quinta-feira, março 31, 2011

SEM

Vê, o que a vida te entregou outrora numa bandeja de prata
que agora se desfaz na ferrugem que pernoita na saudade.
Vê, como a tarde se esqueceu de ti num canto distante do jardim ausente
e te cobriu com a poeira das sementes.
Vê, como os teus passos firmes fizeram estremecer as risadas
que ouves agora como sussurros ao longe.
Sente, o vento que te quebra os movimentos
e que te seca as lágrimas de veludo cansadas que se espreguiçam na tua face.
Deixa, a esperança que já fluiu entranhada no cais de partida
perder-se no abismo do desalento.
Apaga, com força a beata que seguras entre os dedos trémulos
tal como a vida apagou os sonhos vazios dos dias virgens.
Treme, pois os casacos que vestes com cheiro a comboios e barcos
não cobrirão a solidão dos teus amanheceres tardios.
Sacode, os pensamentos que em avalanche crias
para afagar os soluços da tua existência convulsa.
Vê, a vida como um barco à deriva fazendo pausas nos portos de memórias
que se fixaram em dunas desfeitas.

Sofia Leal

2 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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