sábado, janeiro 08, 2011

Lou Andreas-Salomé

Uma mulher que nunca se ligou emocionalmente a um homem e a quem muitos homens se ligaram emocionalmente. Despertou, não sendo bela, paixões fatais. Nietzsche, Paul Rée, Rilke (este último jovem e ela já de meia-idade) sucumbiram-lhe. Wagner e Freud ficaram encantados. Era uma mulher desprendida, à frente do seu tempo, que chocava pela sua modernidade. Teve inúmeros amantes (apaixonadíssimos) e nunca teve pudor em afirmar o seu estatuto de mulher-homem numa época arreigadamente machista. Se não fosse ela, Nietzsche não teria escrito Zaratrusta. Escandalizava e fascinava. Produziu literariamente e escreveu:


Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
Algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!
Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!

Ela não tinha, mas eles, talvez por essa característica, fizeram dela a sua necessidade vital.

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