terça-feira, janeiro 25, 2011

- O Vergílio Ferreira está num plano acima dos outros escritores. Porque ele era um interrogador disto tudo. Porque vivemos? Consegue responder? Porquê a vida? E depois: para quê viver? Para quê? Fiz ontem oitenta anos e cada vez mais tenho a certeza de que existe qualquer coisa depois da morte. Dizem-me: bom, então acredita na vida depois da morte. Eu não gosto do verbo acreditar, sabe, porque quem acredita deixa de ter dúvidas e de interrogar. E, de resto, se vir bem, mesmo quem acredita não consegue definir que coisa é essa que há depois da morte. E ninguém tem uma definição exactamente igual à de outro. A resposta é sempre individual. Uma coisa é clara para mim: se isto não tem continuidade, então porra, isto não tem sentido nenhum. Não é lógico. No meu aniversário, pus-me a olhar para a fotografia do Vergílio. É uma fotografia que tenho dele que lhe captou um sorriso... É um sorriso de quem entreviu outro plano ou outros planos. E eu perguntei-lhe: Vergílio, tu que já partiste, diz-me lá, em que plano estás tu?

1 comentário:

Anónimo disse...

... no horizontal!