quinta-feira, abril 28, 2011
Portugal é a economia mais lenta do mundo e a única em recessão em 2012. Estamos com o mais baixo crescimento dos últimos 90 anos. A nossa dívida pública é a pior dos últimos 150 anos, mesmo sem contar com as empresas públicas ou as PPP. O nosso desemprego é o mais alto desde que há registos. Temos a segunda maior onda de emigração do último século e meio, com uma das maiores "fugas de cérebros" registadas pela OCDE. A nossa taxa de poupança é a pior dos últimos 50 anos e continuamos com o dobro do abandono escolar de toda a União Europeia, sendo o 2.º pior dos 27, logo a seguir a Malta.
Manuel Maria Carrilho
Manuel Maria Carrilho
quarta-feira, abril 27, 2011
A esperança é aquela coisa com penas
Que se empoleira na alma,
E canta uma melodia sem palavras,
E nunca cessa realmente,
E o mais doce dos vendavais
ouvido;
E amarga deve ser a tempestade
Que poderia envergonhar o passarinho
Que tantos mantivera quentes.
Ouvi-o na terra mais gelada
E no mar mais longínquo;
No entanto, nunca, nem no pior dos momentos
Me pediu sequer uma migalha
Emily Dickinson traduzido por MG
Que se empoleira na alma,
E canta uma melodia sem palavras,
E nunca cessa realmente,
E o mais doce dos vendavais
ouvido;
E amarga deve ser a tempestade
Que poderia envergonhar o passarinho
Que tantos mantivera quentes.
Ouvi-o na terra mais gelada
E no mar mais longínquo;
No entanto, nunca, nem no pior dos momentos
Me pediu sequer uma migalha
Emily Dickinson traduzido por MG
domingo, abril 24, 2011
citando de memória... EM NOME DE CRISTO
Muitas pessoas confundem anticlericalismo com anticristianismo.
Por falta de leitura e/ou reflexão - por cegueira apriorística.
Bastaria ler a Parábola do Bom Samaritano em que Cristo condena o sacerdote e o levita e exalta o samaritano (o proscrito à época) para perceber que Cristo tinha o seu quê de anticlerical.
O próprio, Cristo, de resto, preconizou o fim de Igreja ao dizer que haveria de haver um tempo em que «tu e o teu irmão não orarão no templo, mas em espírito».
Foi Cristo também quem lembrou que era mais importante o amor ao próximo do que o culto a Deus - ou antes: que o segundo não existia sem o primeiro.
´«Ide a aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício." Se tens alguma coisa contra o teu irmão, vai primeiro reconciliar-te com ele e volta depois para apresentares a tua oferta diante do altar.»
«Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça.»
Por falta de leitura e/ou reflexão - por cegueira apriorística.
Bastaria ler a Parábola do Bom Samaritano em que Cristo condena o sacerdote e o levita e exalta o samaritano (o proscrito à época) para perceber que Cristo tinha o seu quê de anticlerical.
O próprio, Cristo, de resto, preconizou o fim de Igreja ao dizer que haveria de haver um tempo em que «tu e o teu irmão não orarão no templo, mas em espírito».
Foi Cristo também quem lembrou que era mais importante o amor ao próximo do que o culto a Deus - ou antes: que o segundo não existia sem o primeiro.
´«Ide a aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício." Se tens alguma coisa contra o teu irmão, vai primeiro reconciliar-te com ele e volta depois para apresentares a tua oferta diante do altar.»
«Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça.»
Ele andava sempre de calças quando eu era miúdo. Nunca compreendi porque não as dispensava nos dias de mais calor (nem na praia as tirava).
Alegava sempre qualquer coisa se fosse instado a andar de calções.
Um dia, vi a sua perna direita: desfeita, massacrada, repelente.
Percebi então que são os pontos mais frágeis aqueles que costumamos cobrir de mais texturas.
Alegava sempre qualquer coisa se fosse instado a andar de calções.
Um dia, vi a sua perna direita: desfeita, massacrada, repelente.
Percebi então que são os pontos mais frágeis aqueles que costumamos cobrir de mais texturas.
O que é o ciúme e a possessividade senão insegurança?
O Tibi (alcunha real) representa quase (só acrescento o «quase» por estarmos em época pascal) tudo o que não gosto num ser vivente.
A obviedade machista (Bukowski), a narração das façanhas sexuais (reais?) com os pormenores mais íntimos, a boçalidade, a incultura, o exibicionismo, a violência.
A sua actual namorada descreve-o como a pessoa mais insegura que conheceu.
Só surpreende quem não conhece a natureza humana.
A obviedade machista (Bukowski), a narração das façanhas sexuais (reais?) com os pormenores mais íntimos, a boçalidade, a incultura, o exibicionismo, a violência.
A sua actual namorada descreve-o como a pessoa mais insegura que conheceu.
Só surpreende quem não conhece a natureza humana.
sexta-feira, abril 22, 2011
O Sangue
Diz-me quem não ama
Aquilo que não volta mais
Tu nunca poderás esquecer como nos costumávamos sentir
A ilusão é profunda
É tão profunda quanto a noite
Posso dizê-lo pelas tuas lágrimas: tu lembras-te de tudo
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
A sensação de secura
Atravessando nu o sol
Toda a miragem que vejo é uma miragem de ti
Enquanto me refresco no crepúsculo
Saboreia o sal na minha pele
Evoco todas as lágrimas
Todas as palavras destroçadas
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
Quando o fulgor do pôr-do-sol deslizar para longe de ti
Tu não saberás mais se algo do que ficou é real
Robert Smith
Aquilo que não volta mais
Tu nunca poderás esquecer como nos costumávamos sentir
A ilusão é profunda
É tão profunda quanto a noite
Posso dizê-lo pelas tuas lágrimas: tu lembras-te de tudo
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
A sensação de secura
Atravessando nu o sol
Toda a miragem que vejo é uma miragem de ti
Enquanto me refresco no crepúsculo
Saboreia o sal na minha pele
Evoco todas as lágrimas
Todas as palavras destroçadas
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
Quando o fulgor do pôr-do-sol deslizar para longe de ti
Tu não saberás mais se algo do que ficou é real
Robert Smith
quinta-feira, abril 21, 2011
CONGRATULATIONS, ROBERT SMITH
SOME PEOPLE NEVER GET OLD. I DON´T KNOW WHAT MY INNER LIFE WOULD BE WITHOUT YOU FOR THE LAST TWENTY YEARS.
LOVE.
LOVE.
domingo, abril 17, 2011
A maior parte das pessoas não conhece o significado da palavra Democracia.
Uma amiga minha relativiza as atrocidades dos direitos humanos dizendo:
- Mas a Argélia é uma democracia.
Demo e Kratos. A origem etimológica.
Um regime é, etimologicamente, mais democrático quanto mais próximo e participativo das decisões colectivas o povo (o cojunto de cidadãos) for.
Mas isso não nos garante que os direitos humanos sejam sequer vigiados.
A fome coabita com a democracia.
A pena de morte também.
A tortura também.
Uma sondagem da SIC revelava que 90% do povo português defende a pena de morte.
Alguém duvida de que se o povo estivesse mais próximo das decisões colectivas, os pedófilos seriam castrados? Que a pena de morte voltaria? Que os ciganos seriam (ainda) mais ostracizados?
Acredito que quem não ande de autocarro, seja mais ingénuo nestas matérias.
Uma amiga minha relativiza as atrocidades dos direitos humanos dizendo:
- Mas a Argélia é uma democracia.
Demo e Kratos. A origem etimológica.
Um regime é, etimologicamente, mais democrático quanto mais próximo e participativo das decisões colectivas o povo (o cojunto de cidadãos) for.
Mas isso não nos garante que os direitos humanos sejam sequer vigiados.
A fome coabita com a democracia.
A pena de morte também.
A tortura também.
Uma sondagem da SIC revelava que 90% do povo português defende a pena de morte.
Alguém duvida de que se o povo estivesse mais próximo das decisões colectivas, os pedófilos seriam castrados? Que a pena de morte voltaria? Que os ciganos seriam (ainda) mais ostracizados?
Acredito que quem não ande de autocarro, seja mais ingénuo nestas matérias.
sábado, abril 16, 2011
Walt, como é possível não acreditar na imortalidade conhecendo-te?
http://www.publico.pt/Cultura/descobertas-cartas-ineditas-do-poeta-walt-whitman_1490006
sexta-feira, abril 15, 2011
Ele é um filho de puta. Come - sim, é o verbo certo e deita fora. Não lê livros, tem poucos dias de trabalho honesto, pinta de porco, um léxico reduzido, uma terrível violência verbal (e quiçá física) mas um desprendimento-para-algumas-terrivelmente-magnético. Ela sabe disso tudo. As amigas massacram-na diariamente. Mas: penso como as outras: comigo-poderá-ser-diferente. Há qualquer de messiânico no seu amor.
O amor dela é como a atracção dos montanhistas pelo Abismo.
O amor dela é como a atracção dos montanhistas pelo Abismo.
São pessoas que não tomam partidos. Que veêm uma pessoa na rua a ser agredida, tê muita peninha, mas não se dão como testemunhas. São pessoas sem um estilo (como é difícil criar um estilo, uma marca, a vida toda é a procura de um estilo), pessoas que não deixarão lápides na memória (além da mulher ou marido e dos filhos). Carneiros formatados em fábrica cujo tempo volatizará sem pegadas no odor do Universo.
terça-feira, abril 12, 2011
- Não gosto do Taoísmo. O Universo está em equilíbrio e nós não devemos mexer na fruta. Há lá coisa mais reaccionário, mais statu quo do que essa? O Calvinismo diz algo parecido de forma diferente. Estamos aqui comandados pelo Destino. No fundo, somos marionetas que julgam não ter fios para o Calvinismo. Mas o ponto comum é a inacção ou a ilusão da acção. Eu acredito no livre-arbítrio. Eu tenho de ser actuante. Mas isso deixa-me com o seguinte paradoxo: se Deus é justo, porque tenho eu e os outros de reparar as injustiças, as fissuras que Ele, Omnipotente, não resolve. Há coisas que não devemos deixar de interrogar mas que parecem irrespondíveis.
Infelizmente, há um homem que desempenha um peça-chave nas próximas eleições. Passos Coelho não tem a vitória garantia - esse é o primeiro ponto. Mas mesmo que ganhe - e pode perfeitamente ganhar - o seu governo será minoritário e terá de se sujeitar aos ditames do FMI (que, de resto, correspondem ao seu programa). O problema é um: um governo minoritário como o que se adivinha - seja do PS ou PSD -, num país a atravessar uma crise como não tinha desde o princípio do século, é um governo que precisa de aliados como de um balão de oxigénio. Passos precisa de Portas - esse ser perigosamente inconfiável.
Passo não quer pedir o apoio a Portas. Quer ser orgulhoso. Mas precisa desesperadamente dele. Preferencialmente (para ele, não para mim) numa coligão pré-eleitoral.
Portas é tragicamente uma peça-chave na cena política actual.
Com o triângulo de ódio (quem duvida, que leia as declarações dos últimos anos...) em que Sócrates detesta Passos e Cavaco, Cavaco detesta Sócrates e Passos, e Passos detesta Sócrates e Cavaco; Passos precisa de Portas. E Passos quer desesperadamente ganhar e, além disso, governar com estabilidade.
Passo não quer pedir o apoio a Portas. Quer ser orgulhoso. Mas precisa desesperadamente dele. Preferencialmente (para ele, não para mim) numa coligão pré-eleitoral.
Portas é tragicamente uma peça-chave na cena política actual.
Com o triângulo de ódio (quem duvida, que leia as declarações dos últimos anos...) em que Sócrates detesta Passos e Cavaco, Cavaco detesta Sócrates e Passos, e Passos detesta Sócrates e Cavaco; Passos precisa de Portas. E Passos quer desesperadamente ganhar e, além disso, governar com estabilidade.
segunda-feira, abril 11, 2011
- O Salazar conhecia bem os vícios portugueses. Não é por acaso que hoje estamos a vê-los vir ao de cima. Salazar foi importantíssimo em 1932 nas finanças. A austeridade que praticou era de alguém que percebia bem o problema dos portugueses. Veja-se o que deram 35 anos de democracia. Outra coisa que percebia bem era a sede ao pote dos corruptos, aqueles que se metia na política só por dinheiro. Nestes dois pontos, ninguém o pode atacar. O Salazar obrigava os ministros a levarem mantas de casa para não gastar em aquecedores. Tirando isso, foi o coveiro de Portugal.
Um dos homens mais hipócritas de Portugal
http://www.youtube.com/watch?v=BUIooqx26SE
http://fotos.sapo.pt/andreiapeniche/fotos/?uid=GWbzdNCY7HJvUYzNRj4H
http://fotos.sapo.pt/andreiapeniche/fotos/?uid=GWbzdNCY7HJvUYzNRj4H
You know I hate
Culambistas (expressão do MEC). Aqueles que são bajuladores e servis com os de cima e déspotas e crúeis com os de baixo.
Fura-graves. Aqueles que combinam com os colegas agir colectivamente contra uma decisão injusta do poder arbitrário e que, na véspera, avisam a enidade patronal denunciando todos os nomes e, como é óbvio, faltando no dia da greve.
Escravos-bananas. Como aqueles que via nas praxes a serem aspergidos de perfume. «Caloiros cheiram mal! Caloiros cheiram mal!» Ia lá tirá-los e alguns: «Ah, mas tem de ser.» (Um ovo era quebrado na sua cabeça enquanto o amarelo deslizava pelos cabelos até à cara.)
Fura-graves. Aqueles que combinam com os colegas agir colectivamente contra uma decisão injusta do poder arbitrário e que, na véspera, avisam a enidade patronal denunciando todos os nomes e, como é óbvio, faltando no dia da greve.
Escravos-bananas. Como aqueles que via nas praxes a serem aspergidos de perfume. «Caloiros cheiram mal! Caloiros cheiram mal!» Ia lá tirá-los e alguns: «Ah, mas tem de ser.» (Um ovo era quebrado na sua cabeça enquanto o amarelo deslizava pelos cabelos até à cara.)
domingo, abril 10, 2011
You know what I hate
Homens que sentem como obrigatoriedade abrir a parte a uma mulher e que, se necessário, dão à volta ao automóvel para abrirem a porta à dama.
Cavalheiro = machista
Cavalheiro = machista
sábado, abril 09, 2011
sexta-feira, abril 08, 2011
quarta-feira, abril 06, 2011
terça-feira, abril 05, 2011
Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração.
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás. acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar.
Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás. acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar.
Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento
Se te queres industriar na arte de seduzir (mais superficial) ou conquistar (mais profunda) o fabuloso mundo da feminilidade, dedica-te a observar o comportamento dos homens com as mulheres e age nas antípodas do que 99% deles faz.
A arte da escrita é parecida com a arte da conquista.
Tens de ser verdadeiro parecendo falso. Tens de ser fingidamente verdadeiro.
Tens de ser subtil. Ou seja, tens de evitar comportamentos de puxar a manga da camisa e fazeres musculo e dizeres: "Olha que musculo tao forte que eu tenho!!!"
A escrita ensina-te isso. Deves ser gritar em silencio. Deves deixar os adjectivos, a necessidade de impressionar, a ostentacao. Largar o barroco e o rococó - isso soa a bazofia e exibicionismo. Deves insinuar os adjectivos a partir das tuas accoes e nao borrifares o texto dessas cores garridas. Deves deixas as coisas no subtexto - ou, se preferires, na entrelinhas. A seducao habita nas entrelinhas, no nao-dito, no nao-impingido.
E nao esquecas o essencial. Nao ha bicho mais perspicaz do que a mulher.
A arte da escrita é parecida com a arte da conquista.
Tens de ser verdadeiro parecendo falso. Tens de ser fingidamente verdadeiro.
Tens de ser subtil. Ou seja, tens de evitar comportamentos de puxar a manga da camisa e fazeres musculo e dizeres: "Olha que musculo tao forte que eu tenho!!!"
A escrita ensina-te isso. Deves ser gritar em silencio. Deves deixar os adjectivos, a necessidade de impressionar, a ostentacao. Largar o barroco e o rococó - isso soa a bazofia e exibicionismo. Deves insinuar os adjectivos a partir das tuas accoes e nao borrifares o texto dessas cores garridas. Deves deixas as coisas no subtexto - ou, se preferires, na entrelinhas. A seducao habita nas entrelinhas, no nao-dito, no nao-impingido.
E nao esquecas o essencial. Nao ha bicho mais perspicaz do que a mulher.
As pessoas tendem a pronunciar-se sobre as relacoes, o amor, a paixao com verdades absolutas. Ignoram que o tema é um tecido infinito que a Literatura borda dando sempre novas respostas. Porque cada amor é único, cada relacao irrepetível e cada juízo moral sobre o próximo em matéria de amor é como uma formiga a ralhar com um ser humano.
Em materia de amor, fala sobre o que viveste. Apenas. Não ergas a tua experiencia a verdade universal.
Em materia de amor, fala sobre o que viveste. Apenas. Não ergas a tua experiencia a verdade universal.
sábado, abril 02, 2011
Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/ procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.// Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./ Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite,/durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Mas não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração.
Brecht
Brecht
sexta-feira, abril 01, 2011
Bruno é nazi. Odeia os mais fracos, as minorias, os vencidos da vida. A namorada diz a medo aos conhecidos: ele é muito inseguro e tem tanta raiva da sua fragilidade que a quer matar nos outros.
Diana é uma sedutora compulsiva. 95% dos jogos que alimenta são inconsequentes - servem apenas de carne para os tentáculos do tubarão do seu ego. Estranhamente ou não, Diana faz estes jogos com totós, verdes emocionais e românticos idealistas incuráveis. Dir-se-á: porque são presas mais fáceis. Numa noite etílica, Diana confessou que foi durante adolescência muito romântica e crente nos homens - e que tinha raiva de se ter amachucado tanto por ser assim. Hoje, vinga-se nos que eram iguais a si no passado - como se quisesse punir os sentimentos que a fizeram sofrer.
Rui é um patrão que é extremamente tolerante, menos com faltas de pontualidade. Fica fulo. É a única coisa que nunca conseguiu corrigir em si: adormecer quase todos os dias para lá da hora a que queria chegar ao trabalho.
Diana é uma sedutora compulsiva. 95% dos jogos que alimenta são inconsequentes - servem apenas de carne para os tentáculos do tubarão do seu ego. Estranhamente ou não, Diana faz estes jogos com totós, verdes emocionais e românticos idealistas incuráveis. Dir-se-á: porque são presas mais fáceis. Numa noite etílica, Diana confessou que foi durante adolescência muito romântica e crente nos homens - e que tinha raiva de se ter amachucado tanto por ser assim. Hoje, vinga-se nos que eram iguais a si no passado - como se quisesse punir os sentimentos que a fizeram sofrer.
Rui é um patrão que é extremamente tolerante, menos com faltas de pontualidade. Fica fulo. É a única coisa que nunca conseguiu corrigir em si: adormecer quase todos os dias para lá da hora a que queria chegar ao trabalho.
Marlyn Monroe recebia, no pico da fama, 20 mil cartas de fãs por semana. Mas a superficialidade do afecto por mais numerosa que seja não preenche. E no seu caso não preencheu. Nunca. Instável e frágil permaneceu. Freudianamente, a explicação é simples: pai ausente desde a nascença, mãe que não a desejou ter e que foi proibida de a cuidar desde os 10 anos.
Das visões mais originais que conheço, uma delas é a do Nuno. Chamar-lhe-ia solipsismo cármico.
Ele entende que todas as pessoas que conhecemos - sei que o que irei expor não é facilmente entendível - são fruto da nossa cabeça. Isto é: se nos cruzamos com alguém autoritário, é porque há uma parte de autoritarismo nosso que precisamos de combater e que só vendo no Outro, percebemos o quão mau é. Se tens um colega arrogante durante uns meses - isso é uma forma do Universo te mandar analisar a tua arrogância. O Nuno irritou-se com um amigo extremamente loquaz que não escutava os outros. Pensou que, por vezes, era um egotista surdo aos outros. E melhorou-se.
Por vezes, são coisas escondidas nas gavetas do sótão da mente, diz o Nuno.
Mas tudo o que criamos na mente, replica hologramas na realidade.
Ele entende que todas as pessoas que conhecemos - sei que o que irei expor não é facilmente entendível - são fruto da nossa cabeça. Isto é: se nos cruzamos com alguém autoritário, é porque há uma parte de autoritarismo nosso que precisamos de combater e que só vendo no Outro, percebemos o quão mau é. Se tens um colega arrogante durante uns meses - isso é uma forma do Universo te mandar analisar a tua arrogância. O Nuno irritou-se com um amigo extremamente loquaz que não escutava os outros. Pensou que, por vezes, era um egotista surdo aos outros. E melhorou-se.
Por vezes, são coisas escondidas nas gavetas do sótão da mente, diz o Nuno.
Mas tudo o que criamos na mente, replica hologramas na realidade.
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