Conheces o sentimento de ciúme. Mas há outro sentimento que já sentiste e para o qual não tens nome. As coisas ficam mais difusas quando não são nomeadas.
É a incomodidade de veres alguém importante para ti com uma pessoa que sentes ser um traste. Não é ciúme, porque tu não queres ocupar o espaço dele - seria como trocares-te a ti, ouro, por merda.
Como é que ela floresce com aquilo?, pensas e não pensas, porque só se te vir à mente, é tão mau, tão caótico, tão repugnante, tão ilógico que tu afastas logo o pensamento. Ou então distorces a maneira como a vês. Fazes tudo para agigantar os seus defeitos na tua mente. Tudo o que sirva para denegrir a sua imagem, é bem-vindo à tua memória e imaginação. Tens de a pintar de cores pretas para que seja possível uma equação mental em que ela esteja com ele. Para que a possas aceitar ao lado daquele energúmeno - sem complexos, sem dúvidas.
Terei andado enganado este tempo todo? Estará ela cega? Ou simplesmente quer alguém à viva força e por isso baixou os seus padrões de exigência?
A mediocridade. A vulgaridade. O beto vazio. O machista que lhe bate. O surfista fútil e básico. O gajo que só liga aos carros e ao estilo. O brutamontes. O totó que lhe paga tudo mas não tem personalidade.
É tão triste ver alguém que gostamos com um espécime destes.
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1 comentário:
Todas as pessoas são um mundo cheias de mundos lá dentro – foste tu que me ensinaste, até, a metáfora dos continentes – claro que há um que ocupa mais que os outros e esses, são os respónsaveis pelos juizos de valor e primeiras impressões. Que, quer estejam certas ou erradas, são um “cagagésimo” daquilo que uma pessoa é no seu todo.
Nao estou à espera que gostem da minha mania do cor-de-rosa e que oiçam a minha musica. Tenho muitos mundos, escolhe um que gostes e recebo-te aí. Concordaremos em discordar em tudo o resto.
dediquei-te um post!
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