segunda-feira, janeiro 10, 2011

Gurdjieff escreve, em Encontros com Homens Notáveis, que numa viagem sua ao Oriente, falou com dois homens, líderes espirituais.

Sterkens era cativante, tinha verve e as suas palavras entravam nos seus ouvintes como verdades. Todos comentavam: «Desde que o ouvi falar que tenho visto as coisas sobre outra perspectiva.» Era impressionante como os seus diálogos espirituais faziam tudo o sentido. Eram racionais.

Arkus era velho e os seus discursos eram extremamente aborrecidos. «Não ficávamos sequer com nada na cabeça. Só dizia coisas sem nexo, a que não ligávamos nenhuma.»

Passados alguns dias, Gurdjieff e os outros ouvintes, foram acometidos de um estranho fenómeno. As palavras de Sterkens eram esquecidas e as de Arkus, que pareciam nem ter entrado pelo ouvido, ficavam perenemente gravadas no espírito. Eram verdades que demoravam a sedimentar, mas que depois faziam sentido e ecoavam como verdades reveladas durante anos.

Gurdjieff explicava que enquando Sterkens falava do intelecto, Arkus falava a partir do ser. E quando alguém comunica a partir das vísceras do seu ser, a mensagem é perente. Liberta a cortina do intelecto, resplandece o brilhante e intocado ser.

1 comentário:

Anónimo disse...

E por isso Arkus continuou a ser o escolhido para espalhar a palavra, o sentimento e os ensinamentos daquela escola...

Joana