segunda-feira, janeiro 31, 2011

A minha vida é uma sala de cinema que todos os dias tem filmes novos.
Memória eidética
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Memória eidética, ou fotográfica [1], é a capacidade de se lembrar de coisas ouvidas e vistas, com um nível de detalhe quase perfeito. É um tipo de quase-memória sensorial, cujo tempo de permanência é de cerca de 20 milissegundos. Precede a memória de curto prazo.

Em filosofia, se refere à essência do conhecimento intuitivo eidética (eides, em grego). As diferentes possibilidades de conhecimento do fenômeno (aparência) e o númeno (coisa em si) é uma discussão que vem, pelo menos, de Immanuel Kant. Podemos acrescentar que a distinção entre o conhecimento da coisa em si e o conhecimento de nossa percepção das coisas é a questão fundamental da alegoria "da Caverna" de Platão, filósofo grego clássico. Para resolver a actual fenomenologia de Husserl, o conceito eidético é central.

Na psicologia, as pessoas com hipertrofia da memória eidética podem se lembrar de algo que você não viu ou ouviu, mesmo que tenham recebido apenas uma vez e de maneira fugaz. Em geral, as memórias são menos claras e de percepções menos detalhadas, mas às vezes a imagem memorizada está completa em cada detalhe. Este fenômeno ocorre freqüentemente em crianças, que às vezes são capazes de reconstruir uma imagem tão completamente, que podem começar a soletrar uma página inteira escrita em um idioma desconhecido, ainda que mal a tenham visto por um tempo. Aqueles que tem memória eidética são capazes de retroceder aos dados de sua percepção visual através da memória eidética e projetá-los em uma tela de lona.

Os benefícios do tabaco

Viver sem fumar é como escrever sem pontuação. Pelo menos, para mim. A pequena cerimónia de acender um cigarro marca um "tempo": o princípio do dia, o princípio do trabalho, cada intervalo ou cada distracção, o alívio (ou o prazer) de acabar qualquer coisa, o almoço (quando almoço), o jantar (quando janto), o fim do dia, antes de fechar a luz, como um ponto parágrafo. O cigarro divide, acentua, encoraja, consola. Abre e fecha. É uma estação e uma recapitulação. "Já cheguei aqui. Falta ainda isto, isto e aquilo". Nas poucas vezes que tentei não fumar, tinha um sentimento de desordem, de arbitrariedade, de não saber passar de um frase a outra ou de um capítulo ao capítulo seguinte. Os fumadores, se repararem bem, não fumam ao acaso; fumam com ritmo.O cigarro também é uma companhia. Sobretudo para quem trabalha sozinho. A maior parte das pessoas vai falando, pouco ou muito, durante o trabalho. Por necessidade ou por gozo próprio. Do "serviço" à intriga, há milhares de oportunidades para o grande e simpático exercício de conhecer o próximo: para gostar dele ou para o detestar, para o observar, o comentar ou o intrigar. De porta fechada, à frente de um computador ou de um livro, não há nada à volta. Aí o cigarro ajuda. É um fiel amigo: a pausa que torna o resto tolerável. E que, além disso, recompensa uma boa ideia ou manifesta o entusiasmo ou a execração pelo que se leu. Com quem se pode conversar senão com o cigarro? De certa maneira, o cigarro substitui a humanidade; e não me obriguem a fazer analogias. Mas, principalmente, fumar serve para pensar. Quando, a ler ou a escrever, paro a meio de uma página, porque me perdi num argumento ou não consigo imaginar como se continua, pego num cigarro e penso. Não me levanto, não me agito, não abro a boca, não me distraio. Fumo e procuro com paciência a asneira. O cigarro concentra e acalma. Restabelece, por assim dizer, a normalidade. E este efeito "normalizador" é com certeza uma das suas maiores virtudes. Não comecei a fumar para ser adulto ou "viril". Comecei a fumar porque sou horrorosamente tímido e porque o cigarro é com certeza a maior defesa dos tímidos. Primeiro, porque ocupa as mãos e simula um arzinho de à-vontade. E, segundo, porque esconde e protege ou cria a ilusão de que esconde e protege. Por detrás de um cigarro, o mundo parece mais seguro. Mesmo se andam por aí a garantir que não.

Vasco Pulido Valente

Psicanálise

Nicole Diver não gostava de homens que se aproximassem dela de forma doce. O seu pai abusara dela quando era miúda e, antes de o fazer, cantava-lhe as mais doces canções. Um homem, para se aproximar dela, tinha de ser tudo menos sweet.

domingo, janeiro 30, 2011

Livrarias Modernas

Entro na livraria do Monumental (Bookstore?) e vejo o 1984 na secção de Psicologia. Os livros com maior destaque estão pejados de capas com os filmes respectivos (até aos clássicos já fazem isto).

Observo as pessoas. Não há uma pessoa dentro da livraria que não esteja a tactear os livros em voga. Os tais best sellers que nunca serão long sellers. Os que sobram procuram apenas livros «técnicos» - para alguma tese, para alguma cadeira e um sobre o Windows Vista.

Vou à caixa. Pergunto títulos de clássicos. Não há, dizem.

Acrescentam:

- Tem a certeza que existe?

(Só falta dizerem: o Tolstoi não é fashion.)
a poem is a city where god rides naked

Charles Bukowski

sábado, janeiro 29, 2011

Qualquer pessoa com o coeficiente-mínimo-de-mundo sabe o que se segue à frase:

- Há uma coisa que gostaria de te dizer porque não queria que viesses a saber por outra pessoa.

(eu tenho alguém)

Para o jogador, contudo, esta frase não é dramática. Ele conhece a amplitude do tempo e a dissolução de todos os laços. Ele sabe que as paixões não são eternas, relativiza tudo e tem uma infinita capacidade de regeneração da esperança.

Além de uma voz que lhe sussurra sempre:

- Um dia, ela voltará.

(like all the other ones do)

WHY?

A polícia ugandesa confirmou a morte de David Kato, não querendo avançar mais detalhes sobre a “investigação pendente”. O advogado do activista, John Francis Onyango, precisou que o assassinato se deu ontem, perto das 13h30, quando um homem entrou em casa de Kato, em Mukono, e o alvejou duas vezes na cabeça. Segundo Onyango, a polícia recebeu informação da matrícula do carro em que o suspeito assassino fugiu.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, em comunicado divulgado esta manhã, refere porém com base em testemunhos dados à polícia que o activista foi agredido com duas pancadas violentas na cabeça, muito provavelmente com um martelo, e morreu já ao ser transportado para o hospital de Kawolo.

David Kato, militante da associação Minorias Sexuais do Uganda (Smug), fora identificado – com nome e fotografia – como sendo homossexual pelo tablóide ugandês "Rolling Stone" (sem qualquer relação com a revista musical norte-americana com o mesmo nome). Ele e outros dois homens eram identificados naquele artigo, o primeiro de uma longa série, publicado em 2010, intitulado “Enforquem-nos” e no qual era feito um apelo para “atar” os activistas homossexuais.

Em Novembro passado, na esteira de uma queixa judicial apresentada por David Kato, um juiz proibiu aquele tablóide de continuar a publicar fotografias de pessoas identificadas como homossexuais, justificando que tal viola o direito à privacidade – até aí o jornal tinha publicado as fotografias de 29 pessoas, identificando-as pelo nome e, em alguns casos, dando as suas moradas.

Vários activistas no país afirmam ter sido atacados devido àquela publicação e o próprio Kato já alertara ter recebido ameaças de morte.

Os EUA já condenaram esta morte, através do sub-secretário de Estado para África, Johnnie Carson. "Ficámos horrorizados com a morte do célebre militante pelos direitos humanos David Kato", escreveu Carson numa mensagem no Twitter.

Também o presidente do Parlamento Europeu, Jersy Busek, lançou um apelo às autoridades do Uganda para que os responsáveis por esta morte sejam julgados, e para que um projecto de lei contra os homossexuais seja abandonado. "Lamento que o Uganda continue a ser um país onde a homossexualidade é considerada um crime", disse à AFP. E adiantou: "David Kato era um homem que combatia pelo direito de as pessoas viverem livremente no Uganda, qualquer que fosse a sua orientação sexual e lanço um apelo para que os autores deste crime sejam levados perante a justiça".

Os actos homossexuais são considerados crime no Uganda, com penas previstas até 14 anos de prisão. Um deputado ugandês lançou uma proposta em Outubro de 2009 para que as penas fossem aumentadas, em alguns casos, até à pena de morte para os "criminosos reincidentes" – e contra a qual Kato fez campanha. A proposta acabou por ser abandonada, discretamente, depois de uma vaga de críticas da comunidade internacional.

O director do tablóide homofóbico, Giles Muhame, desvalorizou a relação entre os artigos que publicara e a morte do activista: "É mau se ele foi assassinado e rezamos pela sua alma. Mas têm havido muitos crimes e [a morte de Kato] pode não se dever a ele ser gay. Nós queremos que o Governo enforque as pessoas que promovem a homossexualidade, não que o público as ataque. O que dissemos foi que devem ser enforcados, não apedrejados ou atacados", explicou, citado pela agência noticiosa britânica Reuters.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

- Imagino que tens um princípio, como eu, mas ainda te não descobri o fim e quando penso em ti-palavra-em-mim és vento.

Megalomanias

Já escrevi o discurso para o caso de um dia vencer o prémio Nobel da Literatura.


«Desde sempre, quis ser escritor. É um ofício que implica anos e anos e anos de combate. Passa-se a vida a ler, a observar, a reflectir, a pelejar por encontrarmos a nossa própria voz contra os triliões de livros que nos garantem que já tudo foi dito.

Tudo desaparece um dia. As experiências, o amor, os laços entre as pessoas, o prazer, o sofrimento. A Literatura é, para mim, a tentativa mais plausível de alcançar a perenidade. A única luta em que somos capazes de derrotar a morte.

O escritor deve procurar uma força centrípeta no centro do papel - uma força colossal que sugue tudo, todas as vidas, todo o mundo, todas as casas, todas as ruas, todas as pessoas, todos os acontecimentos, todas as ideias, todos os sentimentos, para o centro da folha; vertendo tudo o que existe e não existe sob a forma de palavras.

O dinheiro que me é ofertado será utilizado para a criação de um fundo que todos os anos premeie um país que tenha abolido a pena de morte.

Obrigado.»

terça-feira, janeiro 25, 2011

Parabéns, Sofia Trindade

Basta-me ter acabado de escrever o teu nome para me lembrar de que a nossa ligação cósmica perdura, para lá da espuma das palavras, das estações e dos outros seres com joelhos e olhos como nós.

Como hoje celebras a idade de Cristo, deixa-me hoje chamar-te: Holy Trinity.

Holy Trinity, hoje aparecerei pontualmente no teu jantar. Haja o que houver.

Nunca me esquecerei de quando vieste de Londres com o único fito de celebrares os teus trinta em Lisboa. Que dia :).

Apesar de saber que não precisamos de combinar nada, por tantas vezes irmos aos mesmos sítios no minuto exacto da hora exacta, pelos motivos mais imprevistos (até no supermercado onde só foste uma vez e em que o tempo parou como no filme do Big Fish), este ano estarei garantidamente mais presente.

Angel
- Sabe, Angel, o que há entre nós não é uma amizade. É algo mais. É qualquer coisa que você e eu não conseguimos explicar. Vá-se lá entender estas coisas... É... qualquer coisa que nos sobressalta. E eu sei que você sente isso e eu também o sinto e não sabemos o que é.
- O Vergílio Ferreira está num plano acima dos outros escritores. Porque ele era um interrogador disto tudo. Porque vivemos? Consegue responder? Porquê a vida? E depois: para quê viver? Para quê? Fiz ontem oitenta anos e cada vez mais tenho a certeza de que existe qualquer coisa depois da morte. Dizem-me: bom, então acredita na vida depois da morte. Eu não gosto do verbo acreditar, sabe, porque quem acredita deixa de ter dúvidas e de interrogar. E, de resto, se vir bem, mesmo quem acredita não consegue definir que coisa é essa que há depois da morte. E ninguém tem uma definição exactamente igual à de outro. A resposta é sempre individual. Uma coisa é clara para mim: se isto não tem continuidade, então porra, isto não tem sentido nenhum. Não é lógico. No meu aniversário, pus-me a olhar para a fotografia do Vergílio. É uma fotografia que tenho dele que lhe captou um sorriso... É um sorriso de quem entreviu outro plano ou outros planos. E eu perguntei-lhe: Vergílio, tu que já partiste, diz-me lá, em que plano estás tu?

domingo, janeiro 23, 2011

Porque há pessoas que ficam na terra mais tempo do que outras - porque têm projectos sempre

Não olho para o que fiz. Olho para o que vou fazer.

Manoel de Oliveira

sábado, janeiro 22, 2011

Aquele que se comporta cruelmente com os animais possui também um coração endurecido com os humanos.

Kant
Penso-te com tanto ruído à volta. Como se todos quisessem interferir involuntariamente num processo que lhes é alheio. Penso-te com a rapidez das imagens que flutuam na minha cabeça. Penso-te o cheiro e a pele. Lembro-me do som da tua gargalhada provocada por mais do que duas ou três palavras banais. E o teu olhar que é enorme e me invade de uma forma que me alter(n)a.
É noite. Da janela sai um fio de luz que não me ajuda. Quero ver-te. Chego com o toque. Cheiro-te. Embriago-me.


Embriago-me. Embriago-me. Embriago-me.

A minha mão entrelaçou-se na tua e olho-nos o encaixe. É perfeito.
Continuo a pensar-te por vezes o indizível. E pedes para te dizer e tento dar a volta ao texto e às palavras que querem saltar de um peito em cheio.Sinto-te o aroma.

Quero-te.

MC

quinta-feira, janeiro 20, 2011

De Deus como apreciador de jazz

Cresci com um enorme retrato de Charlie Parker no quarto. Julgo que para um miúdo que resumia toda a sua ambição em tornar-se escritor Charlie Parker era de facto a companhia ideal. Esse pobre, sublime, miserável, genial drogado que passou a vida a matar-se e morreu de juventude como outros de velhice continua a encarnar para mim aquela frase da Arte Poética de Horácio que resume o que deve ser qualquer livro ou pintura ou sinfonia ou o que seja: uma bela desordem precedida do furor poético
diz ele
é o fundamento da ode. Sempre que me falam de palavras e influências rio-me um pouco por dentro: quem ajudou de fato a amadurecer o meu trabalho foram os músicos. A minha estrada de Damasco ocorreu há cerca de dez anos, diante de um aparelho de televisão onde um ornitólogo inglês explicava o canto dos pássaros. Tornava-o não sei quantas vezes mais lento, decompunha-o e provava, comparando com obras de Haendel e Mozart, a sua estrutura sinfónica. No fim do programa eu tinha compreendido o que devia fazer: utilizar as personagens como os diversos instrumentos de uma orquestra e transformar o romance numa partitura. Beethoven, Brahms e Mahler serviram-me de modelo para A Ordem Natural das Coisas, A Morte de Carlos Gardel e O Manual dos Inquisidores, até me achar capaz de compor por conta própria juntando o que aprendi com os saxofonistas de jazz, principalmente Charlie Parker, Lester Young e Ben Webster, o Ben Webster da fase final, de Atmosfera para Amantes e Ladrões, onde se entende mais sobre metáforas directas e retenção de informação do que em qualquer breviário de técnica literária. Lester Young, esse, ensinou-me a frasear. Era um homem que começou por tocar bateria. Um crítico perguntou-lhe qual o motivo que o levara a mudar da bateria para um instrumento de sopro e ele explicou:


–Sabe, a bateria é uma coisa horrivelmente complicada. No fim dos concertos, quando acabava de desarmá-la, já todos os colegas se tinham ido embora com as raparigas mais bonitas.


O facto de desejar ter também raparigas bonitas levou-o, entre outras obras-primas, a These Foolish Things onde cada nota parece o último suspiro de um anjo iluminado. A fotografia que dele tenho mostra um homem sentado na borda da cama de um quarto de hotel com um sax tenor ao lado. Magro e envelhecido fita-nos através dos anos com os olhos mais doces e tristes que já vi. Usa uma gravata torta e um casaco amassado, e poucas pessoas estiveram decerto tão perto de Deus quanto esse vagabundo celeste.
Ben Webster, por seu turno, assemelhava-se a um lojista gordo que uma auréola invisível mas óbvia transfigurava. Estas três criaturas sentavam-se à direita do Pai e espanta-me não as encontrar nos altares das igrejas. Talvez que não exista lugar, em céus de mármore e gesso, para alcoólicos promíscuos e pecadores sem remédio. Talvez haja pessoas que se sintam melhor na companhia de criaturas edificantes que não edificaram nada a não ser vidas sem alegria rematadas por agonias virtuosas em odores de açucena. Como penso que Deus não é parvo estou certo que lhe daria comichão tanta bondade melancólica e tanta estreiteza sem mérito. Aposto mesmo que toca bateria a fim de deixar para os outros as raparigas mais bonitas, e ficar a arrumar discretamente tudo aquilo, tambores e pratos, enquanto Charlie Parker, Lester Young e Ben Webster levam em paz o gin, a marijuana e as miúdas jeitosas para um estúdio de gravação onde Billie Holliday principiou agora mesmo a cantar o Seu poder e a Sua glória até ao fim dos tempos.

António Lobo Antunes
You pull my shaking body close
To make the most of tangency
I bite your mouth so fearfully
And slow
The taste of summers yet to shine
A perfect time to change the scene
I bite your mouth in urgency
And terrified I know…

Robert Smith

Relações modernas

- Porque estamos juntos?
- Porque temos medo de ficar sozinhos.


- Não gosto propriamente dela...
- Ninguém te obriga a estar com ela.
- O hábito tem uma força tremenda.
It is time to explain myself - let us stand up.
What is known I strip away,
I launch all men and women forward with me into the Unknown.
The clock indicates the moment - but what does eternity indicate?
We have thus far exhausted trillions of winters and summers,
There are trillions ahead, and trillions ahead of them.
Births have brought us richness and variety,
And other births will bring us richness and variety.
I do not call one greater and one smaller,
That which fills its period and place is equal to any.

Were mankind murderous or jealous upon you, my brother, my sister?
I am sorry for you, they are not murderous or jealous upon me,
All has been gentle with me, I keep no account with lamentation,
(What have I to do with lamentation?)

I am an acme of things accomplished, and I am encloser of things to be.
My feet strike an apex of the apices of the stairs,
On every step bunches of ages, and larger bunches between the steps,
All below duly traveled, and still I mount and mount.
Rise after rise bow the phantoms behind me,
[...]

Long was I hugged close - long and long.

Walt Whitman
I´ll never tell you of all the different ways you make me so afraid

Robert Smith

quarta-feira, janeiro 19, 2011

«Não me lembro da escritura» - Aníbal Cavaco Silva

O actual Presidente da República adquiriu a polémica casa de férias no Algarve através de uma permuta com a empresa Constralmada – Sociedade de Construções, Lda., subsidiária da Opi 92 que era detida por Fernando Fantasia, um dos homens fortes da SLN.


A revista Visão, que noticiou na semana passada o negócio, avança hoje na edição online com quem é que o candidato às eleições presidenciais de 23 de Janeiro fez a permuta em 1999, cuja escritura pública que a contratualiza continua desaparecida do Registo Predial de Albufeira. Algo que impossibilita apurar o que é que Cavaco deu em troca dos dois lotes de terreno.


O candidato continua sem esclarecer o negócio, tendo dito fonte oficial da campanha que o candidato apoiado pelo PSD, CDS e MEP “não se recorda” dos pormenores da aquisição do lote 18 da Urbanização da Aldeia da Coelha, um selecto bairro de apenas 20 lotes onde tem como vizinhos Oliveira e Costa, Fernando Fantasia e Eduardo Catroga.

O registo entregue por Cavaco no Tribunal Constitucional refere a propriedade e identifica a sua matriz, que não consta, no entanto, nem dos registos da Conservatória do Registo Predial de Albufeira, nem do cartório notarial (recentemente privatizado) daquela sede de concelho algarvio, noticiou a mesma revista.

Confrontado durante a campanha com a notícia, Cavaco Silva disse apenas que “o desespero já é muito grande”. “Façam as investigações que quiserem, publiquem tudo que talvez depois do dia 23 talvez eu possa ler”, acrescentou.

Jornal de Negócios
É certo que, na política, já poucas coisas nos conseguem fazer espumar de indignação. Mas ver Cavaco como o pai dos pobres na campanha mete-me nojo.

Cavaco tem todos os grandes banqueiros, todos as grandes entidades patronais na sua comissão de honra. Tem elementos do Compromisso Portugal - que querem despedir metades dos portugueses e instaurar o regime de Pinoche em Portugal, acabando com a Escola Pública, com a Saúde Pública e com o salário mínimo.

Cavaco que quando uma mulher miserável o abordou, mandou-lhe ir procurar uma ONG porque o Estado não é para tratar dos pobrezinhos.

Cavaco que deixou Portugal como líder das desigualdades.

Cavaco que recebeu vinte vezes mais associações patronais do que sindicatos enquanto Presidente da República.

Portas + Passos Coelho + Cavaco é bem ainda duro do que o FMI (cujas intervenções, segundo vários Nobel da Economia, só prejudicaram as economias).

Admirem-se que hajam convulsões sociais. Os ricos que paguem a crise.

Será que este homem votaria no Cavaco?

- Acho lindíssima a ideia de alguém que se possa apaixonar pelo que escrevemos.
No livro Sete Fôlegos de um Combatente, Carlos Brito diz que Cunhal, no fim da vida, acabou por prejudicar o objecto do seu amor: o PCP. Com medo de que este se esvaziasse ideologicamente, evitou que se abrisse à modernidade - enquistando-se, perdendo votos e militantes.

Utiliza uma metáfora poderosa - diz que foi como a mãe que de tanto amar o filho, o abraçou até o sufocar.
- Responderei ao teu desamor sempre com mais amor.

Descrição de uma luta

Foi na escola primária. Uma luta que demorou horas. Eu contra o Bruno Pereira. A luta não terminou. Não houve KO. Mas sei que lhe ganhei por pontos. E sei que ele era mais forte do que eu.

Puxar de cabelos, agarrar a cabeça, pontapés, empurrões. (Éramos miúdos, não trocámos socos.)

Lutámos, lutámos, lutámos.

Foram horas e horas. Houve duas pessoas que assistiram à luta completa. (Estávamos num recanto da escola, os contínuos não nos viam.)

Ele ordenou-me que lhe comprasse um gelado e eu recusei. Ele aproximou o peito dele do meu e eu automaticamente bati-lhe. (Agarrei-o pela cabeça.)

Sei que lhe queria bater há muito. Confesso que tinha medo de que ele me desse uma sova. Mas, ao mesmo tempo, sei que esperava um pretexto para andar à pancada com ele.


(Foram tantas horas de luta. Acabámos por cansaço mútuo.)

Eu não gostava do Bruno Pereira.

- I don´t like you - disse-lhe num inglês muito limitado e sem sotaque, a meio da luta, imitando um filme que vira.

O Bruno Pereira era a «obviedade machista» (como dizia o Bukowski), o-tenho-a-mania-que-sou-bom-porque-sou-mais-forte-do-que-os-outros-e-tenho-mais-estilo. Engraçado, ainda hoje, ao lembrar-me da cara dele, sinto a química hormonal de qualquer coisa que está contra os antípodas do meu fundo mais interior.

O Bruno Pereira falava das meninas como de bonecas utilitárias. Era porco a descrevê-las. Impunha, pelo medo, a sua vontade - especialmente aos mais fracos. «Como são inultrapassavelmente soezes aqueles que martirizam os mais fracos», escreveu Chessman.

Continuo a não gostar de brunos pereiras, tal como na escola primária. Apenas substituí o punho pelo verbo.
Se andares por aí na rua desprevenido, permite-me que te dê um conselho. Tem cuidado com uma rapariga que anda aí à solta. Tem um sorriso do qual deves fugir após o primeiro segundo.

Não te deixes apanhar desprevenido. O sorriso rasgar-te-á de alto a baixo.

Tem uma boca cujos cantos se alargam infinitamente, apagando orelhas, apagando cabelos, apagando o mundo.

A dentição é perfeita. Cada dente é um bloco de leite moldado pelo escalpelo divino.

O sorriso tem uma timidez extrema e uma segurança em si própria infinda. É um sorriso onde cabe o mundo.

Um sorriso onde surpresas coloridas navegam, onde habita a freira e a sensualidade em carne pura - um sorriso que te atirará para o desvario, a alacridade. Ficarás dependente desse sorriso para sempre.
- Acho que não é possível uma pessoa ser equilibrada sem ter uma perspectiva espiritual da vida. Sentirás sempre que te falta qualquer coisa...
Todos os dias, há pessoas que me escrevem pedindo opiniões sobre a escrita. Todos os dias, recebo blogues, textos da prima, do amigo do vizinho e do jovem-que-subitamente-descobriu-que-era-escritor.

É por isso um privilégio descobrir alguém como a minha amiga Marta. (Como quando, na rua, descobrimos um quadro de um artista-vagabundo que é uma obra-prima a 15 €.)


Ela tem um dom raro na escrita.

Junta palavras que nunca ninguém se atrevera a emparelhar. E resultam coisas engraçadíssimas. Elas descobre amizades em palavras que nunca ninguém pensou que pudessem ser vizinhas.

Daria tanto para que ela fosse escritora.
Uma vez, ouvi um mulher contar:

- Apaixonei-me por ele pela forma de ele contar uma anedota.

Às vezes, perguntamos a quem está apaixonado:

- Mas o que é que tu vês nele/nela?

A paixão não é a média ponderada de conjunto de características que apreciamos - sendo a paixão a nota mais alta.

Oscar Wilde chegou a ponto de afirmar que as mulheres se apaixonavam pelos defeitos de um homem.

Não é uma escolha racional. É isso que salga a vida e a torna muito mais deliciosamente confusa.


(Ainda assim, não me apaixonaria por uma mulher que defendesse a pena de morte.)

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votará no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

Será que este homem votaria no Cavaco?

terça-feira, janeiro 18, 2011

- Quando te vais embora sou menos.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Raskolnikov (Crime e Castigo) por Michail Petrovich Klod

... e este homem em quem votaria? (Deixo à vossa imaginação)

Será que estes homens votariam em Cavaco? (Penso que não.)






«Como é que nos vemos livres dos funcionários públicos? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer.»


Cavaco Silva discursando em 2 de Março de 2002, durante uma conferência na Faculdade de Economia do Porto.

Será que este homem votaria em Cavaco? (Penso que não.)




Citações de Cavaco:

«Não sei quantos cantos têm Os Lusíadas, já os li há muito tempo.»

«Hoje é o dia da Raça!» [no dia de Camões]

Será que este homem votará no Cavaco? (Já afirmou que sim)

Será que este homem votará no Cavaco? (Penso que sim)

Será que este homem votará no Cavaco? (Penso que sim)

domingo, janeiro 16, 2011

Love is three quarters curiosity.

Giacomo Casanova
não é apenas o foder e o chupar que alcançam o interior do homem

e o amaciam, são os extras,

está tudo nos extras


Charles Bukowski
por trás da cortina, só eu vejo
o núcleo intocado do teu encanto
sobrevivente deste mundo

(juro que se te visses através de mim
não compreenderias a tua modéstia)

as mulheres da minha vida às 5.43

algumas casaram
outras têm filhos
muitas vão ao supermercado
limpam a casa
trabalham trabalham trabalham
outras continuam solteiras
trabalham trabalham trabalham
algumas vivem obcecadas com o relógio decrescente
da maternidade
algumas estão mais flácidas
outras ganharam papos sombreados debaixo dos olhos
algumas trucidaram o idealismo
como se esmagassem a concha da infância
a maior parte delas não sei se é feliz
mas sei que estremecemos quando nos encontramos
- Já reparaste que quando tu falas, todos os outros se calam?

sábado, janeiro 15, 2011

quarta-feira, janeiro 12, 2011

CANTO DE MIM MESMO (O MAIOR DE TODOS OS POEMAS)

Celebro-me e canto-me,
E aquilo que assumo tu terás de assumir,
Pois cada átomo que me pertence, por assim dizer, pertence-te,

[...]

Fica comigo este dia e esta noite e possuirás a origem de todos os poemas

[...]

Sei que sou imortal,
Sei que esta minha órbita não pode ser traçada pelo compasso de um carpinteiro,
Sei que não vou desaparecer como a figura de fogo que uma criança à noite faz com um archote.

Sei que sou majestoso,
Não atormento o meu espírito para que ele se justifique ou seja compreendido,
Vejo que as leis elementares nunca pedem perdão.

[...]

Existo como sou, e isso é suficiente,
Se mais ninguém no mundo o sabe, fico satisfeito,
E se cada um e todos o sabem, fico satisfeito.

Há um mundo que o sabe e é de longe o maior para mim, porque sou eu mesmo,
E se alcançar o que é meu no dia de hoje ou daqui a dez mil ou dez milhões de anos,
Posso com alegria aceitá-lo agora, ou com igual alegria posso esperar.

Aquilo em que me apoio está bem seguro e cravado em granito,
Rio-me daquilo a que chamas dissolução,
E conheço a amplitude do tempo.

[...]

Desaparafusem as fechaduras das portas!
Desaparafusem as próprias portas das ombreiras!

Quem quer que avilte um outro homem avilta-me a mim,

[...]

Sou divino por dentro e por fora, e torno sagrado o que quer que toque ou me venha a tocar,
O odor destes sovacos é um aroma mais delicado do que uma oração

[...]

Sol magnificente, não preciso do teu calor - fica onde estás!
Apenas iluminas superfícies, eu penetro superfícies e também os abismos.

[...]

Quando me dou, dou-me por inteiro.

[...]

São horas de me explicar - vamos pôr-nos de pé.

[...]

Até agora esgotámos triliões de Invernos e Estios,
Há triliões à nossa frente, e à frente destes mais triliões.

[...]

A humanidade foi criminosa e invejosa para contigo, meu irmão, minha irmã?
Lamento-o, comigo não foi nem criminosa nem invejosa,
Todos têm sido amáveis comigo, não dou importância a lamentações.
(Que tenho eu que ver com lamentações?)

Sou o cume das coisas realizadas e o receptáculo do que há-de vir.
Os meus pés tocam o vértice dos vértices das escadas
[...]
Percorri devidamente todos os que estão em baixo e ainda subo e continuo a subir.

Conforme subo, os fantasmas inclinam-se atrás de mim

[...]

Nenhum dos meus amigos se instala na minha cadeira,
Não tenho cadeira, nem igreja, nem filosofia,
Não conduzo ninguém à mesa de jantar, à biblioteca, à Bolsa,
Só te conduzo a ti, homem ou mulher, a um outeiro,
A minha mão esquerda aperta-te a cintura,
A minha mão direita assinala a paisagem dos continentes e o passeio público,
Nem eu nem ninguém pode percorrer por ti este caminho,
Deves percorrê-lo por ti mesmo.
Não fica longe, está ao teu alcance,
Talvez tenhas andado por ele desde que nasceste e não o saibas,
Talvez fique em toda a parte, na água e na terra.
Carrega os teus farrapos, meu filho, e eu carregarei os meus, apressemo-nos,
Chegaremos a maravilhosas cidades, chegaremos às nações livres.
Se estás cansado, deixa-me levar os fardos, e põe a tua mão na minha anca,
E no devido tempo hás-de retribuir-me,
Pois já que partimos nunca poderemos descansar.
Hoje, antes do alvorecer, subi uma colina e olhei os céus e as constelações,
E perguntei ao meu espírito: Quando abraçarmos essas orbes, quando tivermos o prazer e o saber de quanto nelas há, sentir-nos-emos realizados e satisfeitos?
E o meu espírito respondeu: Não, se alcançarmos esses cumes é só de passagem, é só para continuar mais além.

[...]

Mais vale ser imoral do que virtuoso por conformismo ou medo

[...]

Ensino a afastarem-se de mim, mas quem se pode afastar de mim?
Quem quer que sejas, sigo-te desde este momento,
As minhas palavras hão-de atormentar-te os ouvidos até as compreenderes.

[...]

Se quiseres compreender-me vai para as alturas ou para a praia,
O mosquito mais próximo é uma explicação, e uma gota ou um movimento das ondas uma chave

[...]

Eu também não fui domesticado, eu também não sou traduzível,
Lanço o meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo.

[...]

Se me quiseres de novo procura-me [...]
Dificilmente saberás quem sou ou o que significo
Todavia serei para ti a saúde
E filtrando o teu sangue dar-te-ei vigor

Se à primeira não me encontrares, não desanimes,
Se não estiver num lugar, procura-me noutro,
Algures estarei à tua espera.

Walt Whitman

Já te inscreveste?

www.subbacultcha-training.com
- A certa altura, tentaram levar-me para o Partido Comunista. Mas cedo me apercebi de que não era possível o comunismo. Por uma simples razão. É que todos os proletários que conheci queriam ser burgueses.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Grandes Vultos que acreditaram na reencarnação

http://rc1910.esmartweb.com/reenc/reenc.html

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Gurdjieff escreve, em Encontros com Homens Notáveis, que numa viagem sua ao Oriente, falou com dois homens, líderes espirituais.

Sterkens era cativante, tinha verve e as suas palavras entravam nos seus ouvintes como verdades. Todos comentavam: «Desde que o ouvi falar que tenho visto as coisas sobre outra perspectiva.» Era impressionante como os seus diálogos espirituais faziam tudo o sentido. Eram racionais.

Arkus era velho e os seus discursos eram extremamente aborrecidos. «Não ficávamos sequer com nada na cabeça. Só dizia coisas sem nexo, a que não ligávamos nenhuma.»

Passados alguns dias, Gurdjieff e os outros ouvintes, foram acometidos de um estranho fenómeno. As palavras de Sterkens eram esquecidas e as de Arkus, que pareciam nem ter entrado pelo ouvido, ficavam perenemente gravadas no espírito. Eram verdades que demoravam a sedimentar, mas que depois faziam sentido e ecoavam como verdades reveladas durante anos.

Gurdjieff explicava que enquando Sterkens falava do intelecto, Arkus falava a partir do ser. E quando alguém comunica a partir das vísceras do seu ser, a mensagem é perente. Liberta a cortina do intelecto, resplandece o brilhante e intocado ser.

Dos Registos da PIDE

Polícia Internacional e de Defesa do Estado
Formulário Pessoal Pormenorizado

1- Nome em maiúsculas: "ANÍBAL ANTÓNIO CAVACO SILVA"

12- Sua posição e actividades políticas: "Integrado no actual regime político. Não exerço qualquer actividade política".

22- Meios que frequenta: Agremiações culturais, Desportivas ou Recreativas: " Nenhuma em especial".

domingo, janeiro 09, 2011

Divertir é um verbo frívolo.
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

sábado, janeiro 08, 2011



Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

Chico Buarque

Lou Andreas-Salomé

Uma mulher que nunca se ligou emocionalmente a um homem e a quem muitos homens se ligaram emocionalmente. Despertou, não sendo bela, paixões fatais. Nietzsche, Paul Rée, Rilke (este último jovem e ela já de meia-idade) sucumbiram-lhe. Wagner e Freud ficaram encantados. Era uma mulher desprendida, à frente do seu tempo, que chocava pela sua modernidade. Teve inúmeros amantes (apaixonadíssimos) e nunca teve pudor em afirmar o seu estatuto de mulher-homem numa época arreigadamente machista. Se não fosse ela, Nietzsche não teria escrito Zaratrusta. Escandalizava e fascinava. Produziu literariamente e escreveu:


Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
Algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!
Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!

Ela não tinha, mas eles, talvez por essa característica, fizeram dela a sua necessidade vital.

Palavras que me dão orgasmos

empíreo
nome masculino
1. MITOLOGIA habitação de deuses
2. RELIGIÃO lugar dos bem-aventurados
3. figurado lugar de delícias
4. a mais elevada das esferas em que a antiga astronomia considerava fixados os astros
adjectivo
1. relativo ao céu; celeste
2. figurado superior, supremo
(Do gr. émpyros, «ardente; que está em fogo», pelo lat. empyrìu-, «do empíreo; do fogo»)
As lágrimas das mulheres não são um bom estímulo sexual para os homens. Mais do que provocar uma resposta emocional, contêm um sinal químico capaz de reduzir a libido e a produção de testosterona.

A conclusão é de um estudo realizado por cientistas do Instituto Weizmann, em Israel, publicado na revista «Science».

TVI 24
Cólera

(Auto-retrato 2)


Quando a pérfida cólera se instala
No meu peito de vidro transparente
É prenúncio de fim, é sol poente,
Aurora de um rancor que não se cala.

O crepúsculo diz-me, nesta sala,
Que tudo terminou. E, de repente,
Este olhar que te atiro já desmente
Calma aparente, o meu verniz, que estala.

Este olhar que te atiro a contragosto
É cólera. Rebenta a flor funesta
Do nosso adeus, à luz deste sol posto.

Sim! Nunca mais verás este meu rosto,
Este rosto que a cólera me empresta
Quando esta já é mestra do desgosto.

Pedro Santos

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Formatá-los desde pequeninos.

Dei por mim a folhear livros do secundário. É engraçado ver como os adolescentes aprendem agora. É engraçado ver duas coisas:

a) o ensino está hoje objectivamente mais facilitado. as coisas são dadas mais pela rama, pela superfície;

b) é engraçado ver como se passa uma ideologia.

Sobre a alínea b):

Quando somos mais novos, não nos apercebemos de que o que nos ensinam possa ser questionado. Mais velhos, temos um exército de defesas, adquiridos pelo conhecimento, que nos permite filtrar.

Li um livro de Economia. Fiquei assustado ao pensar na quantidade de jovens que assimilarão acriticamente o que lhes impingem.

Os mercados funcionam na perfeição e qualquer intervenção estatal prejudica o equilíbrio! Que bonito! Mas isso é um paradigma dentro da Ciência Económica.

A Ciência Económica é uma ciência social, tem autores que defendem A, outros B, outros C, outro D. É, contudo, apresentada nos livros do secundário como sendo una, esquemática, linear. E una - claro está - pelo lado da economia neoliberal. A verdade é que cada economista produz sua sentença.

Os postulados «Os agentes económicos são racionais e os mercados equilibram-se» são bonitos, mas não são uma verdade absoluta.

Herbert Simon [nome importantíssimo da Ciência Económica, mas totalmente omisso] desmantelou-os.

À partida, parece lógico que os agentes económicos sejam racionais. Se tu vais a uma pastelaria comer um pastel de nata por 0,80 € e ao lado há uma pastelaria com pastel de nata igualmente saboroso a 0,60€, acabarás por ir à pastelaria do lado.

Herbert Simon explicou que não era assim. Primeiro, porque os agentes têm uma informação limitada. Eu não sei qual o preço e a qualidade de todos os pastéis de nata de Lisboa, nem sequer do meu bairro. Por outro lado, o ser humano age mais por emoção do que pela razão (verdade cada vez mais demonstrada pela neurociência). Não, os agentes não são racionais, agem muitas vezes movidos por impulsos irracionais.

Pondo em causa a premissa de que os agentes económicos são racionais, a conclusão foi desfeita: os mercados equilibram-se.

É claro que convém à ideologia dominante, aos bancos que pagam IRC a uma taxa inacreditável que as cabecinhas não conheçam nem Simon nem Keynes.

Foda-se a património da Humanidade


Um dia os meus olhos cruzaram-se com um título sedutor: Fuck it. Naquele breve instante desejei-o e quando saí da Fnac já o possuía (ou ele possuía-me a mim?).
Às vezes, gostava de o mencionar entre amigos. Contudo, um dia falhei redondamente como o Pedro Abrunhosa falhou o degrau do palco dos Ídolos, tornando o João Manzarra num herói nacional entre os defensores da expressão que parece ter proferido. Estava a jantar com uma amiga e, por brincadeira, mostrei-lhe o livro. Ainda hoje me flagelo! Como é possível ter esquecido que pelos seus lábios não passava tal palavra? Invocava que não usava o termo porque para si foder era bom, porquê usá-lo com um sentido pejorativo? Se fosse qualquer outra pessoa a recorrer a essa argumentação, eu aceitaria de bom grado, mas vindo da boca de alguém que pouco fodera na vida perdia toda a credibilidade.
Esta conversa acesa fez-me, no entanto, questionar sobre a origem da afamada imprecação, arriscando apontar o conceito de foder entre as primeiras palavras do mundo, desde que o Homem é Homem e se lembra de ter existido, muito anterior à mais velha profissão do mundo.
Foder, do latim vulgar (até o latim era ordinário) futere, veio a assumir dimensões ligeiramente mais eufemísticas, assentes na urgência do uso da expressão em contextos mais melindrosos. Quem não desabafou já a sua ira com um perfeito fónix ou mesmo um fosga-se? E mais, quem não sentiu a necessidade incontrolável de seguir um foda-se de um caralho (ou vice-versa)? Em situação crítica, os companheiros leais de guerra são sempre os primeiros a ser invocados.
Entre os seus utilizadores contam-se respeitáveis trabalhadores das obras e chungas que andam a fazer pela vida não se sabe bem o quê, mas também adolescentes ávidos por abusar de todas as obscenidades possíveis ou o desgraçado do condutor que acabou de espatifar o carro contra um poste.
A alusão disfarçada ao termo no universo da música popular portuguesa foi também responsável por alguns sucessos no top das tabelas nacionais. Emanuel e o seu imortal tema Pimba Pimba ganhou proporções sobrenaturais desde Quim Barreiros, afirmando-se de tal maneira que passou a adjectivar um estilo musical e a adornar as palavras dos bajuladores de rua à passagem de moças casadoiras.
Foder tem a potencialidade de ser coisa boa, já dizia a minha amiga, mas se a mulher do vizinho andar a dormir com o melhor amigo do marido, o novo estatuto a que o acto da cópula da mulher traidora elevou o marido acaba por ficar sem eficácia. Por outro lado, o uso do pronome reflexo em fodeu-se não significa propriamente que um indivíduo ou uma indivídua se tenham masturbado, mas sim que alguém se colocou numa situação fodida cujo mentor terá sido o indivíduo em questão.
Indiscutível é, sem dúvida, a catarse resultante da verbalização sentida (ou mesmo sofrida) do termo, quase semelhante ao momento pós-coito. Por isso, nada melhor que proferi-lo ou realizá-lo apoteoticamente como o verdadeiro antídoto contra o stress que o senso comum concordante lhe atribui. Foda-se – interjeição de um sentimento transformado em palavras, ou foder – verbo que impele à realização de uma acção por parte do sujeito, são, sem complexos, o património da Humanidade a que todos recorremos nos momentos mais necessitados.

SUSANA DUARTE MARTINS
- Just one more chance, please - ele disse, depois de o ter pedido 1001 vezes no passado.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Cavaco, o homem cuja única virtude até então era a seriedade

Oliveira Costa assinou compra de ações de Cavaco na SLN

O antigo presidente da Sociedade Lusa de Negócios e do BPN, José Oliveira Costa, assinou, pelo próprio punho, o despacho da venda das acções de Cavaco Silva na SLN a 2,40 euros cada uma.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CASO BPN
As ações foram compradas a um euro cada, o que na prática se traduz numa mais valia superior a 140% a favor de Cavaco Silva.

Em maio de 2009, o Expresso publicou um documento onde se reconhecem as expressões SLN Valor, 2,40 euros por acção e a assinatura de Oliveira Costa.

Cavaco contra os transexuais

Presidência
Cavaco vetou diploma sobre mudança de sexo por insuficiências ao nível do diagnóstico
06.01.2011 - 17:00 Por Ana Fernandes
Votar | 8 votos 16 de 27 notícias em Política« anteriorseguinte »
O Presidente da República vetou o decreto que visa simplificar o procedimento de mudança de sexo e nome no registo civil

Público
«Orwell tem um texto muito bonito acerca de rãs numa revista de política: "Mas porque é que num momento em que há guerra e há campos de concentração, estou a escrever acerca disto?" A resposta que dá é a seguinte: se não escrevermos sobre estas coisas alguma vez, perdemos a nossa humanidade. A estética não é um penduricalho. As coisas belas e sentimentais são fundamentais.»

Rui Ramos
O sueco, residente em Portugal há alguns anos, disse em bom português:

- Nós na Suécia fazemos aquilo que vocês chamam de vaquinha. No meu prédio, os vizinhos revezam o seu carro e cada um dá boleia aos outros. Aqui, em Portugal, as pessoas não têm espírito comunitário; é algo que não entendo.
- És um poço infinito. Tu... tu és perfeito - ela disse.
- Não digas isso.
- Porquê?
- Porque assim só te posso desiludir.
- Tu és uma merda. Está melhor assim?
- That´s better - sorriu.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
[...]

E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.


Herberto Helder

terça-feira, janeiro 04, 2011

Elogio

Para mim, isto foi a confirmação
que melhor não sabias fazer... pois não?

... ... ... ... ... ... ...

Lisonjeadora limitação!...

... ... ... ... ... ... ...

Não, amigo. Não quero que me acudas.
Senti o elogio de um irmão
no travo de vinagre da traição,
no beijo lamacento de um tal Judas.

Pedro Santos

Azul

Nesse teu céu sinto só perfídia cega;
e no azul só a cor da minha veia
saciando sanguessuga que se pega.

Nesse teu céu oiço uivos de alcateia,
fome de predador que à noite chega,
risos de aranha, azuis como a teia
que seduz transparências de uma entrega.

Mas eis que o azul se faz cinza na ideia
e morre a história de um verme sedento
de inocência, de limpo céu azul,
de sumo da entrega de uma vida.

E assim sorvo este sumo vinagrento
de um tal fruto, esquecido em tons de azul
de bolor de amizade corrompida...

Pedro Santos
- Angel, tu tens qualquer coisa de padre, não tens?
- A matança da minha mãe nem foi muito má. Foram só três meses de sofrimento. A minha filha Amália ainda faz a matança do porco.
something more than this

Robert Smith
your heart hides a secret

Robert Smith
My body may made of fire
but my soul is made of ice

Robert Smith
Offer me the world,
And how can I resist?

Robert Smith
- Quando estou contigo, até me esqueço que existe algo como o mundo.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Muitas vezes, vi homens de carácter perderem o carácter por causa de mulheres.

Sem comentários

gestor/a de newsletters



Empresa na linha de Cascais recruta gestor de newsletters para gestão de bases de dados e concepção e envio de newsletters.

Factores preferenciais:
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sábado, janeiro 01, 2011

Lobo Antunes perguntou a Cardoso Pires o que este achava do seu novo livro (ainda por publicar).

Cardoso Pires respondeu:

- Sei lá, ainda só o li duas vezes!

A cultura do nosso tempo é muito superficial. Um bom livro lê-se inúmeras vezes. Nabokov dizia mesmo que o importante era ler poucos clássicos pela vida fora.

Há livros que releio pela vida fora. Até sempre. São os livros-infinitos. Aqueles onde vão buscar sempre algo novo a cada leitura.

É um fenómeno interessante. Quando leio pela segunda vez, os sedimento já estão criados e a casca anterior do livro dá lugar a outra.

Mesmo quando leio algo que não me entusiasma e que parece que só estou a passar os olhos, à segunda leitura, um nexo é entretecido e as coisas assentam sobre um poltrona prévia.
I was eight years old. At that moment in my life, nothing was more important to me than baseball. My team was the New York Giants, and I followed the doings of those men in the black-and-orange caps with all the devotion of a true believer. Even now, remembering that team — which no longer exists, which played in a ballpark that no longer exists — I can reel off the names of nearly every player on the roster. Alvin Dark. Whitey Lockman, Don Mueller. Johnny Antonelli, Monte Irvin, Hoyt Wilhelm. But none was greater, none more perfect nor more deserving of worship than Willie Mays, the incandescent Say Hey kid.

That spring, I was taken to my first big-league game. Friends of my parents had box seats at the Polo Grounds, and one April night a group of us went to watch the Giants play the Milwaukee Braves. I don’t know who won, I can’t recall a single detail of the game, but I do remember that after the game was over my parents and their friends sat talking in their seats until all the other spectators had left. It got so late that we had to walk across the diamond and leave by the center-field exit, which is the only one still open. As it happened, that exit was right below the player’s locker room.

“Just as we approached the wall I caught sight of Willie Mays. There was no question about who it was. It was Willie Mays, already out of uniform and standing there in his street clothes about ten feet away from me. I managed to keep my legs moving in his direction and then, mustering every ounce of my courage, I forced some words out of my mouth. ‘Mr. Mays,’ I said, ‘could I please have your autograph?’

He had to have been all of 24 years old, but I couldn’t bring myself to pronounce his first name.

His response to my question was brusque but amiable. ‘Sure, kid, sure,’ he said. ‘You got a pencil?’ He was so full of life, I remember, so full of youthful energy, that he kept bouncing up and down as he spoke.

I didn’t have a pencil, so I asked my father if I could borrow his. He didn’t have one either. Nor did my mother. Nor, as it turned out, did any of the other grownups.

The great Willie Mays stood there watching in silence. When it became clear that no one in the group had anything to write with, he turned to me and shrugged. ‘Sorry, kid,’ he said. ‘Ain’t got no pencil, can’t give no autograph.’ And then he walked out of the ballpark into the night.

I didn’t want to cry, but tears started falling down my cheeks, and there was nothing I could do to stop them. Even worse, I cried all the way home in the car. Yes, I was crushed with disappointment, but I was also revolted at myself for not being able to control those tears. I wasn’t a baby. I was eight years old, and big kids weren’t supposed to cry over things like that. Not only did I not have Willie Mays’ autograph, I didn’t have anything else, either. Life had put me to the test, and in all respects I had found myself wanting.

After that night, I started carrying a pencil with me wherever I went. It became a habit of mine never to leave the house without making sure I had a pencil in my pocket. It’s not that I had any particular plans for that pencil, but I didn’t want to be unprepared. I had been caught empty-handed once, and I wasn’t about to let it happen again. If nothing else, the years have taught me this. If there’s a pencil in your pocket, there’s a good chance that one day you’ll feel tempted to start using it. As I like to tell my children, that’s how I became a writer.

Paul Auster