quinta-feira, dezembro 09, 2010

Quem definiu o bom gosto?

4 comentários:

RS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

o meu pai. antes do meu pai, o meu avô. antes do meu avô, o pai dele, e o avô, e a bisavó. enfim, é uma lista longa, longa, longa, mas se precisares de alguma coisa... eu estou encarregue de tratar do bom gosto por agora, é um peso que tenho que carregar...

RS disse...

O bom gosto é uma definição aplicada a um objecto ou um pensamento, o qual se enquadra geralmente no padrão estético de normalidade social de uma dada época ou lugar. Esta é mais coisa, menos coisa, o significado de "bom gosto" que vem nos dicionários; ora, se eu me visse encaixada nesta definição, o meu gosto, seria classificado como sendo muito mau... :)

RS disse...

Texto de Eça de Queirós, que acho muito interessante e que assenta que nem uma luva àquilo que penso em
relação ao gosto generalizado das sociedades ao longo dos tempos. É, a meu ver, uma reflexão bastante actual!


Não Sobra Tempo para Ter Bom Gosto

Os interesses, os negócios, a loja, a repartição, a família, a profissão liberal, os prazeres não deixam um momento para as exigências de uma iniciação artística: - e numa cidade de dois milhões de almas, como Paris, há por fim apenas meia dúzia de almas que possam sentir com verdade e profundidade a beleza ou a grandeza de uma obra,e que diante de um quadro de Velásquez e de um quadro de Bonguereau, saibam qual pertence à Arte e qual pertence ao Artifício. Por isso a oleografia triunfa, e Ohnet e outros tiram a cem mil exemplares e as comédias mais desprezivelmente idiotas congregam as multidões. E não é culpa da multidão. Ela pode dizer, como o amanuense a Voltaire: «Não me sobra tempo para ter bom gosto.

Eça de Queirós, in 'Cartas de Inglaterra'