terça-feira, janeiro 04, 2011

Azul

Nesse teu céu sinto só perfídia cega;
e no azul só a cor da minha veia
saciando sanguessuga que se pega.

Nesse teu céu oiço uivos de alcateia,
fome de predador que à noite chega,
risos de aranha, azuis como a teia
que seduz transparências de uma entrega.

Mas eis que o azul se faz cinza na ideia
e morre a história de um verme sedento
de inocência, de limpo céu azul,
de sumo da entrega de uma vida.

E assim sorvo este sumo vinagrento
de um tal fruto, esquecido em tons de azul
de bolor de amizade corrompida...

Pedro Santos

3 comentários:

Anónimo disse...

Por vezes é mesmo necessário que o azul se faça cinza e que as histórias morram...

Bem haja sofrimento...
Bem haja tempo...

Joana

Anónimo disse...

Quem é Pedro Santos? Fiquei curiosa... :)

V.

Anónimo disse...

Sou eu. Prazer! :-)
Abnóxio Energúmeno