quinta-feira, janeiro 27, 2011

Megalomanias

Já escrevi o discurso para o caso de um dia vencer o prémio Nobel da Literatura.


«Desde sempre, quis ser escritor. É um ofício que implica anos e anos e anos de combate. Passa-se a vida a ler, a observar, a reflectir, a pelejar por encontrarmos a nossa própria voz contra os triliões de livros que nos garantem que já tudo foi dito.

Tudo desaparece um dia. As experiências, o amor, os laços entre as pessoas, o prazer, o sofrimento. A Literatura é, para mim, a tentativa mais plausível de alcançar a perenidade. A única luta em que somos capazes de derrotar a morte.

O escritor deve procurar uma força centrípeta no centro do papel - uma força colossal que sugue tudo, todas as vidas, todo o mundo, todas as casas, todas as ruas, todas as pessoas, todos os acontecimentos, todas as ideias, todos os sentimentos, para o centro da folha; vertendo tudo o que existe e não existe sob a forma de palavras.

O dinheiro que me é ofertado será utilizado para a criação de um fundo que todos os anos premeie um país que tenha abolido a pena de morte.

Obrigado.»

6 comentários:

Anónimo disse...

ser perene é uma ambição porreira. como te compreendo.

já percebi que a partir vidros, a construir castelos de areia (ou mesmo de palha), a vociferar fortes impropérios para magoar quem está no poder (ou na casa de banho), não chego lá...

hei-de conseguir! (mas podes ficar com o nobel, a menos que mudem a entrega para um sítio quente. só assim é que tens de te preocupar comigo...)

Anónimo disse...

Eu escolho ser utópica... no dia em que te ouvir proferir este discurso, espero que todos os países do mundo tenham abolido a pena de morte :))
M.

Anónimo disse...

Eu prefiro ser realista ... escreve, escreve ... senão de que vale estar aqui a discutirmos a abolição da pena de morte?!
HP

Anónimo disse...

Quando se dirigem a mim (exemplo: quem escreveu às 5.57), seria bom assumirem-se. Obrigado. Angel

Anónimo disse...

Gostava muito que o ganhasses um dia. Queria dizer que terias escrito vasta obra. Gosto muito de te ler - continua e não tenhas medo. :)

V.

Anónimo disse...

miguel estêvão pato, o escritor das quase seis