domingo, fevereiro 20, 2011

O caminho do meio aristotélico

Um das ideais-motriz que norteiam o meu pensamento é a a de que todo o excesso contém a sombra do seu oposto.

Foi por isso que os totalitarismos de esquerda ou de direita tinha muito mais em comum do que aquilo que os separava. (Daí a expressão de William Reich dos «fascismos vermelhos» e dos «fascismos negros»).


Alguém imensamente seguro de si esconde uma tremenda fragilidade.

Alguém que persegue muito a liberdade, as viagens, o estilhaçar das paredes da mente - no fundo, sente-se preso.

Quantos puritanos e julgadores da impureza alheia não põem velas em cus de criancinhas ou se masturbam em animatógrafos?

Uma das melhores pessoas que conheço contou-me há poucos dias:

- Angel, tu não imaginas os detalhes dos meus sonhos. As coisas que eu faço nos sonhos... há torturas que nem sei onde vou buscar. Inspirariam um filme de terror.

(Fiquei assustado e triste.)

Só disse:

- Tu?!

Imagino que seja o escape para as suas pulsões más a que o seu corpo ético rígido não dê vazão.

Todo o excesso contém a sombra do seu oposto.

Sem comentários: