, é a madre de todas as cousas... das más, mas, porventura, também das boas.

https://www.youtube.com/watch?v=kkZ8Mzpj948