Cólera
(Auto-retrato 2)
Quando a pérfida cólera se instala
No meu peito de vidro transparente
É prenúncio de fim, é sol poente,
Aurora de um rancor que não se cala.
O crepúsculo diz-me, nesta sala,
Que tudo terminou. E, de repente,
Este olhar que te atiro já desmente
Calma aparente, o meu verniz, que estala.
Este olhar que te atiro a contragosto
É cólera. Rebenta a flor funesta
Do nosso adeus, à luz deste sol posto.
Sim! Nunca mais verás este meu rosto,
Este rosto que a cólera me empresta
Quando esta já é mestra do desgosto.
Pedro Santos
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1 comentário:
Olá Pedro. :)
Os teus poemas são um jogo de palavras fantástico - vão muito além do óbvio e nem sempre fáceis de interpretar... Parabéns!
Agradeço ao sr. João pela partilha.
V.
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