quinta-feira, março 31, 2011

«A mulher está perto,junto de mim, e contudo não a conheço....esta distância infinitésimal implica simultaneamente, estranheza absoluta, afastamento de uma IPSIDADE radical e totalmente diferente ( GANZ ANDERE ), possuindo um cerne diferente, um outro elemento nuclear, e...a proximidade absoluta. A mulher é-me mais próxima do que eu a mim próprio; por outro lado amo-a com um amor precário, contestado, pôsto em causa, pela liberdade imprevísivel que a mulher incarna, essa liberdade que me indica o bater do meu coração, quando sinto a minha felicidade e vida em risco, em provação, uma liberdade que pode recusar-se-me, uma liberdade que tem de se merecer, que tem de ser demandada, que preciso de conquistar e de seguida reconquistar, pois se perde facilmente... A mulher é por conseguinte longínqua e próxima!... Não pode confundir-se necessidade da mulher com amor. A necessidade não pode alicerçar uma relação. Até o amor se torna suspeito se sinto necessidade de o ter... Aquele que apenas sente necessidade do outro não conheceu o amor...»

(VLADIMIR JANKÉLÉVITCH,em L'AUTRE DANS LA CONSCIENCE JUIVE-LE SACRÉE ET LE COUPLE,P.U.F.).

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