Gurdjieff escreve, em Encontros com Homens Notáveis, que numa viagem sua ao Oriente, falou com dois homens, líderes espirituais.
Sterkens era cativante, tinha verve e as suas palavras entravam nos seus ouvintes como verdades. Todos comentavam: «Desde que o ouvi falar que tenho visto as coisas sobre outra perspectiva.» Era impressionante como os seus diálogos espirituais faziam tudo o sentido. Eram racionais.
Arkus era velho e os seus discursos eram extremamente aborrecidos. «Não ficávamos sequer com nada na cabeça. Só dizia coisas sem nexo, a que não ligávamos nenhuma.»
Passados alguns dias, Gurdjieff e os outros ouvintes, foram acometidos de um estranho fenómeno. As palavras de Sterkens eram esquecidas e as de Arkus, que pareciam nem ter entrado pelo ouvido, ficavam perenemente gravadas no espírito. Eram verdades que demoravam a sedimentar, mas que depois faziam sentido e ecoavam como verdades reveladas durante anos.
Gurdjieff explicava que enquando Sterkens falava do intelecto, Arkus falava a partir do ser. E quando alguém comunica a partir das vísceras do seu ser, a mensagem é perente. Liberta a cortina do intelecto, resplandece o brilhante e intocado ser.
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1 comentário:
E por isso Arkus continuou a ser o escolhido para espalhar a palavra, o sentimento e os ensinamentos daquela escola...
Joana
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