quarta-feira, março 16, 2011

O senhor Almireu nasceu em Cabo Verde. Tem uma educação inexcedível e uma simpatia sobrehumana.

- Ohhhh, caro jovem - diz-me demorando um minuto para dizer a frase.

Saboreia cada sílaba. Saboreia até ao momento. Sabe usufruir de tudo. Para ele, ninguém é chato e nada é aborrecido. É feliz por isso - porque a sua felicidade é tão minimalista.

É tão autêntico o senhor Almireu. Não tem pressa. Vive cada momento. Dá-nos lições de vida a cada instante. Humílimo, dá-nos vinte a zero em cada com o seu modo de tratar o próximo.

Fala da doçura do coração do coração onde não habita o rancor nem a ansiedade.

Maltratado, sorri.

Passou por nós um homem que saía de um portentoso carro.

Eu pensei sem verbalizar: «Aqui-está-um-tipo-que-só-pensa-em-si-e-que-acha-que-é-alguém-por-ter-um-grande-fato-e-um-carro-de-topo.»

O senhor Almireu disse: «Viu, Angel? Viu a cara dele? Reparou bem na expressão do rosto? Aqui está um tipo que não pode ser feliz. Só pensa em si e acho que é alguém muito importante por ter um grande carro.»

1 comentário:

Anónimo disse...

... a diferença entre a genuinidade, a humildade, a docilidade do ser humano quase extinto e o outro que vive da fachada, da ostentação, das emoções de plástico, e que gosta de ser visto, o descartável, oco, e que infelizmente é o que mais prolifera por aí!!!!!
g.