terça-feira, maio 31, 2011

Usage is irreversible. Once the integrity of a word is lost, no amount of grumbling and harrumphing can possibly restore it. The battle against illiteracies and barbarisms, and pedantries and genteelisms, is not a public battle. It takes place within the soul of every individual who minds about words.

Martin Amis

domingo, maio 29, 2011

Quando a Justiça Funciona

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1863386

sábado, maio 28, 2011

Scott Fitzgerald, antes de publicar o seu primeiro conto numa revista, tinha 122 respostas coladas na parede a dizer que não aceitavam publicá-lo.
Estaline, o genocida de classe «comunista» andou no Seminário. Mussolini, o fascista, era socialista quando novo. Hitler que mandou exterminar judeus, ciganos, homossexuais, deficientes, era vegetariano e (nacional-)socialista. Hayek, o defensor do ultra-liberalismo, começou por ser socialista.
- A ver se o destino nos providencia um encontro.
Se a perfeição existe, tenho a certeza de que é vária.

quinta-feira, maio 26, 2011

- Sabes que, na intimidade, pela minha experiência, somos o contrário daquilo que somos em grupo ou em sociedade.

Putatividades

A obsessão torna a realidade na cabeça do obsessivo com mais marcas suas do que do próprio objecto de obsessão.

O Suplente

A pergunta do livro de Rui Zink sempre ecoou na minha cabeça.

Seremos todos suplentes na vida uns dos outros?

O trabalho que a maior parte das pessoas faz é o trabalho que mais gostaria de fazer ou o primeiro ou segundo ou terceiro «suplente» que teve de escolher entre a realidade?

Quantas pessoas lutam por amar aquilo que têm ao invés de lutar pelo que amam?

Li, certa vez, que grande parte do nosso círculo de amigos é determinado pelo factor geográfico.

Quantas pessoas com quem nos damos não são suplentes de outras melhores que não se cruzaram na nossa vida?

Há uma ideia, uma teoria que permite contrariar isto - achar que o Grande Arquitecto e Arquitecta faz-nos sempre encontrar as pessoas que temos de encontrar, as oportunidades que temos de agarrar; que nada acontece por Acaso e que tudo o que nos espera nos encontrará num dia. Talvez até quando menos esperarmos.
«A tradição é a ilusão da permanência.»

Woody Allen
Se foste dotado de um órgão do teu corpo chamado «cabeça», para que precisas das convenções sociais?
- Detesto uma pessoa que fala com insinceridade só para agradar. Prefiro mil vezes alguém que puxe a discussão, o conflito por não ter medo de expor a sua voz; por mais inesperada ou chocante que possa ser.

Desligamento

Vasco Pulido Valente escreveu que a conversa como arte morreu. Jorge Luís Borges escreveu que devíamos a arte de conversar aos gregos da Antiguidade Clássica. Velho do Restelo, anacrónico, extemporâneo, uns anos mais novo, concordo. Já nem digo o que bebo nos transportes públicos - o último a sair, os políticos são todos corruptos, o i-phone, o i-pad, jovens que estão sempre a tirar fotografias e que falam logo em as pôr no Facebook. Nos elevadores, só se fala do clima.

Digo: as conversas mesmo com pessoas que têm uma certa aristocracia do espírito.

Não se levam conversas até ao fim. O problema já não é o tema da conversa. O problema é que as conversas são fragmentárias, saltitantes, umbiguistas. As pessoas querem falar de si - dos seus mundinhos, dos problemas no trabalho. Dizem tantos palavras para expressar tão pouco. O sumo da noite, por vezes, é uma gotícula. Repetem ideias-clichés que assimilam acriticamente, como grafonolas acéfalas.

É preciso ambiência para falar. Numa discoteca (frequentei muitas), dificilmente se estrutura uma conversa com princípio, meio e fim. Dança-se, pára-se e cumprimenta-se a, b e c - sem humanidade, sem interesse genuíno pelo Outro. Ver e ser visto. Engate. Alienação.

Nasci no século errado.


(Quem lerá profundamente - com tempo, releitura, pausa para sedimentação, reflexão sobre o livro fora do momento de leitura, concentração exclusiva, ambiente sem distracção sensorial - os clássicos no século XXI?)
Qual o núcleo do teu encanto?
Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.

Almeida Garrett

quarta-feira, maio 25, 2011

- Trabalhei muitos anos nos EUA e nunca entrei num elevador que tivesse só uma mulher. Vi pessoas vítimas de cabalas terríveis. Vi indivíduos com processos de assédio só por «olharem para partes indevidas». O puritanismo extremo é uma perversidade.
- O síndrome do primeiro encontro é tão deliciosamente nervosinho.
Como procederia Jesus nas actuais situações, quando pensamos no modo como agiu? Seria contra o preservativo, os anticonceptivos, excluiria as mulheres, obrigaria ao celibato, proibiria a comunhão aos recasados? Que diria sobre as relações sexuais antes do casamento? Como procederia em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso?

Hans Küng

domingo, maio 22, 2011

- Podes ter dinheiro, podes ter tudo, mas se não fizeres o que gostas, se não fores fiel à tua natureza, merda.

quinta-feira, maio 19, 2011

Os lugares mais quentes do Inferno estão reservados para aqueles que durante a crise escolheram a neutralidade.

Dante
http://mydelicatessen.tumblr.com/page

que imagem linda dos arco-íris

quarta-feira, maio 18, 2011

Agostinho da Silva sustenta que a relação do escravo e do colonizador ou proprietário é tão degradante para um como para ou outro - mas que se o primeiro luta pela libertação, então a degradação do opressor é mais funda.

segunda-feira, maio 16, 2011

In desperate love, we always invent the characters of our partners, demanding they be what we need of them, and then feeling devastated when they refuse to perform the role we created in the first place.

Elizabeth Gilbert
Dear friends,



Frank Mugisha and other brave human rights defenders delivering our petition to the Ugandan Parliament just before leaders dropped the gay death penalty law.
Uganda's anti-gay law has failed! It looked sure to pass last week, but after 1.6 million petition signatures delivered to Parliament, tens of thousands of phone calls to our own governments, hundreds of media stories about our campaign and a massive global outcry, Ugandan politicians dropped the bill!

It was down to the wire - religious extremists tried to push the bill through on Wednesday, and then convened an unprecedented emergency session of Parliament on Friday. But each time, within hours, we reacted. A huge congratulations to everyone who signed, called, forwarded and donated to this campaign - with our help, thousands of innocent people in Uganda's gay community do not wake up this morning facing execution for whom they chose to love.

Frank Mugisha, a courageous leader of the gay community in Uganda sent us this message:

"Brave Ugandan LGBT activists and millions of people around the world have stood together and faced down this horrendous anti-homosexuality bill.The support from the Avaaz global community has tipped the scales to prevent this Bill going forward. Global solidarity has made a huge difference."

The EU High Representative for Foreign Affairs' Office also wrote to Avaaz:

"Many thanks. As you know, thanks to a very large extent to the intensive lobbying and combined effort of you, other civil society representatives, EU and other governments, plus our delegation and embassies on the ground the Bill was not presented to the Parliament this morning."

This fight is not over. The extremists behind this bill could try again within just 18 months. But this is the second time we've helped defeat this bill, and we'll keep going until the hate-mongers give up.

Transforming the deeper causes of ignorance and hatred behind homophobia is an historic, long term struggle, one of the great causes of our generation. But Uganda has become a front line in that struggle, and a powerful symbol. The victory there echoes across many other places where hope is desperately needed, showing that kindness, love, tolerance and respect can defeat hatred and ignorance. Again, a huge thanks to all who made it happen.

With enormous gratitude and admiration for this amazing community,

Ricken, Emma, Iain, Alice, Giulia, Saloni and the whole Avaaz team.


Media highlights:

Anti-gay bill shelved:
http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-13392723

Avaaz's response to the outcome in the Guardian:
http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/13/uganda-anti-gay-bill-shelved

Ugandan President did not back bill because of "criticism of human rights groups":
http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/n/a/2011/05/13/international/i042638D37.DTL

Anti-gay bill delayed amid outcry:
http://www.news24.com/Africa/News/Uganda-shelves-anti-gay-bill-20110513

Uganda's "kill the gays" bill defeated:
http://af.reuters.com/article/topNews/idAFJOE74C0HP20110513
Há uma mulher na minha solidão sem lábios
Que não sei se é azul ou verde
Que se apaga talvez no horizonte
Há uma mulher talvez na palavra solidão
Que nunca se distingue da palavra
Porque é a palavra mesma que não se diz
Porque é a solidão que não é ela

Há uma mulher nos confins da minha ausência
Como uma sombra da minha ausência
Como uma ausência da mesma sombra

Há uma mulher nos lábios da minha solidão
Que nunca chega a ser pronunciada
Ou é o ar de uma sede que não respiro
Ou o nada mesmo de todo a solidão

Há uma mulher de musgo nas minhas pálpebras
E outra que se esconde nos olhos e é a mesma
Há uma mulher de música
No meu sorriso
Há uma mulher de tristeza como o tempo
Na água das minhas mãos

Há tantas mulheres no meu corpo
E tantas quantas todas são uma só
ou nenhuma
ou nenhuma
E é a mesma que caminha contra o vento
Em qualquer rua


António Ramos Rosa

en esta noche, en este mundo

en esta noche en este mundo
las palabras del sueño de la infancia de la muerte
nunca es eso lo que uno quiere decir
la lengua natal castra
la lengua es un órgano de conocimiento
del fracaso de todo poema
castrado por su propia lengua
que es el órgano de la re-creación
del re-conocimiento
pero no el de la resurrección
de algo a modo de negación
de mi horizonte de maldoror con su perro
y nada es promesa
entre lo decible
que equivale a mentir
(todo lo que se puede decir es mentira)
el resto es silencio
sólo que el silencio no existe

no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?
en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible

sombras
recintos viscosos donde se oculta
la piedra de la locura
corredores negros
los he recorrido todos
¡oh quédate un poco más entre nosotros!

mi persona está herida
mi primera persona del singular

escribo como quien con un cuchillo alzado en la
oscuridad
escribo como estoy diciendo
la sinceridad absoluta continuara siendo lo imposible
¡oh quédate un poco más entre nosotros!

los deterioros de las palabras
deshabitando el palacio del lenguaje
el conocimiento entre las piernas
¿qué hiciste del don del sexo?
oh mis muertos
me los comí me atraganté
no puedo más de no poder más

palabras embozadas
todo se desliza
hacia la negra licuefacción
y el perro de maldoror
en esta noche en este mundo
donde todo es posible
salvo
el poema

hablo
sabiendo que no se trata de eso
siempre no se trata de eso
oh ayúdame a escribir el poema más prescindible
el que no sirva ni para
ser inservible
ayúdame a escribir palabras
en esta noche en este mundo

Alejandra Pizarnik

A Morte, O Espaço, A Eternidade

De morte natural nunca ninguém morreu.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inominável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fora
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo esta ascensão, esta vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais.

A morte é natural na natureza. Mas
nós somos o que nega a natureza. Somos
esse negar da espécie, esse negar do que
nos liga ainda ao Sol, à terra, às águas.
Para emergir nascemos. Contra tudo e além
de quanto seja o ser-se sempre o mesmo
que nasce e morre, nasce e morre, acaba
como uma espécie extinta de outras eras.
Para emergirmos livres foi que a morte
nos deu um medo que é nosso destino.
Tudo se fez para escapar-lhe, tudo
se imaginou para iludi-la, tudo
até coragem, desapego, amor,
tudo para que a morte fosse natural.

Não é. Como, se o fôra, há tantos milhões de anos
a conhecemos, a sofremos, a vivemos,
e mesmo assassinando a não queremos?
Como nunca ninguém a recebeu
senão cansado de viver? Como a ninguém
sequer é concebível para quem lhe seja
um ente amado, um ser diverso, um corpo
que mais amamos que a nós próprios? Como
será que os animais, junto de nós,
a mostram na amargura de um olhar
que lânguido esmorece rebelado?

E desde sempre se morreu. Que prova?
Morrem os astros, porque acabam. Morre
tudo o que acaba, diz-se. Mas que prova?
Só prova que se morre de universo pouco,
do pouco de universo conquistado.

Não há limites para a Vida. Não
aquela que de um salto se formou
lá onde um dia alguns cristais comeram;
nem bem aquela que, animal ou planta,
foi sendo pelo mundo este morrer constante
de vidas que outras vidas alimentam
para que novas vidas surjam que
como primárias células se absorvam.
A Vida Humana, sim, a respirada,
suada, segregada, circulada,
a que é excremento e sangue, a que é semente
e é gozo e é dor e pele que palpita
ligeiramente fria sob ardentes dedos.
Não há limites para ela. É uma injustiça
que sempre se morresse, quando agora
de tanto que matava se não morre.
É o pouco de universo a que se agarram,
para morrer, os que possuem tudo.
O pouco que não basta e que nos mata,
quando como ele a Vida não se amplia,
e é como a pele do ónagro, que se encolhe,
retráctil e submissa, conformada.
É uma injustiça a morte. É cobardia
que alguém a aceite resignadamente.
O estado natural é complacência eterna,
é uma traição ao medo por que somos,
áquilo que nos cabe: ser o espírito
sempre mais vasto do Universo infindo.

O Sol, a Via Láctea, as nebulosas,
teremos e veremos até que
a Vida seja de imortais que somos
no instante em que da morte nos soltamos.
A Morte é deste mundo em que o pecado,
a queda, a falta originária, o mal
é aceitar seja o que for, rendidos.

E Deus não quer que nós, nenhum de nós,
nenhum aceite nada. Ele espera,
como um juiz na meta da corrida
torcendo as mãos de desespero e angústia,
porque nada pode fazer nada e vê
que os corredores desistem, se acomodam,
ou vão tombar exaustos no caminho.
De nós se acresce ele mesmo que será
o espírito que formos, o saber e a força.
Não é nos braços dele que repousamos,
mas ele se encontrará nos nossos braços
quando chegarmos mais além do que ele.
Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste,
a quem te amou, a quem te deu o ser –
não nos aguarda, não. Por cada morte
a que nos entregamos ele se vê roubado,
roído pelos ratos do demónio,
o homem natural que aceita a morte,
a natureza que de morte é feita.

Quando a hora chegar em que já tudo
na terra foi humano — carne e sangue —,
não haverá quem sopre nas trombetas
clamando o globo a um corpo só, informe,
um só desejo, um só amor, um sexo.
Fechados sobre a terra, ela nos sendo
e sendo ela nós todos, a ressurreição
é morte desse Deus que nos espera
para espírito seu e carne do Universo.
Para emergir nascemos. O pavor nos traça
este destino claramente visto:
podem os mundos acabar, que a Vida,
voando nos espaços, outros mundos,
há-de encontrar em que se continue.
E, quando o infinito não mais fosse,
e o encontro houvesse de um limite dele,
a Vida com seus punhos levá-lo-á na frente,
para que em Espaço caiba a Eternidade.

Jorge de Sena
O cristianismo afirma que a noite não nos surpreenderá. O ser humano é algo mais do que um breve parêntese entre duas obscuridades: a do nada, de onde vimos, e a do sepulcro, para onde nos encaminhamos. Toda a história do cristianismo é um denodado esforço contra o nada como meta e como origem.

M. Fraijó

domingo, maio 15, 2011

Não leio livros. Sou mais da geração Internet.

Joana Freitas

Da Natureza Humana

Os seus amigos - ou antes, as suas companhias - mudam de seis em seis meses. Não suporta que os outros o conheçam - e não consegue manter a personagem fictícia durante muito tempo. Então, inventa razões para se zangar com todos.


Não há ninguém de quem diga bem. Resiste com todas as suas forças a admitir um erro - a falha mora sempre no Outro. Se o criticam - especialmente onde dói -, contra-ataca como um felino endemoninhado.


Tem um falso castelo enorme - mas os soldados que protegem o seu trono são bonequinhos inventados pelo seu ego.

O seu cérebro arranjou uma maneira de proteger o ego - falível, é certo -, mas que para já lhe tem impedido de cair na mais profunda depressão.

«Não preciso de ajuda», repete como uma prece - já não para os outros, mas para aquela parte de si cuja voz é mais difícil de abafar.

É coerente. A RTP 2 também é para encerrar.

Passos quer acabar com Ministério da Cultura
Líder do PSD diz que esta área deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro



O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou este domingo que se formar Governo a cultura deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro, deixando de haver Ministério da Cultura.

Inédito no Público de 14 de Maio de 2011

os cães gerais ladram às luas que lavram pelos desertos fora,
mas a gota de água treme e brilha,
não uses as unhas senão nas linhas mais puras,
e a grande Constelação do Cão galga através da noite do mundo cheia de ar e de areia
e de fogo,
e não interrompe ministério nenhum nem nenhum elemento,
e tu guarda para a escrita a estrita gota de água imarcescível
contra a turva sede da matilha,
com tua linha limpa cruzas cactos, escorpiões, árduos buracos negros:
queres apenas
aquela gota viva entre as unhas,
enquanto em torno sob as luas os cães cheiram os cus uns aos outros
à procura do ouro

Herberto Helder

sexta-feira, maio 13, 2011

Não é pela racionalidade que chegamos à fé. Bertrand Russell dizia que se sentia racionalmente muito mais próximo do budismo, mas que a sua educação e imersão na cultura cristão pressionavam as emoções a não o deixarem a matriz do cristianismo.

As diferenças essenciais do budismo ante as outras religiões.

=Buda nos sutras aconselha quem o lê a não seguir as suas palavras por fé ou crença. «Não aceitem o que eu digo pela autoridade que me conferem. Testem as minhas palavras como o ourives testa os materiais para verem se são ouro. Não há crença, mas racionalidade.

Buda diz que não se deve pregar o budismo a ninguém. «Só se forem interpelados pelo vosso sistema de pensamento, a cada pergunta dirão a resposta. Mas nunca falem disto a ninguém.» Não há missionários.

Buda introduziu a ausência do eu, a teoria da vacuidade. (Quem puder mergulhar nestes assuntos que o faça.)

Buda não acreditava num Deus, mas num sistema de leis que regiam o Universo.


quarta-feira, maio 11, 2011

- Angel, ela ora me dá esperanças ora me tira o tapete por completo. Vivemos na amizade mas com uns sinais de flirt muito difusos... Aquilo território do pode-ser-outra-coisa, mas também pode-não-ser-nada-e-ser-tudo-casual-e-inocente. Está tão tão tão na fronteira. Ela nunca verbalizou nada, nem tem gestos, porém... há coisas... Por exemplo, quando um dia lhe disse que gostava de roxo, ela no dia seguinte apareceu toda vestida de roxo. Quando lhe falei de uma banda de que gostava, ela pôs um vídeo no Facebook. Quando lhe perguntei o nome do perfume, no dia seguinte, ela tinha mais perfume do que nunca.

The Perfect Girl

You're such a strange girl
I think you come from another world
You're such a strange girl
I really don't understand a word
You're such a strange girl
I'd like to shake you around and around
You're such a strange girl
I'd like
To turn you
All upside down

You're such a
Strange girl
The way you look like you do
You're such a strange girl
I want
To be with you

I think I'm falling
I think I'm falling in
I think I'm falling in love with you
With you

The Cure
What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.


William Wordsworth

Livre circulação de capitais? Absolutamente. Livre circulação de pessoas? Eh pá, vamos com calma!

ATUALIDADE NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo « Atualidade « Página Inicial |
NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo
Investigação do "The Guardian" revela que dezenas de migrantes africanos foram deixados morrer no mar.

Cristina Peres (www.expresso.pt), com
15:28 Segunda feira, 9 de maio de 2011
16 comentários

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Guarda costeira italiana auxilia migrantes africanos que tentavam chegar a Lampedusa
Guarda costeira italiana/EPA
Dezenas de migrantes oriundos do norte de África foram deixados a morrer no Mediterrâneo apesar da presença de unidades militares europeias e da NATO na área que, aparentemente, ignoraram os pedidos de ajuda.

No final de março, os 72 passageiros do barco - entre os quais se encontravam mulheres, bebés e refugiados políticos - entrou em dificuldades de navegação no Mediterrâneo após ter largado de Tripoli, no dia 25 de março, em direção à ilha italiana de Lampedusa.

Não houve nenhum esforço de salvamento, apesar de os alarmes terem sido acionados para a guarda costeira italiana e de o barco ter entrado em contacto com um helicóptero militar e com um navio de guerra da NATO, segundo publicou hoje em exclusivo o diário britânico "The Guardian".

11 sobreviventes em 72 passageiros

Apenas 11 pessoas escaparam com vida à morte lenta por fome e sede a que ficaram condenados os passageiros na embarcação à deriva durante 16 dias. Um dos sobreviventes, conta o diário britânico, resistiu bebendo a sua própria urina e comendo dois tubos de pasta dentífrica.

Apesar de a lei marítima internacional obrigar todas as embarcações, incluindo as militares, a responder a pedidos de socorro e a prestar ajuda sempre que possível, esta embarcação não recebeu auxílio.

O "Guardian" fez uma reconstituição dos acontecimentos a partir dos testemunhos recolhidos e conta a história da seguinte maneira: 47 migrantes etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganianos e cinco sudaneses, 20 dos quais eram mulheres e dois crianças pequenas (uma das quais tinha apenas um ano), partiram em direção a Lampedusa do norte de Tripoli. Após 18 horas de navegação, o barco começou a perder combustível e os passageiros ficaram à mercê de "uma mistura de azar, burocracia e a aparente indiferença das forças militares europeias, que tiveram oportunidade de tentar salvá-los".

Contacto com helicóptero militar

Houve ainda um contacto com um helicóptero militar (que, até à data nenhum país assume identificar) que lhes forneceu alguma água potável e uma pequena quantidade de bolachas, a guarda costeira italiana foi avisada e declarou ao "Tha Guardian": "Avisámos Malta de que a embarcação se dirigia para a zona de busca e salvamento deles e emitimos um alerta que obrigava outras embarcações a ir em socorro deles".

No entanto, as autoridades maltesas negaram qualquer envolvimento com o barco em questão. A 27 de março, ele estava à deriva nas correntes da zona sem combustível, água potável nem alimentos. Todas as manhãs havia mais mortos a bordo, que eram atirados borda fora 24 horas depois.

No dia 29 ou 30, conta o jornal, a embarcação passa junto de um porta-aviões da NATO. O porta-voz da organização, que está presentemente a coordenar a ação militar na Líbia, disse que não tinha captado pedidos de socorro do barco e não tinha registo do incidente.

Deixados à sorte

"As unidades da NATO têm total conhecimento das suas responsabilidades relativamente à lei marítima internacional no que respeita a segurança da vida no mar. Os navios da NATO respondem a todos os pedidos de socorro no mar e dão sempre ajuda, quando necessário. Salvar vidas é uma prioridade para os navios da NATO", adiantou o porta-voz. Nos dez dias que se seguiram, quase todas as pessoas a bordo morreram.

"O Mediterrâneo não pode transformar-se no oeste selvagem", declarou Laura Boldrini, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Moses Zerai, um padre eritreu em Roma, que dirige a organização de direitos dos refugiados Habeshia, é citado pelo Guardian: "Houve abdicação de responsabilidade, o que levou à morte de mais de 60 pessoas. Isso constitui um crime e não pode ficar por punir só porque as vítimas era migrantes africanos e não turistas num cruzeiro".

Nos últimos quatro meses, mais de 30 mil pessoas arriscaram a vida migrando em embarcações pouco seguras numa tentativa de escapar à instabilidade política que se vive nos seus países de origem.
Tem um medo visceral de ver as suas certezas arrumadinhas abaladas. Nã, nã, nã, diz a qualquer ideia nova, estímulo novo ou modo de olhar diferente.

O terror de, ao fazer auto-crítica, deixar de funcionar.

Não aguenta a «desordem estuporada da vida».

os insanos sempre me amaram

os insanos sempre me amaram
e os anormais.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados
uniam-se a
mim.
tipos com um só braço
tipos com tiques
tipos com problemas de fala
tipos com uma película branca
sobre um dos olhos,
cobardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles encontravam-me
logo
grudavam a sua cara
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, atacadores
sacos vazios de batatas fritas,
caixas de leite, jornais, canetas...
«ei, parceiro, o que ´tá a fazer?»
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua
seguindo-me
para além das casas de putas e dos
prostíbulos...
«mantém-me informado,
parceiro, mantém-me informado,
quero saber o que está
a acontecer.»
esse é o meu insano de momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chocalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele detém-se para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.

idem
O amor é uma das formas do preconceito.

Bukowski
Please stop loving me
I am none of these things

Robert Smith
A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.

Oscar Wilde

terça-feira, maio 10, 2011

Mais vale uma na mão do que duas no sutiã.

João Rosa

segunda-feira, maio 09, 2011

Because I cannot sleep
I make music at night.
I am troubled by the one
whose face has the color of spring flowers.

Poesia Sufi
A Feira do Livro mudou. As editoras mudaram.O objecto livro mudou.

Antes, não havia o e-book. Antes, não havia duas divisões na Feira do Livro. Antes, não havia a concentração editorial. Antes, não havia tipos à frente de editoras (ainda para mais, das maiores editoras) que diziam «não conheço Oscar Wilde», «filosofia, poesia e literatura não me interessam para nada» [Paes do Amaral ao Jornal de Negócios]. Antes, não havia esta dessacralização do livro que deixou de estar apenas nas livrarias para passar a estar junto às batatas e aos detergentes. Antes, as revistas literárias eram revistas literárias. Antes, os programas literárias eram programas literários. Antes, não havia tantos jogadores de futebol e figuras do Big Brother a colonizarem o mercado editorial, sufocando a possibilidade de emersão de novos autores. Antes, a poesia não era tão residual. Antes, as traduções dos clássicos eram exercícios de rigor. Antes, os top de vendas não eram tão reles.

O pós-modernismo quer tornar a literatura (que só ocupa 8% das livrarias) algo pop e kitsch. Passeio pela Feira do Livro e nunca, em mais de vinte anos, me deparei com tanto trash. Clássicos com capas de filmes (porque senão poucos os reconheceriam pelo título?!). Títulos de livros que banalizam grandes autores: Nietzsche para deixar de sofrer, Proust em 50 minutos, Este e Aquele Grande Nome Para Ser Feliz.




domingo, maio 08, 2011

Then wear the gold hat, if that will move her;
If you can bounce high, bounce for her too,
Till she cry “Lover, gold-hatted, high-bouncing lover,
I must have you!

Thomas Parke D'Invilliers

Isto (excerto)

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como que um terraço

Sobre outra coisa ainda.

Essa coisa é que é linda.



Fernando Pessoa (ortónimo)
- Angel, tu tens os teus poemas e as tuas sensações tão arrebatadoras com eles que qualquer pessoa ao teu lado te parecerá sempre pouco ao pé dos poemas que te inspiram. Nenhuma mulher pode competir em deslumbre com o que a poesia do Walt Whitman te provoca.

(She said.)
She will never be enough
[...]
We will never be in love
We will never be in love
We will never be
In love

The Cure


A Ausência desincorpora

Emily Dickinson

sábado, maio 07, 2011

A beleza quando avança é mais terrível do que um exército.

Herberto Helder

sexta-feira, maio 06, 2011

www.ntf-literatura2011.com

Votar em Emílio Miranda

quinta-feira, maio 05, 2011

- Olá. [Atendo o telefone.]
- Então...
- Então... estás bem?
Silêncio.

- Estás aí? [Pergunto.]
- Sim, não tenho nada para te dizer.
Fernando Pessoa era caótico na vida - como não poderia sê-lo quem tinha tantos eus dentro de si? Na política, era próximo do autoritarismo. Na vida pessoal, desorganização. Na vida pública, defendia a organização, a disciplina, o rigor, a autoridade.

Marinho e Pinto diz que se lhe matassem a filha, arrancava os olhos do homicida e matava-o com requintes de tortura. Contudo, é cem por cento contra a tortura, a prisão perpétua e a pena de morte.

As opções colectivas, aquilo que achamos que o Estado deve traduzir ou que sociedade deve ser, por vezes, nada devem às opções da nossa vida.


quarta-feira, maio 04, 2011

- A ficção é verde, o ensaio cinzento.
I’ve found that writing novels is an all-absorbing experience—both physical and mental—and I have to do it every day in order to keep the rhythm, to keep myself focused on what I’m doing. Even Sunday, if possible. If there’s no family thing happening that day, I’ll at least work in the morning. Whenever I travel, I get thrown off completely. If I’m gone for two weeks, it takes me a good week to get back into the rhythm of what I was doing before.
Writing is physical for me. I always have the sense that the words are coming out of my body, not just my mind. I write in longhand, and the pen is scratching the words onto the page. I can even hear the words being written. So much of the effort that goes into writing prose for me is about making sentences that capture the music that I’m hearing in my head. It takes a lot of work, writing, writing, and rewriting to get the music exactly the way you want it to be. That music is a physical force. Not only do you write books physically, but you read books physically as well. There’s something about the rhythms of language that correspond to the rhythms of our own bodies. An attentive reader is finding meanings in the book that can’t be articulated, finding them in his or her body. I think this is what so many people don’t understand about fiction. Poetry is supposed to be musical. But people don’t understand prose. They’re so used to reading journalism—clunky, functional sentences that convey factual information—facts, more than just the surfaces of things.

Paul Auster
As regras da arte almejavam uma sociedade que deveria basear-se em associações com características afectivas e solidárias. Nada disso. A ganância, a febre do lucro pelo lucro, o individualismo mais atroz criaram a sobranceria e o desprezo pelo humano. Onde se situa a fronteira da compaixão? As pessoas que querem permanecer elas próprias não têm espaço nem possibilidades. Esta exigência de compromisso perde-se com o desaparecimento do altruísmo de proximidade. Não nos cruzamos nas ruas, nos bairros, nas cidades. Trespassamo-nos, numa distância prática, física e mental que nos isola cada vez mais uns dos outros.

Baptista-Bastos

segunda-feira, maio 02, 2011

É conhecida a relação de Pessoa com o esoterismo, nomeadamente com a astrologia e com o Mago Negro, Aleister Crowley, que conheceu depois de lhe enviar uma carta corrigindo o seu mapa astral publicado na imprensa inglesa e que terá impressionado Crowley pelo seu profundo conhecimento da astrologia.

Pessoa e Crowley terão trocado um diálogo interessado sobre o poder da magia.

- É possível fazer mal a alguém pela magia?
- Sim. Pela magia negra. E o bem pela magia branca. Tu podes mandar cair um nevoeiro sobre alguém. É-me fácil. Mas ficas na certeza de que, num dia, esse nevoeiro te irá cair na cabeça. Queres ainda assim mandar cair um nevoeiro sobre a cabeça de alguém?
- A linha divisória entre fazer justiça ou vingança é fodida. Acredito que tudo o que atiramos para a vida dos outros nos é devolvido. Detesto a palavra «vingança» e acredito que o universo se encarrega de tudo isso. Mas, neste caso, quero ser eu o perpetrador da vingança e estar lá, de pé, para assistir.

Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem 2

Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir.

Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo.

Papa João Paulo II, Evangelho da Vida [TÍTULO ALGO PARADOXAL]


Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem

Quando a pena de morte é legal, o que se faz é condenar um indivíduo que cometeu um delito comprovado de extrema gravidade, e que, além disso, constitui um perigo para a paz social; isto é: castiga-se um culpado. No aborto, pelo contrário, aplica-se a pena de morte a um inocente.
Ratzinger, O Sal da Terra

domingo, maio 01, 2011

Mundinhos e Mundo

Há quem tenha mundo e quem tenha mundinho.

Conheço pessoas da Igreja que só conhecem o seu mundinho.

Conheço pessoas do PCP que só conhecem o seu mundinho.

Conheço carreiristas que só conhecem outros carreiristas.

Conheço casalinhos que só conhecem outros casalinhos.

Gosto mais de quem se dá com pessoas de dentes podres e pessoas de fato Armani, de quem é transversal nas idades, na geografia, nas tribos, nas crenças. De quem não limite a conhecer as pessoas da «escola», da «universidade», do «trabalho», da «vizinhança».

O Estado do Mundo

O filho mais novo de Muammar Kadhafi e três netos foram mortos no sábado por um ataque aéreo da NATO.
Para Jesus Cristo, o que é abominável aos olhos dos homens pode ser adorável aos olhos de Deus e o que é adorável aos olhos dos homens pode ser abominável aos olhos de Deus.

Recordo esta frase no dia em que um defensor da pena de morte é proclamado santo pelos humanos.