quinta-feira, março 31, 2011

SEM

Vê, o que a vida te entregou outrora numa bandeja de prata
que agora se desfaz na ferrugem que pernoita na saudade.
Vê, como a tarde se esqueceu de ti num canto distante do jardim ausente
e te cobriu com a poeira das sementes.
Vê, como os teus passos firmes fizeram estremecer as risadas
que ouves agora como sussurros ao longe.
Sente, o vento que te quebra os movimentos
e que te seca as lágrimas de veludo cansadas que se espreguiçam na tua face.
Deixa, a esperança que já fluiu entranhada no cais de partida
perder-se no abismo do desalento.
Apaga, com força a beata que seguras entre os dedos trémulos
tal como a vida apagou os sonhos vazios dos dias virgens.
Treme, pois os casacos que vestes com cheiro a comboios e barcos
não cobrirão a solidão dos teus amanheceres tardios.
Sacode, os pensamentos que em avalanche crias
para afagar os soluços da tua existência convulsa.
Vê, a vida como um barco à deriva fazendo pausas nos portos de memórias
que se fixaram em dunas desfeitas.

Sofia Leal
«A essencial capacidade humana de ENTRAR EM SI MESMO(o ENSIMESMAMENTO), tende no homem a ser um ACTO, porém na mulher tem um carácter mais habitual, estável e seguro: ESTAR EM SI MESMA. O que no homem é mais um acto vectorial, na mulher é uma instalação, por isso mesmo menos perceptível. A mulher pode estar em si própria -no decisivo,ensimesmada- enquanto faz inúmeras coisas, sobretudo as que afectam a vida quotidiana, sem que isso perturbe a sua estabilidade, o seu repouso interior»

«A INTRAHITÓRIA, DOMÍNIO DA MULHER», in JULIAN MARIAS, LA MUJER Y SU SOMBRA
«A mulher está perto,junto de mim, e contudo não a conheço....esta distância infinitésimal implica simultaneamente, estranheza absoluta, afastamento de uma IPSIDADE radical e totalmente diferente ( GANZ ANDERE ), possuindo um cerne diferente, um outro elemento nuclear, e...a proximidade absoluta. A mulher é-me mais próxima do que eu a mim próprio; por outro lado amo-a com um amor precário, contestado, pôsto em causa, pela liberdade imprevísivel que a mulher incarna, essa liberdade que me indica o bater do meu coração, quando sinto a minha felicidade e vida em risco, em provação, uma liberdade que pode recusar-se-me, uma liberdade que tem de se merecer, que tem de ser demandada, que preciso de conquistar e de seguida reconquistar, pois se perde facilmente... A mulher é por conseguinte longínqua e próxima!... Não pode confundir-se necessidade da mulher com amor. A necessidade não pode alicerçar uma relação. Até o amor se torna suspeito se sinto necessidade de o ter... Aquele que apenas sente necessidade do outro não conheceu o amor...»

(VLADIMIR JANKÉLÉVITCH,em L'AUTRE DANS LA CONSCIENCE JUIVE-LE SACRÉE ET LE COUPLE,P.U.F.).
Egrégora
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Egrégora, ou egrégoro para outros, (do grego egrêgorein, Velar, vigiar), é como se denomina a entidade criada a partir do coletivo pertencente a uma assembléia.
Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoros, estes estão presentes em todas as coletividades, sejam nas mais simples associações, ou mesmo nas assembléias religiosas, gerado pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.
Assim, todos os agrupamentos humanos possuem seus egrégoros característicos: as empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos etc., onde as energias dos indivíduos se unem formando uma entidade (espírito) autônomo e mais poderoso (o egrégoro), capaz de realizar no mundo visível as suas aspirações transmitidas ao mundo invisível pela coletividade geradora. Em miúdos, um egrégoro participa ativamente de qualquer meio, físico ou abstrato.
Quando a energia é deliberadamente gerada, ela forma um padrão, ou seja, tem a tendência de se manter como está e de influenciar o meio ao seu redor. No mais, os egrégoros são esferas (concentrações) de energia comum. Quando várias pessoas tem um mesmo objetivo comum, sua energia se agrupa e se "arranja" num egrégoro. Esse é um conceito místico-filosófico com vínculos muito próximos à teoria das formas-pensamento, onde todo pensamento e energia gerada têm existência, podendo circular livremente pelo cosmo.
Podemos exemplificar o egrégoro analisando um hospital. O principal objetivo dos que ali estão é promover a cura (independente de um êxito ou não) ou serem curados; portanto, um hospital carrega consigo um "egrégoro" que busca a cura. Aonde está esse egrégoro? No chão, nas paredes, no nome, recebendo e influenciando o espírito dos freqüentadores do hospital, dos funcionários, dos pacientes e visitantes. Muitas mentes voltadas para um único objetivo, eis a concentração de energia!
Da mesma maneira, uma missa, um encontro de algumas pessoas (ou muitas) voltadas para promover um mesmo fim (a cura de alguém, o fim de um problema e a superação de uma perda) tem um grande poder de formação de egrégoros.
Um egrégoro se caracteriza, em última análise, pelo espírito formado pela congregação, maior do que a soma de seus membros e cujas existências são cruciais para a sua formação.

quarta-feira, março 30, 2011

Milagre

Sem sair do quarto, o escritor consegue viajar pelos sítios mais espantosos.
- A única maneira de sermos bons é nunca acreditarmos que já somos bons.

terça-feira, março 29, 2011

Porque é que não me podes trazer outra vez a bandeja com o coração a arder?

Sofia Leal

domingo, março 27, 2011

- Vi sempre o que existia como um milagre inexplicável e finito.
- Ninguém tem um aroma natural doce. Só tu. Vem de dentro. A pele de ninguém é doce.

sábado, março 26, 2011

Artigo interessante sobre linguagem

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1815617&seccao=Anselmo%20Borges&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
https://www.facebook.com/event.php?eid=151360141595230

sexta-feira, março 25, 2011

Nunca me engano e raramente tenho dúvidas quanto aos meus ódios de estimação

Corrosivo. Carlos Queiroz não gostou de ser visado por Pepe, que ontem acusou o ex-seleccionador nacional de desestabilizar a equipa das quinas, e arrasou o defesa-central luso-brasileiro.

«Pepe parece não ter compreendido que eu sou o único a defender o Liedson e os outros jogadores da Selecção. Pepe parece uma figurinha menor de uma telenovela brasileira baixa. Ainda ele andava de chupeta na boca, a pensar que selecção iria representar, já eu oferecia títulos de campeão do Mundo a Portugal», disparou Queiroz, esta sexta-feira, à chegada a Lisboa.

«Pepe não tem legitimidade para falar por Tiago e Simão. Ele que não se meta na minha vida quando sou pontapeado na minha integridade, moral a profissional, assim como eu não me meto na vida dele quando pontapeia selvaticamente colegas de profissão na cabeça», atirou.

25-03-2011

Há quase 20 anos que odeio essa coisa que dá pelo nome de Carlos Queirós.

quinta-feira, março 24, 2011

www.renovaramouraria.pt
Vi uma anã com um namorado alto e bem-parecido. Fiquei feliz. Alguém disse: «O amor não escolhe alturas.» (Uma frase que pode ser metaforicamente mais do que parece.)
Um bom actor tem de conseguir compreender as pessoas e ter várias pessoas dentro de si - ele tem de ser muitos.
O assassino profissional e o homem que dá a vida pelo Outro procuram ambos o mesmo: a maximização da sua satisfação pessoal.

O próprio Dalai-Lama diz que só há dois tipos de pessoas: os egoístas sensatos (que se preocupam com o Outro) e os insensatos.
- Na vida, temos de conhecer a paleta completa para saber qual a cor e o matiz com que ficamos. Eu conheci loucas, executivas, intelectuais, frustradas, angélicas, maternais, fogosas. Acabei por ficar com aquela com quem me sentia bem no silêncio depois do orgasmo.
Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outras maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido.

Almada Negreiros

quarta-feira, março 23, 2011

O homem que vive sem dinheiro há 2 anos - TSF
www.tsf.pt
Neste tempo de crise e de falta de dinheiro, há um homem vive sem um cêntimo no bolso há mais de dois anos. Chama-se Mark Boyle e esteve no Porto, num encontro com que juntou pessoas com ideias para mudar o Mundo. A jornalista Leonor Ferreira antecipou-se foi entrevistá-lo... a um hotel de cinco estrelas. O paradoxo também é pela forma como Mark Boyle se apresenta. Afinal, é um economista, escritor ou alguém que vive à margem?

Para ouvir a entrevista:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1811791

terça-feira, março 22, 2011

-it's spring(all our night becomes day)o,it's spring!
all the pretty birds dive to the heart of the sky
all the little fish climb through the mind of the sea
(all the mountains are dancing;are dancing)

e. e. cummings
now i lay me down to dream of(nothing
i or any somebody or you
can begin to begin to imagine)

something which nobody may keep.
now i lay me down to dream of Spring

e.e. cummings

segunda-feira, março 21, 2011

Quando tinha sete anos, o meu pai costumava levar-me ao circo. Ele
tinha um farto bigode negro e usava um fato lindíssimo, com uma flor na
lapela. Ele gostava mais do circo do que eu. Mas havia um momento
que eu esperava sempre. Não me quero impor. Isto não é como cantar a sós com o Nietzsche. Mas havia uma altura, em que um homem aparecia e pedia a todos que acendessem um fósforo, para localizar cada pessoa. Era um momento mágico.


Leonard Cohen, in Live At The Isle Of Wight
A capacidade de apreensão das fundamentais normas de conduta é desigualmente distribuída à nascença.

Scott Fitzgerald

sábado, março 19, 2011

http://www.clubalice.com/index.php?file=1&id=5744

sexta-feira, março 18, 2011

- Quando era mais novo, ouvi uma conversa com o ouvido encostado ao balneário das raparigas. Estava no 6.º ano e isso marcou-me. A Cátia e a Bárbara falavam de mim. «Ele é muita giro.» «Eu vi-o hoje a olhar para mim numa aula. Fiquei tão corada!» Nunca imaginei que a Cátia ou a Bárbara alguma vez tivessem reparado em mim. Desde então, acho que uma parte de mim acredita sempre que as mulheres, por mais difíceis, por menos que me liguem, algures num balneário, confessarão, entre risinhos, que me adoram. Foi a primeira e última vez que escutei alguém em privado a falar - e falavam de mim como um ser amorável. Isso é uma secreta esperança que tenho contra todos os sinais em contrário - que o desprezo delas perante de mim seja sempre fingido.
A serenidade não é o móbil inspirador da escrita. A abulia emocional é um terreno onde nenhuma flor literária crescerá. Nesse estado, o escritor tem de conseguir voltar a arrancar de si estados de alma desassossegados, tumultuosos, monstros, nós da sua vida que pareçam bifurcações definitivas.

quinta-feira, março 17, 2011

Por favor, lê devagar... Transcrevi isto à mão

Lembre-se de que os jovens não lêem livros, lêem SMS, livros de BD, resumos no Kindle:o Hamlet em 25 palavras, o Lear em 50. Para ler seriamente, tem de haver condições. Para ler seriamente, é preciso silêncio. Não ponha música, tira a rádio e a televisão do quarto. Tem de saber viver, e conviver, com o silêncio. (Cada vez menos jovens querem viver com o silêncio. Na realidade, têm-lhe medo. O silêncio tornou-se, de resto, muito caro. Uma casa como esta, com um jardim sossegado, é uma exorbitância para um casal jovem, que vai possivelmente viver para um prédio, com paredes tão finas, que é possível ouvir tudo! Vivemos num inferno de ruído constante.) Tem de estar preparado para - e não riam de mim - saber passagens de cor. Aquilo que amamos, devemo-lo saber de cor. Não é por acaso que «coração» em latim é cor. Ninguém nos pode tirar nunca o que sabemos de cor. Deixem-me frisar saber, saborear de cor, com o coração, não com a cabeça. Queremos sempre levar connosco o que amamos. Eu sou muito velho, mas tento, todos os dias, ou quase todos, aprender um poemas, ou fragmentos de um poema, de cor, porque é assim que se agradece uma bela obra. Que outra maneira tenho eu de agradecer a Dante, a Cervantes, a Lope de Vega ou a Shakespeare? A partir do momento em que sabemos um poema de cor, algumas poucas linhas, ele começa a viver dentro de nós. Em terceiro lugar, precisa de ter alguma privacidade. Esta última condição é tremenda, provavelmente a mais difícil, em particular para os jovens de hoje. Actualmente, a privacidade é o inimigo n.º 1 de todo o jovem. Não só se confessa tudo a toda a gente, como é imperativo que o façamos imediatamente. Ninguém guarda a experiência, qualquer que ela seja, só para si. Então, três condições: silêncio, aprender de cor e privacidade. De outra forma, é impossível viver uma grande obra. Até porque as grandes obras são, geralmente, muito difíceis, exigentes. Querem algo de nós. Lêem-nos mais do que nós as lemos.

Shakespeare utilizava 24 mil palavras. Num estudo muito recente, pela companhia telefónica americana Bell, o total de palavras usadas por 90 dos americanos ao telefone é de 150 palavras.

Entrevista exclusiva de George Steiner à revista Ler
O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.

T. S. Eliot

e. e. cummings

quarta-feira, março 16, 2011

Ensino a afastarem-se de mim, mas quem se pode afastar de mim?
Quem quer que sejas, sigo-te desde este momento,
As minhas palavras hão-de atormentar-te os ouvidos até as compreenderes.

Walt Whitman
O senhor Almireu nasceu em Cabo Verde. Tem uma educação inexcedível e uma simpatia sobrehumana.

- Ohhhh, caro jovem - diz-me demorando um minuto para dizer a frase.

Saboreia cada sílaba. Saboreia até ao momento. Sabe usufruir de tudo. Para ele, ninguém é chato e nada é aborrecido. É feliz por isso - porque a sua felicidade é tão minimalista.

É tão autêntico o senhor Almireu. Não tem pressa. Vive cada momento. Dá-nos lições de vida a cada instante. Humílimo, dá-nos vinte a zero em cada com o seu modo de tratar o próximo.

Fala da doçura do coração do coração onde não habita o rancor nem a ansiedade.

Maltratado, sorri.

Passou por nós um homem que saía de um portentoso carro.

Eu pensei sem verbalizar: «Aqui-está-um-tipo-que-só-pensa-em-si-e-que-acha-que-é-alguém-por-ter-um-grande-fato-e-um-carro-de-topo.»

O senhor Almireu disse: «Viu, Angel? Viu a cara dele? Reparou bem na expressão do rosto? Aqui está um tipo que não pode ser feliz. Só pensa em si e acho que é alguém muito importante por ter um grande carro.»
Não gosto do Sócrates, mas gosto ainda menos das pessoas que só-dão-pontapés-em-cães-mortos.
grácil
adj. 2 gén.
1. Delgado e delicado; fino.
2. Magro.
3. Frágil, débil.
4. Subtil.
Plural: gráceis.
Andas de táxi em Portugal, em Lisboa, com um motorista preto e descobres o que é o racismo.

As pessoas olham de esguelha, o tipo da moto lançou um insulto baixo (sem sequer ter razão) por causa da faixa, os peões não agradecem na passadeira e a polícia quase enfia a cabeça dentro da janela como-que-a-dizer-mas-este-táxi-foi-roubado.

Imagina o que é trabalhares 12 horas por dia assim.

segunda-feira, março 14, 2011



Os homens dividem-se em dois: os que teriam algo com esta mulher e os que não teriam.

Tecnologia e os efeitos linguísticos destrutivos

Taiwan's Chinese-language Business Weekly magazine reported that the Chinese writing ability of Taiwanese students from elementary to graduate level is deteriorating. One main reason is that since Taiwan's education reforms, students at all levels do not read as much as their predecessors did. In addition, with TV, MP3 players and cellphones everywhere, it is rare to see someone reading. However, it is apparent that students learn to write primarily by carefully observing what is already written.
The English writing ability of students is also worsening year by year. One conspicuous indication of the disastrous performance is that more than 10 percent of the students who take the university entrance exam received a zero in the composition section of the English test.
Writing plays a pivotal role both in school life and in one's career. One of the most crucial points in education is to learn to communicate clearly and effectively in written language -- either in Chinese as the first language or English as a second or foreign language.
That is why many curriculums include courses that require reading and writing proficiency and which must be completed before graduation. Many jobs require a decent command of writing in different genres such as e-mails, letters, proposals, news reports, essays and papers.
Actually, the inadequate writing ability of the younger generation seems to be a universal phenomenon. It might be partly due to the frequent use of the Internet and informal writing.

Para continuar a leitura:
http://www.taipeitimes.com/News/editorials/archives/2007/09/04/2003377175

Taipei Times
Mania de acharmos que a Razão deve vencer tudo.

A neurociência cada vez nos revela mais o contrário - a emoção está por detrás mesmo de cada decisão «racional». Ela arranja sempre formas de fazer a razão pensar que foi ela que escolheu.

Porque dizemos sempre:

- Tu não tens sempre razão.

(como se fosse possível viver sempre racionalmente)

- Quem tem razão sou eu.

(como se isso fosse necessariamente algo positivo)

- A razão e o bom senso hão-de vir ao de cima.

(e isso será bom?)
Eu ofereço-te aquele núcleo de mim mesmo que de algum modo salvei – o coração central que não lida com palavras, não negocia com sonhos e é intocado pelo tempo, pela alegria, pelas adversidades.

Jorge Luis Borges
Há os contemplativos e os activos.

Os contemplativos limitam-se a ver a vida passar - como um filme.

Tudo ficará como dantes, nem melhor nem pior. Não interferem na edição do filme.

Não sinto que a vida seja um bilhete oferecido para apenas-ver-o-espectáculo.

domingo, março 13, 2011

- Obrigado.
- A justiça não se agradece.
- Devia haver uma maneira de gravarmos os sonhos.
A cultura não muda apenas a forma de pensar ou falar ou agir.

A cultura muda o timbre de voz, a profundidade do olhar, a forma de mexer a cabeça entre os ombros, o sorriso.
abnóxio [ks]
adjetivo
inocente, inofensivo, inócuo
(Do lat. ab-, «não» +noxìu-, «culpado»)

obnóxio [ks]
adjetivo
1. que se submete ao castigo
2. servil, submisso
3. trivial
4. funesto
5. prejudicial, nocivo, nefasto
6. esquisito, estranho
(Do lat. obnoxìu-, «submetido a»)
- Eu acho delicada a palavra delicada.
A vitória do amor será a última palavra da história do mundo.

Bento XVI
Em algum momento da tua vida conheceste o Éden?

sábado, março 12, 2011

O excesso de exigência tornar-te-á eremita.
Era uma pessoa tão interessante e magnética que para conseguir sobreviver teve de começar a cobrar o seu tempo. Começou por preços baixos. Nem assim a deixavam viver.

Decidiu:

- Conversa ao telefone. Cada 5 minutos, 15 €.

- Resposta a mail. 30 €. [Os mails eram sempre longos.]

- Encontro ao vivo. 200 € cada meia-hora.

Estava a começar a ter finalmente algum equilíbrio.
- Cortei com a vaidade do mundo.

sexta-feira, março 11, 2011

Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio.

Pablo Neruda

quinta-feira, março 10, 2011

O que se passaria entre eles nessa noite faria deles outras pessoas - nem melhores, nem piores, mais nunca mais as mesmas. O sucedido permaneceu inominável entre todos - mas pairava com um segredo silencioso - tácito, cúmplice, quase tangível.

quarta-feira, março 09, 2011

It is time to explain myself - let us stand up.
What is known I strip away,
I launch all men and women forward with me into the Unknown.
The clock indicates the moment - but what does eternity indicate?
We have thus far exhausted trillions of winters and summers,
There are trillions ahead, and trillions ahead of them.
Births have brought us richness and variety,
And other births will bring us richness and variety.
I do not call one greater and one smaller,
That which fills its period and place is equal to any.

Were mankind murderous or jealous upon you, my brother, my sister?
I am sorry for you, they are not murderous or jealous upon me,
All has been gentle with me, I keep no account with lamentation,
(What have I to do with lamentation?)

I am an acme of things accomplished, and I am encloser of things to be.
My feet strike an apex of the apices of the stairs,
On every step bunches of ages, and larger bunches between the steps,
All below duly traveled, and still I mount and mount.
Rise after rise bow the phantoms behind me,
Afar down I see the huge first Nothing, I know I was even there,
I waited unseen and always, and slept through the lethargic mist,
And took my time, and took no hurt from the fetid carbon.

Long was I hugged close - long and long.
Immense have been the preparations for me,
Faithful and friendly the arms that have helped me.

Walt Whitman


Sempre que estou triste, contemplar esta flor alegra-me, devolve-me a gratidão, o amor por todos os seres sencientes.
- O que é um académico, papá?
- É alguém que consegue tornar maçudo e chato o assunto mais interessante do mundo.

segunda-feira, março 07, 2011




Ao subir a pequena escada da minha casa paro a pensar se será mesmo real,
A madressilva da janela convence-me mais do que toda a metafísica dos
livros.

Contemplar o amanhecer!
A luz débil desvanece as sombras imensas e diáfanas,
o ar agrada ao meu paladar.


Walt Whitman

Na Sétima Arte, Mickey Rourke vai fazer o papel









Gareth Thomas, jogador profissional de râguebi, 35 anos e várias horas diárias no ginásio a levantar pesos. Tem 1,92 metros, 101 quilos, um porte imponente e é gay. Desatou a chorar mal pronunciou a palavra, nos balneários de Gales, em frente ao treinador e a dois colegas de equipa, durante um jogo, em Novembro de 2006.

Este fim-de-semana decidiu abrir um precedente. Ser o único jogador de râguebi assumidamente homossexual ainda em competição. "Espero que o meu exemplo faça diferença para todos os que estão numa situação parecida com a minha", disse em entrevista ao "Daily Mail". "Eu era como uma bomba-relógio. Pensei que podia reprimir este sentimento, mantê-lo fechado em algum canto escuro dentro de mim, mas foi impossível. Não podia ignorar durante muito mais tempo quem realmente era", desabafou.

No Verão de 2006, Thomas separou-se da mulher e evitou falar da sua homossexualidade na autobiografia "Alfie" (alcunha que deve ao facto de dizerem que é parecido com o boneco da série "Alf"), que publicou no ano seguinte. Para ele, ainda não era a altura certa. "Passei por todo o tipo de emoções ao tentar lidar com isto. Foi difícil esconder a minha orientação sexual. Por isso, quis ser um exemplo para os jovens gay ou bissexuais que no futuro queiram jogar râguebi", disse Thomas, que agora alinha pelo Cardiff Blues.

A ideia do suicídio foi uma das muitas que passaram pela cabeça do jogador. "Senti-me tão sozinho e deprimido. Cheguei a levar o carro para junto de uma falésia perto da minha casa. Só pensava em pôr um ponto final neste sofrimento todo. O meu maior medo era que os meus colegas de equipa descobrissem a minha homossexualidade, que pensassem que eu estava interessado neles e que me rejeitassem por isso." Mas tal não aconteceu. O Stephen Jones e o Martyn Williams (os dois colegas a quem confessou ser gay) tiveram a mesma reacção: "Não nos importamos, Thomas. Porque não nos contaste isso antes?", explicou Gareth, que sabia que era gay desde os 16 ou 17 anos. "Sabia que era, mas daí até aceitar o facto foi um longo caminho. Se tivesse contado tudo logo no início, nunca teria chegado onde cheguei no râguebi profissional. Transformei-me no mestre do disfarce. Era demasiado homem para aceitar um chá, e andava sempre metido em rixas e agressões porque não queria que me descobrissem. Cheguei a inventar façanhas sexuais."

Peter Tatchell, activista dos direitos dos homossexuais disse ao "Telegraph" que no râguebi há uma atitude mais relaxada em relação à homossexualidade do que no futebol. "Conheço quatro futebolistas bastante famosos que são gay, mas não têm coragem para se revelarem. Há muitos mais, sem dúvida. Chega a ser irónico até. Os jogadores gay e bissexuais são, regra geral, os mais machos em campo, mas quando se trata de sair do armário, são tímidos e levam anos a fazê-lo".

domingo, março 06, 2011

Muitos mails, muitos telefonemas. É raro alguém ter algo para oferecer. Normalmente, as pessoas têm algo a pedir.
- Todas as pessoas têm um grau de adaptabilidade nas conversas aos interesses do Outro. Se não o têm, são egocêntricos disfuncionais.
Uma rapariga falta a um encontro de amigos e envia um mail particular a uma amiga a dizer que está com uma depressão, contando pormenores da sua intimidade.

A amiga envia um mail a todos:

«A Sónia está com uma enorme depressão. [E destapa todos os segredos que a amiga só a ela contou.]»

Bato com a cabeça na parede e não compreendo e resigno-me a não compreender.

A privacidade é para mim um valor tão importante como a liberdade, a igualdade ou a segurança.

P.S. Informáticos dizem-me que possuir programas que permitem entrar dentro do IP de alguém, activar a webcam de forma que o utilizador não saiba e ficarem a ver a pessoa!!!! Dizem-me também possuir um programa que grava automaticamente todas as passwords e usernames que as pessoas colocam no computador.

sábado, março 05, 2011

Nunca entend[ere]i como há pessoas que vão a determinados sítios para verem-e-serem-vistos.

Infelizmente, este ver-e-ser-visto está instalado no meio da cultura. Ontem, fui a um lançamento de livro e parecia que estava numa festa da Caras.

Estavam lá os «notáveis» da cultura. Afastei-me e observei.

Os convivas sussurravam:

«Tens de ir falar com o Francisco Viegas. Parece que ele tem aí uma vaga nova.»

«Não me apetecia nada sair de casa com este frio, mas a Rita disse-me que iam cá estar os tubarões todos.»

«O da Teorema é preciso insistir, é preciso ir lá e insistir, insistir. Faz-se difícil. Ele foi despedido, mas temos de fingir que sabemos que foi ele quem se despediu.»

«Shiu... não digas mal dele... olha que te ouvem e estás queimado no meio.»

Um mostruário de futilidade, de oportunismo, de interesseirismo. Um nojo. Vomito estes novos senhores que entraram no sector do livro, sem qualquer amor pelo livro e com cifrões nos olhos.

Um das coisas de que mais me orgulho: nunca chupei a pila a ninguém.
Irritam-me as pessoas que com ar displicente, sobranceiro e céptico proferem frases como:

- Deves conseguir, deves...

- Foda-se, essa gaja que andaste a petiscar tinha de me pagar bem caro para dormir com ela! Viagra incluído...

- Oh pá, meninos como tu como eu ao pequeno-almoço.

- Tá bem, deves pensar que ganhas o totoloto todas as semanas...

- Olha, olha... olha-me este a acreditar no pai Natal.

Não confundir política externa com política interna

Aos esquizofrénicos de esquerda que defendem intransigentemente as teocracias e condenam Israel, pergunte-se-lhes:

- Preferias viver em Israel ou no Irão?

Factos sobre a precariedade

O grande argumento dos defensores da precariedade: esta aumenta o emprego.

A realidade: a precariedade aumentou e com ela o desemprego. O relatório da OCDE conclui o óbvio: não há relação entre a precarização do mundo laboral e o incremento do emprego.

O problema da precariedade é que há factores de (in)felicidade ou de qualidade vida que não são mensuráveis. A precariedade inviabiliza a construção de um plano de vida. E, assim, aumenta a ansiedade - mas isto não vem em dados estatísticos...
- Porque estás com ele?
- Porque ele dá-me estabilidade.
Uma das mais ancestrais questões filosóficas: as coisas não são boas porque Deus as aprova. Deus aprovas as coisas que são boas. Quem tiver ouvidos para ouvir, que oiça/entenda.
Jesus Cristo, quando lhe perguntam, se se deve tirar o homem que caiu ao poço a um sábado, uma vez que a lei decreta o sábado como o dia da inacção e da contemplação, responde:

- Hipócritas, qual de vós se o filho cair ao poço num sábado, não o irá salvar?

O homem não foi feito para o sábado. Mas o sábado é que foi feito para o homem.

É das metáforas mais poderosas do Novo Testamento. E das mais libertadoras.

Não entendem que o homem não foi feito para o sábado, mas que o sábado foi feito para o homem todos aqueles que acham que o casamento é o importante - e não o amor entre duas pessoas. Os que acham que o importante são as convenções - e não a consciência íntima. Os que acham que a sociedade deve ditar o modo como te vestes, como comes, como educas os teus filhos, como deves falar e agir com A, C, F, L, O e Z. Os que acham que os homens não podem usar saias. Os que acham são escravos dos despertadores, dos horários, das regras - sem nunca se questionarem porquê. Os que acham que ter família, carreira, carro e filhos são obrigações escritas no grande Livro Invisível.
Tendemos a pensar nos fortes como altivos, sobranceiros e cruéis. Mas é dos fracos, dos que carregam sentimentos de inferioridade, dos desamados que pode advir a Maior Violência.

Não é bem-amado da família mas o patinho feio aquele que mais rancor transporta - e com ele uma bolha de ódio prestes a explodir.

Não é o rapaz bem enturmado que vai entrar de metralhadora na escola e matar os colegas.

Não é o homem bem amado pela mulher que a vai cauterizar.

Não é o sujeito bem resolvido consigo que passa a vida em conflitos.
- Este é o meu amigo de que te falei que fuma slims de mentol.
- Ah, já sei quem é!
É preciso uma carapaça dura do eu para todos acharem que tu és corrupto quando tu és a pessoa mais honesta que conheces e não te ralares o mínimo.

Penso sempre nos condenados à morte inocentes que atravessam o corredor da morte... O que se agitará dentro deles?
Há tantos homens que ficam encadeados pela Beleza que se esquecem de tudo o resto.
«Chegas-te bem a casa?», ela escreveu na SMS e eu fiquei deprimido.
Para o primeiro ano deste segundo mandato e Cavaco Silva estão disponíveis 16 milhões de euros. Em 1976, havia apenas 99 mil euros para gastar. Mesmo sem contar com a inflação, em democracia, as despesas de Belém têm subido 18% por ano.

Diário de Notícias

sexta-feira, março 04, 2011

E vão sendo horas enfim de descermos o rio. Amanhã talvez? Hoje. Um dia. Estará uma noite quente, caminharemos de mãos dadas. O Anjo não virá, que teria lá de fazer? vamos nós. Não terei medo da tua presença com a toda a sua força de me fazer ajoelhar. Olharei o teu corpo na sua transparência incorruptível. Sofrerei em mim a descarga do universo e não gritarei o teu nome. Porque estará em mim e eu hei-de sabê-lo. A areia brilhará de uma luz pálida, pisá-la-emos devagar a um impulso fortíssimo e lento. Estaremos nus desde o início, sem vergonha anterior. Nudez primitiva, não a saberemos. Porque será uma nudez para antes de os deuses nascerem. Então mergulharemos nas águas do rio e deitar-nos-emos na areia. E olharemos o céu limpo e sem estrelas.E acharemos perfeitamente natural, porque a iluminação estará em nós. Erguer-nos-emos por fim e eu baixar-me-ei ao rio e trarei a água na concha das mãos. E derrámá-la-ei imensamente e devagar sobre a tua cabeça. E direi para toda a história futura, na eternidade de nós.
- Eu te baptizo em nome da Terra, dos astros e da perfeição.
E tu dirás está bem.

Em Nome da Terra, Vergílio Ferreira
Há quem tenha o «complexo de serviçal». São criaturas que interpretam tudo como uma ordem. Nunca podes dizer: «Passa-me aí a manteiga sff.»

«Passo se quiser!»

«Ok, desculpa, será que me poderias passar a manteiga?»

Tens de transformar cada ordem - mínima que seja - numa sugestão.

PCP e Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda é um partido mais desempoeirado quantos aos costumes do que o PCP. Seja nas drogas, nos direitos dos animais, na prostituição, na homossexualidade, na eutanásia, no serviço militar obrigatório.

O Bloco de Esquerda não defende Cuba nem a Coreia do Norte nem a China - além do asqueroso consentimento durante anos do estalinismo. Só este ponto mereceria o repúdio deste partido [PCP] que tem a lata de se sentar no parlamento.

O Bloco de Esquerda tem quadros intelectuais acima da média do PCP. Jerónimo e Louçã não têm, evidentemente, o mesmo nível intelectual - mas, em abono da verdade, também não têm o mesmo nível de autenticidade, humildade e simpatia.

O Bloco de Esquerda pratica mais o «direito à discórdia» do que o PCP.

O Bloco de Esquerda tem mais «carisma» e mais competências comunicacionais do que o PCP.

Tenho, contudo, mais respeito político pelo PCP do que pelo Bloco.

O PCP tem, de facto, uma ligação ao mundo sindical e ao mundo laboral.

O PCP tem - por mais abjecta que possa ser - uma ideologia.

O PCP não conhece a miséria e os operários por teses académicas ou por documentários do Canal História.

O PCP não é levado ao colo pela imprensa.

O PCP não tem cartazes teenagers e demagogos.

O PCP tem uma longa história de resistência à ditadura.

O PCP é o partido que apresenta mais projectos de lei.

O PCP não vive num saco de gatos de ego insuflado.

O PCP não diz que não apresenta uma moção de censura numa semana e noutra apresenta-a.

O PCP não se rege por critérios meramente eleitoralistas.

O PCP não é oportunista.

O PCP tem uma longa lista de anónimos voluntários que, entre outras coisas, montam sozinhos a Festa do Avante.

O PCP tem experiências autárquicas de sucesso - o Bloco só tem uma e, por azar!, pejada de acusações em tribunal de nepotismo, corrupção e tráfico de influências. Mais: a única autarquia bloquista tem - pasme-se!- touros de morte acerrimamente defendidos pela sua presidente.

O PCP tem experiências de cooperação com um partido de governo - por exemplo, na Câmara de Lisboa. O Bloco não consegue assumir uma posição de Estado e de defesa dos interesses nacionais - só lhe interessa o seu umbigo.

O PCP - e as palavras são do insuspeito socialista António Costa - sempre que assumiu um acordo, honrou-o - não entrou em lutas fratricidas como o Bloco com Sá Fernandes. O PCP não é apenas um partido de protesto - procura pugnar por, à sua discutível maneira, aquilo que julga ser o melhor para o país.
Character is like a tree and reputation is like its shadow.

Abraham Lincoln
Cuidado com o excesso de mundo interior não-partilhado. Leva à solidão.

quinta-feira, março 03, 2011

- Nunca senti ciúmes - ela disse e eu ouvi: «Sou das mulheres mais ciumentas do mundo.»
Mesmo o mentiroso mais compulsivo, um dia tem de necessidade de dizer uma verdade.

Mesmo o maior filho de puta, um dia tem necessidade de levar um cão atropelado ao veterinário.

Mesmo o maior filantrópico, um dia pensa: «eu quero é que as focas da Antárctida se fodam.»
Viver apoteoses sem testemunhas dos momentos é como ser o único ser humano na terra - dispondo de tudo, mas não tendo ninguém para partilhar.
Achas que se evita que um vulcão expluda por se soprar muito?

Pessoas que se abomina ao primeiro solilóquio sem hipótese de recuperação

- Mandei a stickada na gaja [a namorada] - disse com um gesto acompanhado de um punho fechado que se alonga até o braço estar esticado -, deitei-a, ela dormiu. Vim para casa, tomei a banhoca, pus um perfume, fui à festa do BBC e saquei a melhor gaja que lá tava. Mas um canhão. Vocês não tão a ver - e puxa do telemóvel à procura de uma foto.
Milan Kundera, n´A Brincadeira, diz (desvelando uma vértebra machista) que o maior triunfo sobre o inimigo é dormir com a sua mulher.
Tenho ouvido (e lido, principalmente) tantos exageros em torno da nova música dos Deolinda, nomeadamente a comparação estampada na primeira página do I entre Zeca Afonso e Deolinda.

São tantos os exageros que me permito um exagero contrário: comparar Zeca Afonso a Deolinda é como comparar Casablanca com os Morangos com Açúcar.
Hitler atacava a democracia de Weimar nos moldes exactos em que as pessoas que convocam a manifestação para a demissão de todos os políticos em Portugal.
Pensa: gostas de quem és?

terça-feira, março 01, 2011

Não encontrarás outras terras nem outros mares.
A cidade te seguirá. E nas mesmas ruas sem fim
errarás, nos mesmos bairros te perderás,
e nas mesmas moradas teus cabelos embranquecerão.
Onde quer que vás reencontrarás esta cidade.

Kavafis
A punição não deve ser maior do que o crime.

Gandhi disse que se todos aplicássemos o olho por olho, acabaríamos todos cegos.

A punição não deve ser maior do que o crime.

Uma coisa é uma lição que nos faz querer evoluir. Outra coisa é uma humilhação - que nos toca o ego e nos torna piores.

A punição não deve ser maior do que o crime.

Porque deve-se execrar o pecado, mas não o pecador. O homem encerra a humanidade - o vulcão do amor e o vulcão do ódio existem em nós, precisam é do fogo certo.

A punição não deve ser maior do que o crime.

Porque o homem é «ele próprio e a sua circunstância».

Porque há Bem e Mal, mas não há bons e maus.
Quais os segredos de que ti próprio escondes?
Já Marco Aurélio chamava de néscio àquele que não estava preparado para, dia a dia, tropeçar na estupidez, na ignorância, na crueldade.

Lembra-te dos momentos em que foste mais mesquinho, violento, tirano e injusto. Pensa devagar... encontrá-los-ás. Reflecte profundamente sobre o motivo. Faz a tua catarse.