sábado, janeiro 08, 2011

Cólera

(Auto-retrato 2)


Quando a pérfida cólera se instala
No meu peito de vidro transparente
É prenúncio de fim, é sol poente,
Aurora de um rancor que não se cala.

O crepúsculo diz-me, nesta sala,
Que tudo terminou. E, de repente,
Este olhar que te atiro já desmente
Calma aparente, o meu verniz, que estala.

Este olhar que te atiro a contragosto
É cólera. Rebenta a flor funesta
Do nosso adeus, à luz deste sol posto.

Sim! Nunca mais verás este meu rosto,
Este rosto que a cólera me empresta
Quando esta já é mestra do desgosto.

Pedro Santos

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá Pedro. :)
Os teus poemas são um jogo de palavras fantástico - vão muito além do óbvio e nem sempre fáceis de interpretar... Parabéns!

Agradeço ao sr. João pela partilha.

V.