Um das ideais-motriz que norteiam o meu pensamento é a a de que todo o excesso contém a sombra do seu oposto.
Foi por isso que os totalitarismos de esquerda ou de direita tinha muito mais em comum do que aquilo que os separava. (Daí a expressão de William Reich dos «fascismos vermelhos» e dos «fascismos negros»).
Alguém imensamente seguro de si esconde uma tremenda fragilidade.
Alguém que persegue muito a liberdade, as viagens, o estilhaçar das paredes da mente - no fundo, sente-se preso.
Quantos puritanos e julgadores da impureza alheia não põem velas em cus de criancinhas ou se masturbam em animatógrafos?
Uma das melhores pessoas que conheço contou-me há poucos dias:
- Angel, tu não imaginas os detalhes dos meus sonhos. As coisas que eu faço nos sonhos... há torturas que nem sei onde vou buscar. Inspirariam um filme de terror.
(Fiquei assustado e triste.)
Só disse:
- Tu?!
Imagino que seja o escape para as suas pulsões más a que o seu corpo ético rígido não dê vazão.
Todo o excesso contém a sombra do seu oposto.
domingo, fevereiro 20, 2011
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