sábado, abril 30, 2011

Podes policiar os meus actos, mas não os meus sentimentos.

quinta-feira, abril 28, 2011

http://aeiou.expresso.pt/o-casal-separou-se-do-casamento=f588148

Uma explicação perifrástica para dizer: elas gostam dos bad boys mas estabilizam com os totós.
Séries como o Dexter veiculam uma matriz de extrema-direita - todos os criminosos são irregeneráveis, a segurança é um valor primacial; e portanto devem ser aniquilados.

Não há bons e maus.
Portugal é a economia mais lenta do mundo e a única em recessão em 2012. Estamos com o mais baixo crescimento dos últimos 90 anos. A nossa dívida pública é a pior dos últimos 150 anos, mesmo sem contar com as empresas públicas ou as PPP. O nosso desemprego é o mais alto desde que há registos. Temos a segunda maior onda de emigração do último século e meio, com uma das maiores "fugas de cérebros" registadas pela OCDE. A nossa taxa de poupança é a pior dos últimos 50 anos e continuamos com o dobro do abandono escolar de toda a União Europeia, sendo o 2.º pior dos 27, logo a seguir a Malta.

Manuel Maria Carrilho

quarta-feira, abril 27, 2011

- Amanhã, às duas ligo-te

No dia seguinte, ligou-me.

Olhei para o relógio: 14.00.

Esta história passou-se com um estrangeiro (bem sei que há muitas nações no «estrangeiro»).

Preconceito ou não, acho que este microepisódio seria mais difícil de se passar com um português.
A esperança é aquela coisa com penas
Que se empoleira na alma,
E canta uma melodia sem palavras,
E nunca cessa realmente,

E o mais doce dos vendavais
ouvido;
E amarga deve ser a tempestade
Que poderia envergonhar o passarinho
Que tantos mantivera quentes.

Ouvi-o na terra mais gelada
E no mar mais longínquo;
No entanto, nunca, nem no pior dos momentos
Me pediu sequer uma migalha


Emily Dickinson traduzido por MG
All energy spend on conscious work is an investment; that spend mechanically is lost forever.

Idem
Until a man uncovers himself he cannot see.

Gurdjieff
- O que é que nós queremos? Aquilo que nos negam.
É forte o homem que dispõe de alguns milhões. Mas é temível o homem que não tem necessidades, que não tem compromissos, que não tem medo, e que mantém o ânimo firme, o pensamento lúcido, o olhar justo e a mão desembaraçada!

Alberto Castro Ferreira

domingo, abril 24, 2011

citando de memória... EM NOME DE CRISTO

Muitas pessoas confundem anticlericalismo com anticristianismo.

Por falta de leitura e/ou reflexão - por cegueira apriorística.

Bastaria ler a Parábola do Bom Samaritano em que Cristo condena o sacerdote e o levita e exalta o samaritano (o proscrito à época) para perceber que Cristo tinha o seu quê de anticlerical.

O próprio, Cristo, de resto, preconizou o fim de Igreja ao dizer que haveria de haver um tempo em que «tu e o teu irmão não orarão no templo, mas em espírito».

Foi Cristo também quem lembrou que era mais importante o amor ao próximo do que o culto a Deus - ou antes: que o segundo não existia sem o primeiro.

´«Ide a aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício." Se tens alguma coisa contra o teu irmão, vai primeiro reconciliar-te com ele e volta depois para apresentares a tua oferta diante do altar.»

«Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça.»
Ele andava sempre de calças quando eu era miúdo. Nunca compreendi porque não as dispensava nos dias de mais calor (nem na praia as tirava).

Alegava sempre qualquer coisa se fosse instado a andar de calções.

Um dia, vi a sua perna direita: desfeita, massacrada, repelente.

Percebi então que são os pontos mais frágeis aqueles que costumamos cobrir de mais texturas.

O que é o ciúme e a possessividade senão insegurança?

O Tibi (alcunha real) representa quase (só acrescento o «quase» por estarmos em época pascal) tudo o que não gosto num ser vivente.

A obviedade machista (Bukowski), a narração das façanhas sexuais (reais?) com os pormenores mais íntimos, a boçalidade, a incultura, o exibicionismo, a violência.

A sua actual namorada descreve-o como a pessoa mais insegura que conheceu.

Só surpreende quem não conhece a natureza humana.

sexta-feira, abril 22, 2011

- Estou a ler o primeiro volume do Tempo Perdido. É alienante. Vivo no livro, ou o livro vive em mim. Sei que é uma experiência alienante.
- O que calas tu?

O Sangue

Diz-me quem não ama
Aquilo que não volta mais
Tu nunca poderás esquecer como nos costumávamos sentir
A ilusão é profunda
É tão profunda quanto a noite
Posso dizê-lo pelas tuas lágrimas: tu lembras-te de tudo

Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar

A sensação de secura
Atravessando nu o sol
Toda a miragem que vejo é uma miragem de ti

Enquanto me refresco no crepúsculo
Saboreia o sal na minha pele
Evoco todas as lágrimas
Todas as palavras destroçadas

Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar

Quando o fulgor do pôr-do-sol deslizar para longe de ti
Tu não saberás mais se algo do que ficou é real

Robert Smith

quinta-feira, abril 21, 2011

O crítico é um homem sem pernas que quer esinar os outros a correr.

Channing Pollock
- Por vezes, preferia ter um energúmeno apaixonado por mim do que um intelectual indiferente.

CONGRATULATIONS, ROBERT SMITH

SOME PEOPLE NEVER GET OLD. I DON´T KNOW WHAT MY INNER LIFE WOULD BE WITHOUT YOU FOR THE LAST TWENTY YEARS.

LOVE.

domingo, abril 17, 2011

A maior parte das pessoas não conhece o significado da palavra Democracia.

Uma amiga minha relativiza as atrocidades dos direitos humanos dizendo:

- Mas a Argélia é uma democracia.

Demo e Kratos. A origem etimológica.

Um regime é, etimologicamente, mais democrático quanto mais próximo e participativo das decisões colectivas o povo (o cojunto de cidadãos) for.

Mas isso não nos garante que os direitos humanos sejam sequer vigiados.

A fome coabita com a democracia.

A pena de morte também.

A tortura também.

Uma sondagem da SIC revelava que 90% do povo português defende a pena de morte.

Alguém duvida de que se o povo estivesse mais próximo das decisões colectivas, os pedófilos seriam castrados? Que a pena de morte voltaria? Que os ciganos seriam (ainda) mais ostracizados?

Acredito que quem não ande de autocarro, seja mais ingénuo nestas matérias.

sábado, abril 16, 2011

Subiu tão alto tão alto tão alto que só lhe restava a solidão.

Walt, como é possível não acreditar na imortalidade conhecendo-te?

http://www.publico.pt/Cultura/descobertas-cartas-ineditas-do-poeta-walt-whitman_1490006

sexta-feira, abril 15, 2011

Ele é um filho de puta. Come - sim, é o verbo certo e deita fora. Não lê livros, tem poucos dias de trabalho honesto, pinta de porco, um léxico reduzido, uma terrível violência verbal (e quiçá física) mas um desprendimento-para-algumas-terrivelmente-magnético. Ela sabe disso tudo. As amigas massacram-na diariamente. Mas: penso como as outras: comigo-poderá-ser-diferente. Há qualquer de messiânico no seu amor.

O amor dela é como a atracção dos montanhistas pelo Abismo.
Os homens são vulgares, directos, ou inseguros ou ostensivos (outra forma de insegurança) com as mulheres. Como dizia o poeta: comem, bebem e soluçam (diria: arrotam).
São pessoas que não tomam partidos. Que veêm uma pessoa na rua a ser agredida, tê muita peninha, mas não se dão como testemunhas. São pessoas sem um estilo (como é difícil criar um estilo, uma marca, a vida toda é a procura de um estilo), pessoas que não deixarão lápides na memória (além da mulher ou marido e dos filhos). Carneiros formatados em fábrica cujo tempo volatizará sem pegadas no odor do Universo.
- Eu tenho uma necessidade de ter homens que dependam de mim, de quem eu possa cuidar. Um instinto maternal puxa-me... é mais forte...

terça-feira, abril 12, 2011

- Não gosto do Taoísmo. O Universo está em equilíbrio e nós não devemos mexer na fruta. Há lá coisa mais reaccionário, mais statu quo do que essa? O Calvinismo diz algo parecido de forma diferente. Estamos aqui comandados pelo Destino. No fundo, somos marionetas que julgam não ter fios para o Calvinismo. Mas o ponto comum é a inacção ou a ilusão da acção. Eu acredito no livre-arbítrio. Eu tenho de ser actuante. Mas isso deixa-me com o seguinte paradoxo: se Deus é justo, porque tenho eu e os outros de reparar as injustiças, as fissuras que Ele, Omnipotente, não resolve. Há coisas que não devemos deixar de interrogar mas que parecem irrespondíveis.
Infelizmente, há um homem que desempenha um peça-chave nas próximas eleições. Passos Coelho não tem a vitória garantia - esse é o primeiro ponto. Mas mesmo que ganhe - e pode perfeitamente ganhar - o seu governo será minoritário e terá de se sujeitar aos ditames do FMI (que, de resto, correspondem ao seu programa). O problema é um: um governo minoritário como o que se adivinha - seja do PS ou PSD -, num país a atravessar uma crise como não tinha desde o princípio do século, é um governo que precisa de aliados como de um balão de oxigénio. Passos precisa de Portas - esse ser perigosamente inconfiável.

Passo não quer pedir o apoio a Portas. Quer ser orgulhoso. Mas precisa desesperadamente dele. Preferencialmente (para ele, não para mim) numa coligão pré-eleitoral.

Portas é tragicamente uma peça-chave na cena política actual.

Com o triângulo de ódio (quem duvida, que leia as declarações dos últimos anos...) em que Sócrates detesta Passos e Cavaco, Cavaco detesta Sócrates e Passos, e Passos detesta Sócrates e Cavaco; Passos precisa de Portas. E Passos quer desesperadamente ganhar e, além disso, governar com estabilidade.
- Mas se Deus aceita que se reze por outrem, isso é um bocado um sistema de cunhas.
- Há lá coisa mais bonita do que a amizade?

segunda-feira, abril 11, 2011

- O Salazar conhecia bem os vícios portugueses. Não é por acaso que hoje estamos a vê-los vir ao de cima. Salazar foi importantíssimo em 1932 nas finanças. A austeridade que praticou era de alguém que percebia bem o problema dos portugueses. Veja-se o que deram 35 anos de democracia. Outra coisa que percebia bem era a sede ao pote dos corruptos, aqueles que se metia na política só por dinheiro. Nestes dois pontos, ninguém o pode atacar. O Salazar obrigava os ministros a levarem mantas de casa para não gastar em aquecedores. Tirando isso, foi o coveiro de Portugal.
- Nunca vais conhecer a dimensão do meu desejo.

Um dos homens mais hipócritas de Portugal

http://www.youtube.com/watch?v=BUIooqx26SE


http://fotos.sapo.pt/andreiapeniche/fotos/?uid=GWbzdNCY7HJvUYzNRj4H
- Sabes aquelas pessoas que quando te ligam, tu já dizes para ti «Vá diz lá o favor que queres qeu te faça»?
- Arrancar amor da alma custa, demora tempo, tropeça-se tantas vezes... há casos em que é impossível, em que se transporta a pessoa colada à pele uma vida inteira e todas as pessoas que se encontram depois são sucedâneos do que se perdeu. Acho que tu sabes isso tão bem ou melhor do que eu.

You know I hate

Culambistas (expressão do MEC). Aqueles que são bajuladores e servis com os de cima e déspotas e crúeis com os de baixo.

Fura-graves. Aqueles que combinam com os colegas agir colectivamente contra uma decisão injusta do poder arbitrário e que, na véspera, avisam a enidade patronal denunciando todos os nomes e, como é óbvio, faltando no dia da greve.

Escravos-bananas. Como aqueles que via nas praxes a serem aspergidos de perfume. «Caloiros cheiram mal! Caloiros cheiram mal!» Ia lá tirá-los e alguns: «Ah, mas tem de ser.» (Um ovo era quebrado na sua cabeça enquanto o amarelo deslizava pelos cabelos até à cara.)

domingo, abril 10, 2011

You know what I hate

Homens que sentem como obrigatoriedade abrir a parte a uma mulher e que, se necessário, dão à volta ao automóvel para abrirem a porta à dama.

Cavalheiro = machista

sábado, abril 09, 2011

- Angel, eu tenho medo de que tu sejas como o Zelig de Woody Allen que se transforma na pessoa com quem está. Ou antes: que faça sentir especial todas as pessoas.

sexta-feira, abril 08, 2011

- Queria fazer o meu coisa que sempre planeei fazer. Acabar a minha vida na mendicidade. É preciso ser mendigo para cortar com vaidade do mundo, ser sábio, desligarmo-nos do mundo e cair no anonimato.

quarta-feira, abril 06, 2011

- O João achou-te lindíssima. O Pedro achou-te podre de boa e muito culta. O Paulo achou-te extremamente gira e com um sentido de humor fabuloso.

(ela conheceu quatro. em quem ficará a pensar? no quarto não-nomeado.)
- Pensei em ti e nao me perguntes o que pensei, que é o que toda a gente pergunta nestas ocasiões. Pensei-te. Ocorreste-me simplesmente.
Foi assim. É assim. Sem motivos.
- É verdade que nunca leste nenhum destes livros?
- Os livros são aborrecidos.
- Os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro - replicou Julián.


Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento

terça-feira, abril 05, 2011

Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração.
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás. acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar.

Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento
Se te queres industriar na arte de seduzir (mais superficial) ou conquistar (mais profunda) o fabuloso mundo da feminilidade, dedica-te a observar o comportamento dos homens com as mulheres e age nas antípodas do que 99% deles faz.

A arte da escrita é parecida com a arte da conquista.

Tens de ser verdadeiro parecendo falso. Tens de ser fingidamente verdadeiro.

Tens de ser subtil. Ou seja, tens de evitar comportamentos de puxar a manga da camisa e fazeres musculo e dizeres: "Olha que musculo tao forte que eu tenho!!!"

A escrita ensina-te isso. Deves ser gritar em silencio. Deves deixar os adjectivos, a necessidade de impressionar, a ostentacao. Largar o barroco e o rococó - isso soa a bazofia e exibicionismo. Deves insinuar os adjectivos a partir das tuas accoes e nao borrifares o texto dessas cores garridas. Deves deixas as coisas no subtexto - ou, se preferires, na entrelinhas. A seducao habita nas entrelinhas, no nao-dito, no nao-impingido.

E nao esquecas o essencial. Nao ha bicho mais perspicaz do que a mulher.
As pessoas tendem a pronunciar-se sobre as relacoes, o amor, a paixao com verdades absolutas. Ignoram que o tema é um tecido infinito que a Literatura borda dando sempre novas respostas. Porque cada amor é único, cada relacao irrepetível e cada juízo moral sobre o próximo em matéria de amor é como uma formiga a ralhar com um ser humano.

Em materia de amor, fala sobre o que viveste. Apenas. Não ergas a tua experiencia a verdade universal.
A seiva vital - metáfora de Scott Fitzgerald.

Há pessoas com baixa energia, sem carisma, sem magnetismo.

Sem seiva vital.
Acho tanta graça aos contentinhos-de-si. Seguros nas suas opinioes, nao escoradas em vivencias ou leituras, ostentam um sorriso matreiro-sabichao e debitam tiradas sabonas. Aristoteles dizia que so nos deveríamos pronunciar sobre algo em que nao nos faltasse uma nesga de domínio do assunto.

segunda-feira, abril 04, 2011

O caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria.

William Blake

domingo, abril 03, 2011

Estou sempre a observar as pessoas para as compreender melhor.

sábado, abril 02, 2011

Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/ procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.// Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./ Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite,/durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Mas não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração.

Brecht

sexta-feira, abril 01, 2011

Acho que os U2 deveriam ter escrito e cantado: I can live with or without you.

Não será essa a forma superlativa de Amor?
Bruno é nazi. Odeia os mais fracos, as minorias, os vencidos da vida. A namorada diz a medo aos conhecidos: ele é muito inseguro e tem tanta raiva da sua fragilidade que a quer matar nos outros.

Diana é uma sedutora compulsiva. 95% dos jogos que alimenta são inconsequentes - servem apenas de carne para os tentáculos do tubarão do seu ego. Estranhamente ou não, Diana faz estes jogos com totós, verdes emocionais e românticos idealistas incuráveis. Dir-se-á: porque são presas mais fáceis. Numa noite etílica, Diana confessou que foi durante adolescência muito romântica e crente nos homens - e que tinha raiva de se ter amachucado tanto por ser assim. Hoje, vinga-se nos que eram iguais a si no passado - como se quisesse punir os sentimentos que a fizeram sofrer.

Rui é um patrão que é extremamente tolerante, menos com faltas de pontualidade. Fica fulo. É a única coisa que nunca conseguiu corrigir em si: adormecer quase todos os dias para lá da hora a que queria chegar ao trabalho.
Marlyn Monroe recebia, no pico da fama, 20 mil cartas de fãs por semana. Mas a superficialidade do afecto por mais numerosa que seja não preenche. E no seu caso não preencheu. Nunca. Instável e frágil permaneceu. Freudianamente, a explicação é simples: pai ausente desde a nascença, mãe que não a desejou ter e que foi proibida de a cuidar desde os 10 anos.
Das visões mais originais que conheço, uma delas é a do Nuno. Chamar-lhe-ia solipsismo cármico.

Ele entende que todas as pessoas que conhecemos - sei que o que irei expor não é facilmente entendível - são fruto da nossa cabeça. Isto é: se nos cruzamos com alguém autoritário, é porque há uma parte de autoritarismo nosso que precisamos de combater e que só vendo no Outro, percebemos o quão mau é. Se tens um colega arrogante durante uns meses - isso é uma forma do Universo te mandar analisar a tua arrogância. O Nuno irritou-se com um amigo extremamente loquaz que não escutava os outros. Pensou que, por vezes, era um egotista surdo aos outros. E melhorou-se.

Por vezes, são coisas escondidas nas gavetas do sótão da mente, diz o Nuno.

Mas tudo o que criamos na mente, replica hologramas na realidade.
É mais confortável ser discípulo do que Mestre. O Mestre nunca pode falhar para não se desautorizar. Se o discípulo é o que pode evoluir, é o que pode errar no caminho. Ao invés, o Mestre está como uma perfeição estanque - só pode fazer notar-se quando parte um vidro do seu palácio de cristal.