terça-feira, fevereiro 08, 2011

António Lobo Antunes, prefaciando A Letra Escarlate, afirma que o livro roça a pieguice, a lamechice romântica sem nunca tocar nela. É esse o mérito de uma obra-prima: ser tangencial ao vulgar e nunca tocar nele.

Walt Whitman celebra a vida. A linha divisória entre os seus versos e um manual de auto-ajuda é ténue, mas separa-os a fronteira do génio.


É possível criar uma obra-prima que diga que somos todos lindos e maravilhosos, que a vida é maravilhosa, que não há dramas mas apenas percepções distorcidas? Walt Whitman demonstrou que sim.

É extraordinariamente mais difícil pegar num tópico vulgar e manuseá-lo de forma invulgar. Como o funambulista que anda sempre na corda bamba, mas que nunca cai (neste caso, no mau gosto, no kitsch, no cliché).

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