sábado, janeiro 29, 2011

WHY?

A polícia ugandesa confirmou a morte de David Kato, não querendo avançar mais detalhes sobre a “investigação pendente”. O advogado do activista, John Francis Onyango, precisou que o assassinato se deu ontem, perto das 13h30, quando um homem entrou em casa de Kato, em Mukono, e o alvejou duas vezes na cabeça. Segundo Onyango, a polícia recebeu informação da matrícula do carro em que o suspeito assassino fugiu.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, em comunicado divulgado esta manhã, refere porém com base em testemunhos dados à polícia que o activista foi agredido com duas pancadas violentas na cabeça, muito provavelmente com um martelo, e morreu já ao ser transportado para o hospital de Kawolo.

David Kato, militante da associação Minorias Sexuais do Uganda (Smug), fora identificado – com nome e fotografia – como sendo homossexual pelo tablóide ugandês "Rolling Stone" (sem qualquer relação com a revista musical norte-americana com o mesmo nome). Ele e outros dois homens eram identificados naquele artigo, o primeiro de uma longa série, publicado em 2010, intitulado “Enforquem-nos” e no qual era feito um apelo para “atar” os activistas homossexuais.

Em Novembro passado, na esteira de uma queixa judicial apresentada por David Kato, um juiz proibiu aquele tablóide de continuar a publicar fotografias de pessoas identificadas como homossexuais, justificando que tal viola o direito à privacidade – até aí o jornal tinha publicado as fotografias de 29 pessoas, identificando-as pelo nome e, em alguns casos, dando as suas moradas.

Vários activistas no país afirmam ter sido atacados devido àquela publicação e o próprio Kato já alertara ter recebido ameaças de morte.

Os EUA já condenaram esta morte, através do sub-secretário de Estado para África, Johnnie Carson. "Ficámos horrorizados com a morte do célebre militante pelos direitos humanos David Kato", escreveu Carson numa mensagem no Twitter.

Também o presidente do Parlamento Europeu, Jersy Busek, lançou um apelo às autoridades do Uganda para que os responsáveis por esta morte sejam julgados, e para que um projecto de lei contra os homossexuais seja abandonado. "Lamento que o Uganda continue a ser um país onde a homossexualidade é considerada um crime", disse à AFP. E adiantou: "David Kato era um homem que combatia pelo direito de as pessoas viverem livremente no Uganda, qualquer que fosse a sua orientação sexual e lanço um apelo para que os autores deste crime sejam levados perante a justiça".

Os actos homossexuais são considerados crime no Uganda, com penas previstas até 14 anos de prisão. Um deputado ugandês lançou uma proposta em Outubro de 2009 para que as penas fossem aumentadas, em alguns casos, até à pena de morte para os "criminosos reincidentes" – e contra a qual Kato fez campanha. A proposta acabou por ser abandonada, discretamente, depois de uma vaga de críticas da comunidade internacional.

O director do tablóide homofóbico, Giles Muhame, desvalorizou a relação entre os artigos que publicara e a morte do activista: "É mau se ele foi assassinado e rezamos pela sua alma. Mas têm havido muitos crimes e [a morte de Kato] pode não se dever a ele ser gay. Nós queremos que o Governo enforque as pessoas que promovem a homossexualidade, não que o público as ataque. O que dissemos foi que devem ser enforcados, não apedrejados ou atacados", explicou, citado pela agência noticiosa britânica Reuters.

1 comentário:

Anónimo disse...

'US Weekly'
Revista com Elton John é censurada nos EUA
por Ana Filipe Silveira
27 Janeiro 2011


A cadeia de supermercados Harps tapou a capa da revista exposta nas suas prateleiras "para proteger os jovens clientes".

Foi com a justificação de "proteger as crianças" que a cadeia de supermercados Harps, nos EUA, retirou das suas bancas a edição da US Weekly que tem na capa Elton John, o seu marido David Furnish e o filho de ambos.

A revista norte-americana publicou imagens exclusivas do filho do cantor, Zachary, que nasceu a 25 de Dezembro através de uma barriga de aluguer. A Harps optou por tapar a capa da publicação, exposta nas suas prateleiras, com um papel com a mensagem "Escudo familiar. Para proteger os jovens clientes da Harps".

No entanto, depois de diversas manifestações de desagrado, tanto na rede social Twitter como nas próprias lojas, a empresa resolveu voltar atrás com a decisão e vender, sem censura, a US Weekly.


Enquanto acontecerem "cenas" destas no suposto e auto-intitulado "1º mundo", que poderemos esperar dos países com tradições muito mais "arcaicas" e violentas?!

HP

P.S O exemplo em cima, não passa disso mesmo, apenas de um exemplo "cor-de-rosa" ... em relação à violência e aos factos do texto aqui relatado!!!