domingo, maio 16, 2010

Outro dia em conversa com o meu quase octogenário amigo literato, ele dizia-me:

- Angel, quando chegar à minha idade, vai perceber que já não lê, só relê.


Devemos ler enquanto jovens. Mário Castrim escreveu que era um chulo intelectual dos seus dezanove anos - altura em que leu que nem um cavalo. Paulo Auster disse o mesmo por outras palavras.

Devemos ler quando jovens. Não que não possamos ler enquanto adultos. Podemos e até devemos porque os estudos dizem que nada regenera na idade avançada tantos os neurónios como a leitura.

A questão é que precisamos de criar as bases em que assentar a leitura. E isso convém começar de novo... Patrick Suskind explica que quando lemos, mesmo quando cosicentemente não nos lembramos, os nossos mecanismos mentais vão-se alterando...
Como aqui escrevi um dia: «Mesmo que no nosso consciente não nos lembremos das informações, o molde em que os livros entram e ficam na nossa cabeça já é outro. Porque cada vez que um livro entra na nossa cabeça modifica-a e no próximo livro ela será um receptáculo diferente.»

Muitas vezes tenho a prova disso ao ler um parágrafo ou uma página do livro e sentir que não me entrou nada, que não retive, que não percebi nada. Na segunda leitura, tenho um tcham!!!! Porquê?

Porque houve algo na primeira leitura que entrou em mim e que ficou a segurar e a iluminar a informação que veio a seguir.

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